Tópicos de crítica 4

Bom. desta feita o texto que segue é um artigo que escrevi e publiquei na Revista Letras, do Mestrado da UFSM. Da leitura dele, vocês deverão tirar material para responder (justificadamente) às seguintes questões:

1. É certo afirmar que a Estética da Recepção é a única saída para os impasses da crítica, em relação a seu estado atual, em vista da herança dinâmica implementada pela “Modernidade”? Por quê?

2. No caso da Literatura Comparada, a a ideia de que esta “disciplina” resolve alguns dos impasses que a Teoria e a Crítica enfrentam na abordagem de textos literários, sobretudo à luz do conceito de “modernidade”?

Eis o texto:

Índice

RECEPÇÃO LITERÁRIA: UM DOS ESPELHAMENTOS DA MODERNIDADE

José Luiz Foureaux de Souza Júnior

Para Verônika D. E. B. Benn-Ibler,

um espelho intelectual em que se mirar.

Com carinho.

***

o texto é lembrança de uma outra tela. Texto que se lembra de um texto anterior. O grau zero da escritura não existe e talvez jamais tenha existido. A literatura é sempre de segundo grau, não em relação à vida ou à realidade social de que ela seria mimesis (Auerbach), mas em relação a ela mesma, e o plágio não é senão um caso particular dessa escritura sempre derivada de uma outra.

Michel Schneider, Ladrões de palavras

***

Eu começaria fazendo uma pergunta muito comum. Uma pergunta que cada um de nós já se fez, pelo menos, uma vez na vida. Não importa onde nem quando: o que é que eu estou fazendo aqui? De certa forma, a modernidade pode ser tomada como um eco da questão fundamental do homem. Esta questão é constante e repetidamente alegorizada pela literatura. A modernidade, aqui, pode ser tomada como um grande momento de re-pensar valores, apontando para direções outras que a tradição negava. Banalidade? Desinformação completa? Não parece. Esta pergunta é a responsável pela abertura de um atalho, um recorte, uma rasura nesta folha em branco. Uma página que parece uma boca aberta. A hiância da página em branco metaformoseia-se agora nesta fala que tenta, mais uma vez, suturar uma “falha”. Nesta mesma medida, a Teoria da Literatura pode ser lida como esse texto que se inscreve num espaço desejoso de esclarecimento, de compreensão. Ele é, também, mais uma demanda de amor. Neste sentido, quatro disciplinas podem ser apontadas como os pilares de um edifício: a teoria, a história, a análise e a crítica. Estou apostando na simplicidade didática de um conhecimento pressuposto. Dentre os quatro pilares, destaco o primeiro, mais ousado. A Teoria da Literatura tem se mostrado um grande conjunto de disciplinas afins, que se completam, se interpenetram, questionam-se mutuamente. A continuar acreditando neste “modelo”, é possível afirmar que uma destas disciplinas “segundas” é a Estética da Recepção. E aqui, uma primeira questão aparece: é estética ou teoria da recepção? A terminologia sempre é e será um nó a ser desfeito, pelo menos em projeto, pela Teoria da Literatura. Não é à toa que o discurso é a grande chave de mais esta atitude moderna.

Há que se ressaltar o perigo das palavras; questão outra que não cabe no perímetro traçado neste texto. A proposta aqui se alarga um pouco mais quando se vislumbra, na atualidade – e tome-se este termo em seu sentido mais largo – a articulação de mais uma disciplina igualmente pletora de experiências, ousadias e desejos intelectuais voltados para a literatura. Trata-se da Literatura Comparada. Este alargamento é viabilizado pelo contato com a Psicanálise e a retomada de uma linha de pesquisa específica: o estudo de fontes e influências, devidamente “limpa” de todos os pesos pejorativos que a têm carregado alguns posicionamentos críticos, ditos “modernos”. Estes parecem ser os pontos que delineiam o perímetro de abordagem do texto que se escreve aqui e agora. Qualquer outra especulação, ou possibilidade, fica fora de cogitação, enquanto elemento específico a ser considerado.

Por voltar de 1967, um grupo de investigadores, reunidos sob o nome de “escola de Constança”, publicava uma série de textos que, paradoxalmente, não podem ser classificados de programáticos. Neste sentido, acrescento aqui algumas palavras de Wolfgang Iser, quando faz considerações sobre o texto literário, em seu artigo “Problemas da teoria da literatura atual”. É ele quem diz:

 

o texto literário é um ato intencional dirigido a um certo mundo, o mundo com que ele se relaciona não é repetido, mas experimenta ajustes e coleções (…). A função do texto literário se funda portanto nas maneiras de fazer um balanço de um mundo problemático ou por ele problematizado. (In: LIMA, Luiz Costa. Teoria da literatura em suas fontes. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975. vol. 11. p. 373)

 

Deixando de lado, por ora, as possíveis ligações entre a citação e o texto que se lê, não é sensato abandonar a imensa operacionalidade de uma palavra simples: função. Ela detona um movimento de revisão de certos conceitos, igualmente operacionais, que a Teoria da Recepção propõe para a Teoria da Literatura, como um todo. O momento histórico em que os primeiros textos da Escola de Constança aparecem é de extrema fecundidade. A revisão crítica do estruturalismo já se processava de maneira séria e profunda. Por outro lado, os posicionamentos de uma outra linha de abordagem, a Hermenêutica, apontavam para a renovação criativa do trabalho de investigação literária. Neste sentido, a função emerge como uma questão fundadora de uma “teoria da leitura”. Não é à toa que a recepção literária pode espelhar a modernidade. Ela é a conjunção de linhas de pesquisa que, além de aprimorar os estudos literários, desamarravam-nos do estruturalismo, provocando uma certa ruptura na relação autor x obra. Inaugura-se a outra metade do caminho: obra x leitor. Sabe-se, ainda e muito bem, o peso que esta ruptura carrega – não é metodologicamente como no que diz respeito à ideologia que a ela pode vir a ser articulada. Isto é, também, uma questão de “leitura”.

A leitura não é um movimento linear, progressivo, diz Terry Eagleton. Nesta linha de raciocínio, é mais que necessário afirmar que não se processa uma acumulação de sentidos. Na medida em que se lê, as especulações iniciais acerca do texto lido estabelecem, geram um quadro suficiente de referências para aquele momento da leitura. A interpretação, momento seguinte, acaba por continuar esta sucessão, bem como pode modificar, em retrospectiva, o entendimento da leitura original, da leitura primeira. A partir destes dados, a função do texto literário deixa de ser meramente a semântica. Outros quadrantes serão atingidos. É nesta direção que Regina Zilberman diz:

 

Ler assume hoje um significado tanto literal, sendo, nesse caso, um problema de escola, quanto metafórico, envolvendo a sociedade (ou, ao menos, seus setores mais esclarecidos) que busca encontrar sua identidade pesquisando as manifestações da cultura. (Estética da Recepção e história da literatura. São Paulo: Ática, 1989. p. 16 (Fundamentos, 41).

 

Citada aqui para ilustrar o primeiro passo dado neste atalho, a professora gaúcha acaba apresentando duas outras questões cruciais para a Estética da Recepção: a identidade e a história. Com relação à primeira, é bom que se diga da oportunidade criada pelos estudiosos de Constança, no sentido de abranger os trabalhos historiográficos de determinação ou, ao menos, de delineamento do perfil nacional das mais variadas literaturas. Por outro lado, a questão da história emerge de maneira fulminante: é mais que necessário rever os parâmetros de aproximação entre Literatura e História. Não há porque continuar acreditando na suposição de que a Teoria da Recepção fixaria os limites de importância de tais ou quais obras, consagradas ao púlpito da historiografia literária, de qualquer nacionalidade. Esta seria uma atitude até naïve. Neste sentido, a recepção literária, enquanto “espelhamento” da modernidade, funda-se numa coerência particularmente cara aos estudos literários “modernos”; pois questionam os parâmetros de uma cerca tradição, fundando o estatuto da ruptura como base da “tradição” da modernidade. Tomo, de novo, as palavras de Regina Zilberman, no mesmo trabalho:

 

Oferecer a estética da recepção como um novo figurino ou esperar que ela encontre seguidores e adeptos de alguma outra corrente critica ou filosófica, é não apenas ter uma visão frívola da teoria da literatura (…), significa também colaborar para a alienação e dependência culturais, de que aquela frivolidade é um dos sintomas. (Ibidem, p. 5.)

 

É neste sentido da anti-frivolidade que se faz útil, rentável e instigante ler a contribuição de Jauss, com suas “teses sobre a história”. A Estética da Recepção seria então uma nova teoria da literatura; nova porque ancorada no interminável manancial da “historicidade da arte”. Este é o elemento decisivo para que se possa desejar – sempre e mais – a compreensão do significado da literatura, no conjunto da vida social. Assim, pode-se afirmar, como meta principal da Teoria da Recepção, a reabilitação – constantemente perseguida – da literatura enquanto marca outra desta mesma historicidade. Ainda na grande abrangência da Teoria da Literatura, a Estética da Recepção vem oferecendo um leque de sugestões, variado e competente, instigante e iluminador. Estas se voltam, principalmente, para a História da Literatura. Não deixam de colaborar com a Literatura Comparada e marcam a Crítica Literária. É óbvio que as consequências disso recaem sobre a questão do ensino da literatura: isso é uma outra história…

Mas não é só isso. A Teoria da Recepção, nas palavras de Regina Zilberman (mais uma vez!), apresenta-se como uma teoria em que a investigação muda de foco: do texto, enquanto estrutura imutável, ele passa para o leitor, o “Terceiro Estado”, seguidamente marginalizado, porém não menos importante, já que é condição de vitalidade da literatura enquanto instituição social. Outro desdobramento é vislumbrado aqui. A dupla dinâmica agora é formada pelas noções de estrutura e de leitor. Com relação à primeira, é bom que se diga que existe um relacionamento entre os elementos que constituem a “estrutura” do texto literário. Este relacionamento instaura um certo “procedimento” que possibilita a produção, a construção de um sujeito do texto. Isto porque, nas propostas vindas, inicialmente, de Constança, passou-se a ser verificado um esforço de encontrar um conjunto de “modos de acesso intersubjetivos à literatura”. É a derrocada da imanência do texto literário, tão cara ao estruturalismo, herança perversa de um certo olhar oriundo da fenomenologia husserliana, uma outra censura filosófica.

Num rápido intercurso, Heidegger, leitor de Husserl , trabalha arduamente nesta linha. Motivo pelo qual, num certo sentido, pode compor esta herança fenomenológica da Estética da Recepção. O sentido do texto, contrariamente a este posicionamento, não é dado, aprioristicamente. Os procedimentos do texto literário, neste âmbito da especulação teórico/estética, esclarecem o modo como é produzido seu sentido de conjunto. Há a subliminar aparição do mito do eterno retorno. O sentido, enquanto horizonte final, de expectativa do texto, fica fora de cogitação. Desprovido de relações conjunturais, abstrai-se. E o sentido deste sentido é sua função. Assim é que a modernidade marca mais um ponto, pois é vislumbrada enquanto castração de um percurso narcísico do sujeito leitor que procura um sentido unário para sua existência, em contato com a obra. A imagem virtual que se forma não constitui matéria suficientemente consistente mas re-envia uma representação para outras, sempre possíveis.

Retomando o fio da meada, tentando acompanhar o raciocínio de Iser, em texto anteriormente citado, as estruturas têm o caráter de indicações pelas quais o texto se converte em objeto imaginário, na consistência de seu receptor. Este receptor é o leitor – implícito, preparado, adequado, crítico etc., as denominações são muitas. É o aludido sujeito (e a etimologia não pode ser, aqui, desprezada de forma alguma!). Este sujeito é construído pelo contraste, pela polaridade, pela diferença, pela repetição, pelo paralelismo, pela sinceridade e pela gradação operadas pelo próprio texto. Seria demasiado pensar em alienação, clivagem? É isto que possibilita, paradoxalmente, afastar a compreensão do gosto subjetivo, em favor de uma “consideração objetivável” da literatura. E claro que, no jogo de palavras, o desejo se manifesta, fazendo retornar um recalcado por demais conhecido, e especulado! Este objeto serve a este desejo.

Seguindo estes rastros, não se trata de uma aberração afirmar que os conceitos-chave da Teoria da Literatura deixam de lado sua ingenuidade. Esta ainda é explosiva, desintegradora mesmo, “quando se trata de encontrar um único sentido”, conforme quer Iser. Seria possível, então, perguntar se a Estética da Recepção, no âmbito da Teoria da Literatura, se presta ao papel de instrumento desta busca. O sentido não é o horizonte de expectativa do texto literário, mas apenas dos discursos da Teoria da Literatura e, por consequência, da teoria da Recepção, que agem desta forma para que o texto se torne traduzível. A recepção, neste enquadramento, é muito mais que um processo semântico. É um processo de experimentação de uma configuração do imaginário projetado no texto. Na recepção, produz-se, no leitor, o objeto imaginário do texto. É uma experiência sempre revivida: desejo latente. A recepção está mais próxima da experiência do texto, da experiência do imaginário que este texto projeta, desvela, revela. Não é uma interpretação outra.

Mudado o foco das especulações para o leitor, é bom que se diga, com as palavras de Terry Eagleton, que O leitor abordará a obra com certos “pré-entendimentos “, um vago contexto de crenças e experiências dentro dos quais as várias características da obra serão avaliadas. (Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, s. d. p. 83.)

O leitor é este sujeito desejado na/pela obra. Esta é originalmente “aberta”, mas esta abertura é objeto de gradual eliminação, uma vez que o leitor passa a construir uma hipótese de trabalho, capaz de explicar e fazer coerente o maior número possível de elementos desta mesma obra. Na ambiguidade do termo leitor, a Teoria da Recepção constrói o seu texto. Vai tecendo suas observações e constatações. Inscreve seus desejos e metaforiza suas imagens no écran. A folha de papel é o simulacro da tela branca. Nenhuma leitura é inocente. Por fim, cada texto literário é constituído a partir de um certo sentimento em relação a seu público potencial. Ele inclui a imagem do seu próprio destinatário. Filha (perversa?) da Hermenêutica, a Estética da Recepção desdobra o mito que acentua o caráter de consumição pelo fogo. Hermes diz presente. Passando pela obsessiva metodologia na busca de uma verdade inalcançável – porque feita de palavras – Gadamer também diz presente, algum tempo depois. Adorno contribui, num momento mais adolescente da especulação “recepcionista” – o nome é, em sua natureza, impróprio, pobre, mas muito sintomático – com a negatividade. Aqui, ela poderia levantar uma interlocução com Barthes e a sua noção de desvio. Mais tarde, a Linguística levanta a questão do caráter pragmático da linguagem literária. Denegação? A recepção, nos moldes de Fisch, daria conta de simbolizar a castração imaginária operada pelo texto literário em seu leitor. Novamente, a ambiguidade.

Hoje, depois de passado o momento em que a tradição reinou solene e absoluta como objeto de desejo – Octávio Paz com suas rupturas modelizantes e Hobsbawn com sua fascinada invenção apontam para estas “ruínas” – , os trabalhos da recepção indicam novas direções igualmente questionadoras, inegavelmente sedutoras. Uma: a revisão provocada pelos novos posicionamentos da História, Le Goff e Guinsburg seriam os dois vetores desta inversão molecular na busca de verdades, pulsações de desejo… Outra: a revisão de conceitos caros à Literatura Comparada como o de fontes e influências. Estar-se-ia nadando em águas de um quinto oceano literário, interdisciplinado e rebelde?

No fim, a constatação óbvia: mais um texto se escreveu e se inscreveu. Um texto para ser lido: criando um pequeno horizonte de expectativas, em que a imagem desejada/desejante de um sujeito, de um leitor – em toda a sua ambiguidade – foi projetada. Como será a recepção deste texto que, mesmo não queiram outros leitores, é um texto literário? Ah, a etimologia… No fundo, continuam notáveis, perceptíveis, as pulsações de um desejo, sempre o mesmo desejo. Não é este o estratagema muito caro da “modernidade”?

Índicea

2 respostas para “Tópicos de crítica 4”

  1. 1. Primeira Questão
    Segundo o texto é possível afirmar que a Estética da Recepção pode resolver o problema da crítica moderna, uma vez que “pode espelhar a modernidade”. Ela quebra com os parâmetros pré-estabelecidos, pois retira do autor a posse da obra, transferindo-a para o leitor; aproxima-se da modernidade, historicamente falando, quando questiona os parâmetros da tradição literária.
    A Estética da recepção foca no estudo da literatura através da ótica do leitor, que não sendo tábula rasa, carrega consigo uma bagagem de referências que interferem na leitura. No âmbito do texto, “na recepção, produz-se, no leitor, o objeto imaginário do texto. É uma experiência sempre revivida: desejo latente. A recepção está mais próxima da experiência do texto, da experiência do imaginário que este texto projeta, desvela, revela. Não é uma interpretação outra”.
    Neste contexto, a teoria da recepção seria uma nova Teoria da Literatura, pois para realizar-se necessita de ancoragem de outras disciplinas, como a História da Literatura, a Literatura Comparada, resvalando ainda na Crítica Literária, utilizando como material toda a “historicidade da arte”.

    2. Segunda Questão
    Sim, há no texto a ideia de que a Literatura Comparada resolve alguns problemas de abordagem tanto da Crítica quando da Teoria Literária, pois abarca e alarga o estudo da literatura através de um pensamento voltado para a psicanálise e para a abordagem “de fontes e influências, devidamente ‘limpa’ de todos os pesos pejorativos que a tem carregado alguns posicionamentos críticos, ditos modernos”.
    Ou seja, ao entrar em contato com a Literatura Comparada o pesquisador abre seu leque de possibilidades, já que este campo de estudos possibilita a abordagem de influências vistas como pejorativas em outros campos dos estudos literários.

  2. A estética da recepção não é a única saída para os impasses da crítica, nem hoje, nem em tempo algum. Aliás, nenhuma teoria dará conta de resolver tais impasses, diante do jogo de subjetividades que envolve a crítica literária. Subjetividade do autor, do crítico e, como quer a teoria da recepção, a subjetividade do leitor.
    A literatura Comparada, embora não solucione definitivamente os impasses da crítica, talvez comprove um dia a existência da literatura universal, uma espécie de campo magnético que atrai alguns incautos curiosos e os levam a escrever compulsivamente.
    Sei que as respostas acima na verdade não respondem nada. Confesso que li o texto de manhã e embora tenha tentado formular algo inteligente/inteligível durante o dia, fracassei. O que de certa forma comprova o quão perigoso é enveredar despreparadamente pelos caminhos da crítica literária.

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