Diário coimbrão 17

Pode haver algo mais melancólico que andar por uma cidade ainda molhada, com céu cinza, algumas pessoas vagando aqui e ali, subindo ladeiras medievais ao som de um fado que mais parece uma balada romântica, daquelas que fazem chorar? Pois é… Depois de dois dias de chuvas intermitentes, de vento, e uma pequena queda na temperatura (aqui, já se sabe, os termômetros sobem dois ou três graus… é chuva!). No inverno, é batata. Salve Nelson Rodrigues.

Subindo a ladeira monumetal

A camponesa no meio do caminho da Sé velha é minha velha conhecida. Em 1998, quando cá estive por primeira vez, foi bem atrás dela que comi um peixe com batatas ao murro que só encontraria igual em Lisboa. Num restaurante que não mais está na Avenida Liberdade. Subindo esta ladeira, chega-se à Sé Velha. Um prédio localizado bem no meio da cidade monumental, medieval, lavada pelas chuvas invernais, o que faz com a temperatura do claustro fosse quase a “original” e a aparência amarelada de suas paredes deixasse escorrer todas as fantasmagorias que aquelas paredes ancestrais já presenciaram. Como no adagiário popular, se aquelas paredes falassem… Séculos incrustados no mofo, no cimento, na cantaria…

A entradaA fachadaA personalidade do lugarAltar do SantíssimoA camponesa e euAltar morClaustro da Sé velha 1Claustro da Sé velha 2Túmulo de D. Sesnando

A cidade monumental tem cheiro de fado. E logo depois do arco de Almedina, vê-se uma escultura interessante. Uma viola (instrumento genético do fado), transformada em mulher. Alguns versos, a placa indicando a homenagem da Comunidade de Coimbra e o som do fado ao fundo… Como eu disse, numa cidade medieval, lavada pela chuva, varrida pela brisa fria do inverno, debaixo de um céu acinzentado, pálido, quase morto – não fosse a certeza do azul acima, brilhando de sol – é o retrato da melancolia. Do tipo que faz a gente andar sem rumo, pensando, lembrando, sorvendo adocicadamente cada segundo, como se fosse água quente no chuveiro antes de se jogar nos braços de Morfeu.

EsculturaPlacaVersos 1Versos 2

Por fim, uma correção. Faz dias coloquei aqui uma postagem reclamando do funcionário da SMTUC, por conta de não me deixar saltar no meio da subida do elevador para visitar a Torre do Anto. Eu estava enganado. Aquela não era “a” torre. Hoje visite-a. Por fora, bem entendido. Está fechada para restauração e instalação do Museu da viola do fado. Mas fui lá. Desfeito o equívoco, ficou a experiência de passar a mão pelas paredes de um lugar em que viveram os dois “amigos”, António Nobre e Alberto de Oliveira. Repito as aspas que já vi alhures, quando de referência aos dois. Mera repetição. Um lugar mágico… para mim. A vista é deslumbrante, claro, imaginando o cenário sem o casario “muderno” e a geringonça a que dão o nome de Forum Coimbra, um centro de compras… para ser nacionalista e não deixar de ser chato…

A torre do AntoSobre a Torre do AntoVista

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2 comentários sobre “Diário coimbrão 17

  1. Penso que o mais emocionante de tudo isso é você imaginar quantas e quais pessoas fizeram o mesmo périplo que você faz hoje, se se amavam ou se odiavam, se eram importantes ou só gente do povo, se o local foi palco de algum evento importante…
    É como “entrar” na história, “viajar” no tempo, não á mesmo? Muita emoção! Aproveite muito, aproveite tudo. Beijinhos, Angel Face

  2. Pois olhe que tentei responder a este comentário diretamente do Widows mail… parece que não deu certo! Mais uma vez, adorei sua entrada. Fico sempre a dever uma visita a seu blogue. beijinho

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