Diário Coimbrão 2

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E não é que, do nada, eu descubro que, há exatos 14 anos, estive pela primeira vez aqui neste lugar! Sim. Foi em 2000. Eu ainda ficava cismando se o mundo ia mesmo se acabar. O Hotel Meliá é perto de onde estou morando, voltei a alguns lugares que conheci então. Foi para um congresso acerca de Eça de Queiroz. Apresentei um a comunicação. Saí pra tomar vinho do Porto com a Mônica Figueiredo à beira do Mondego. Hoje, o local em que estivemos está mudando. É um parque do tipo desses que andam grassando por aí, estiloso, modernete, mas muito agradável. Da primeira ez, era apenas um conjunto de mesas, ao longo da margem de cá do Mondego. Na margem de lá, o Solar das Lágrimas. Ou a Quinta das Lágrimas. Sempre fico na dúvida. O local é mítico: cenário da execução de Inês de Castro. Sim, ela foi executada pelo então sogro… Coisas de tragédia. Camões eternizou na epopeia, Mário Cláudio reescreveu brilhante, impecável, sublimemente o entrecho. Influência estelar na Literatura Portuguesa. Estava lá, está lá, do outro lado do Mondego. E ainda me emociono.

O Café Briosa, a Livraria Bertrand, o arco de Al Medina (entrada para a “cidade monumental” – tenho que subir aquelas ladeiras a procurar o restaurante em que comi sardinhas com batatas ao murro, mas tenho que me cuidar por conta dos triglicerídeos…). O largo de Santa Cruz, a Câmara Municipal, a igreja e São Tiago de um lado e a de São Bartolomeu do outro. As ruas da “baixa”. Na Rua da Sofia, encontrei o restaurantezinho simpático, de comida deliciosa em que jantei com Ana Paula – não a de agora, a que vai supervisionar meu estágio, mas a outra, a que se foi para a terra de Tio Sam. Quem duvida da cozinha portuguesa não sabe o que é pecar pela gula… e não se sentir culpado, mas feliz, realizado, quase saciado… uma delícia! O restaurante está lá, fechado, por conta das “obras do metro”, diz o cartaz. As vielas medievais da baixa. Ai meu Deus, como não gostar desse lugar de gente simples e acolhedora… e no inverno.

Os dias passam. Já se foram quatro desde que cheguei. A intensidade das recordações vai à enésima potência. A cada curva dos ônibus, a renovação da surpresa de entrever um ângulo conhecido, que ficou na sombra da memória. Mas não é a isto mesmo que se pode chamar e viver?

memórias

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