Desserviço

A personagem já é, em sua composição, uma caricatura estereotipada:cabelo engomadinho, óculos fashion, roupinhas deslocadas (dada a idade da personagem) – mas o estereótipo é implacável – e o pior: o exagero na entonação vocal e nos gestos. De início, a coisa fica feia pela carga pesada e grossa de preconceito e desdém por uma realidade que, em nada e por nada, se reduz ao que a telinha mostra. Uma pena. Vindo de quem veio, a criação da personagem poderia alçar voo mais alto, quem sabe, com naturalidade mais que conhecida e experimentada. Para completar, o texto é de péssima orientação ideológica. Ao misturar vingancinha fútil com arroubos de militância disfarçada, o tiro sai pela culatra. A bichinha afetada quer porque quer fazer com que o enrustido “saia do armário”. Onde é que está escrito que ele é OBRIGADO a isso? Quem disse que a suprema felicidade é sair anunciando “sou veado”, “gosto de homem” e quejandos??? Isso é militância? É a isso que se chama de “orgulho”? Aliás essa palavrinha anda um tanto desgastada. Junto a outra, tolerância, acaba por fundamentar equívoco semântico, discursivo e ideológico. Basta parar para pensar e deixar que o cérebro funcione para perceber a derrapada. A gente não tem que TOLERAR a natureza. O instinto é congênito ao animal e, portanto, não pode ser rotulado em gêneros que se confundem numa balbúrdia de atalhos “teóricos” que só servem para sedimentar estereótipos e eternizar preconceitos. Mais uma vez, a “vênus platinada”  da mídia perdeu a chance de prestar um serviço decente. Aliás, ela só não, ela e quem escreve para ela… Mas afinal, pode ser que ela nem saiba o que é serviço decente…

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