LET 973 – 8

Leia atenta mente o parágrafo abaixo:

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Lucien Goldmann afirma que a visão de mundo do autor sempre será expressa, voluntariamente ou não. A literatura é fortemente influenciada pela sociedade, sendo muito importante entendermos os fatores econômicos e as relações entre as classes sociais para que entendamos, também, a obra literária. Alguns pensadores dizem que essa forma de conceber o literário rebaixa os valores espirituais ao colocá-los no mesmo patamar das contingências sociais e econômicas. Goldmann contesta essa visão de mundo afirmando que os verdadeiros valores espirituais não se destacam da realidade econômica e social, mas se dirigem precisamente para esta realidade tentando introduzir nela o máximo de solidariedade e de comunidade humanas. Convém salientar que o autor deixa claro a condição hipotética dessa influência do social sobre o literário, já que se trata de uma teoria. Tal hipótese poderá ou não ser comprovada. De acordo com o materialismo histórico, tanto a literatura, quanto a filosofia são ?expressões de uma visão de mundo? e, portanto, são fatos sociais. Nisso reside a essência dos estudos literários. O escritor pode sofrer influências do meio em que vive através da recusa ou da assimilação das ideias vigentes ou, ainda, associando-as a outras de lugares ou tempos distantes. Associando o método estruturalista genético aos estudos de literatura, Goldmann diz que tentamos responder a todas as questões da vida, dando sentido a elas através de nossas ações. Desse modo, criamos um equilíbrio entre nós mesmos e o mundo, ou seja, entre o sujeito que age e entre o objeto que sofre a ação. Para que estudemos os acontecimentos humanos, seja em que campo for (econômico, político, social, cultural, etc.), faz-se necessário que tenhamos conhecimento de como esses equilíbrios se desfazem e refazem. Em primeiro lugar é preciso que determinemos o que é esse sujeito que age sobre o mundo. Segundo Goldmann, ele pode ser visto de três formas: como ?indivíduo? (empirismo, racionalismo e fenomenologia); como coletividade; ou como coletivo composto por uma rede de indivíduos, como acontece com as teorias hegeliana e marxista. A obra deve ser analisada a partir do grupo social em que foi criada e não do indivíduo que a criou. Sob esse ponto de vista, pode-se afirmar que a explicação para o fato de determinado autor escrever certa obra, e não outra, não pode ser dada pela psicologia do autor, mas sim pela influência social que sofre. Esse fator social está refletido na estrutura da obra, não sendo possível separar-se um da outra. Alguns teóricos anteriores a Goldmann, que centravam seus estudos literários na sociologia, defendiam a ideia de uma influência da consciência coletiva sobre o escritor e sua obra. As pesquisas de Goldmann demonstram que a vida social é um processo coletivo que estrutura de forma equilibrada os fatores psíquicos e de ação. Outro conceito importante na teoria de Goldmann é o de consciência possível, que faz o contraponto com a consciência real. Segundo essa teoria, a maioria de nós estrutura seus pensamentos a partir das percepções que tem. Entretanto, muitas informações escapam de nossa percepção ou chegam a ela deformadas, determinando, assim, a forma de pensar característica de uma sociedade. Quando o indivíduo consegue alcançar um grau de percepção maior do que o da maioria das pessoas de sua sociedade, vai além da consciência real, alcançando essa consciência possível.

Índice

Há, neste trecho, várias perguntas. Considerando as personagens “pequena flor”, do conto de Clarice Lispector e “Negrinha”, de Monteiro Lobato, tente respondê-las, sempre justificando com a importância da categoria “personagem” para o melhor desempenho da estrutura narrativa do conto em que cada uma delas aparece.

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3 comentários sobre “LET 973 – 8

  1. Uma primeira pergunta presente no texto é a seguinte: Segundo Goldmann, o sujeito pode ser visto de três formas: como indivíduo (empirismo, racionalismo e fenomenologia)? Como coletividade? Ou como coletivo composto por uma rede de indivíduos, como acontece com as teorias hegeliana e marxista?

    A partir da pergunta acima pode-se perceber que tanto a “Pequena flor”, quanto a “Negrinha” são vistas como indivíduos, pois ambas são marginalizadas, isoladas do mundo em que vivem, são solitárias, muitas vezes ridicularizadas pelas pessoas que as rodeiam, não são integradas em nenhum grupo social, são tristes, amarguradas.

    Outra pergunta presente no texto é: de acordo com o materialismo histórico, tanto a literatura, quanto a filosofia são expressões de uma visão de mundo?

    De acordo com a pergunta citada acima, tanto a literatura, quanto a filosofia são sim vistas como expressões de uma visão do mundo, porque ambas tratam de abordar fatos cotidianos, psicológicos, sociais, que são vividos pelas pessoas em todo o tempo, desde a antiguidade até os dias atuais. Percebe-se tais fatos nos dois contos citados, nos quais as personagens, Pequena flor e Negrinha sofreram muitas humilhações, maus tratos, xingamentos, ofensas, visto que, tais discriminações continuam a persistir nos dias atuais, sendo que qualquer pessoa, independente de sua época podem sofrer o que estas sofreram, mesmo que não sejam com tanta frequência como antigamente.

  2. – De acordo com o materialismo histórico, tanto a literatura, quanto a filosofia são expressões de uma visão de mundo?
    Sim, pois vemos que em ambas tratam de questões sociais, psicológicas, tratam de questões cotidianas que foram e que podem ser vividas por qualquer pessoa em qualquer época, abordam a vida, o mundo, os acontecimentos, os fatos, sempre destacando um período e o que acontecia naquele momento. Pensando nos contos, ou melhor, nas personagens “Negrinha” e “Pequena Flor”, estudadas em sala de aula, vê-se isso com clareza, pois ambos os contos retratam acontecimentos de uma época passada, a vida cotidiana de pessoas ‘normais’, sua posição na sociedade (vida social), as reações diante da humilhações (psicológico), etc. Fatos que foram e ainda são, mesmo que não com a mesma frequência e intensidade, ainda são vivenciados atualmente.

    – Segundo Goldmann, ele (o sujeito) pode ser visto de três formas: como indivíduo (empirismo, racionalismo e fenomenologia); como coletividade; ou como coletivo composto por uma rede de indivíduos, como acontece com as teorias hegeliana e marxista.
    Pensando nas personagens “Pequena Flor” e “Negrinha”, vê-se que ambas são tratadas como indivíduos, na maior parte dos contos elas são tratadas de forma isolada, são discriminadas, maltratadas. Na maior parte não há relação social com os outros personagens, não há interação por ambas as partes. Elas são sempre as que não são dignas de se aproximarem, principalmente no caso da Negrinha, ambas são vistas e lembradas apenas como motivo de críticas, risadas (…)

  3. – De acordo com o materialismo histórico, tanto a literatura, quanto a filosofia são expressões de uma visão de mundo?

    Sim, pois vemos que em ambas tratam de questões sociais, psicológicas, tratam de questões cotidianas que foram e que podem ser vividas por qualquer pessoa em qualquer época, abordam a vida, o mundo, os acontecimentos, os fatos, sempre destacando um período e o que acontecia naquele momento. Pensando nos contos, ou melhor, nas personagens “Negrinha” e “Pequena Flor”, estudadas em sala de aula, vê-se isso com clareza, pois ambos os contos retratam acontecimentos de uma época passada, a vida cotidiana de pessoas ‘normais’, sua posição na sociedade (vida social), as reações diante da humilhações (psicológico), etc. Fatos que foram e ainda são, mesmo que não com a mesma frequência e intensidade, ainda são vivenciados atualmente.

    – Segundo Goldmann, ele (o sujeito) pode ser visto de três formas: como indivíduo (empirismo, racionalismo e fenomenologia); como coletividade; ou como coletivo composto por uma rede de indivíduos, como acontece com as teorias hegeliana e marxista.

    Pensando nas personagens “Pequena Flor” e “Negrinha”, vê-se que ambas são tratadas como indivíduos, na maior parte dos contos elas são tratadas de forma isolada, são discriminadas, maltratadas. Na maior parte não há relação social com os outros personagens, não há interação por ambas as partes. Elas são sempre as que não são dignas de se aproximarem, principalmente no caso da Negrinha, ambas são vistas e lembradas apenas como motivo de críticas, risadas (…)

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