Diário coimbrão 18

Subtítulo: “pequenos nadas quotidianos”

Esta expressão não é minha. está num livro de Mário Cláudio (escritor que ando a descobrir em terras portuguesas, bem perto de sua cidade de residência (Porto): Coimbra. Ana Paula Arnaut, que supervisiona meu estágio pós-doutoral (a expressão tem um ar de glamour e de chic…) conseguiu que eu, mal chegado a Coimbra fosse ter com ele e reproduz esta frase num artigo que sobre a obra dele escreveu. Copio a frase, porque me diz muito. Muito mais ainda quando penso nos dias que correm em meio à chuva, ao vento, ao frio, ao cinzento charme dessa cidade que envolve em colinas suaves… cortadas pelo Mondego, sim, o do Solar das Lágrimas… Inês de Castro que o diga…

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Estou mais aliviado. Enviei o relatório parcial para o departamento em que trabalho. É quase certo que ninguém vai ler aquilo. Se alguém o lesse, sem falsa modéstia, penso que poderia até se divertir. Eu me diverti muito, sobretudo escrevendo as notas de rodapé, imensas, numerosíssimas, contrariando alguns princípios meus de escrita. Neste caso, valeu a pena. Nelas está o meu jeito de pensar, certa dose de sarcasmo e um pouco de veneno misturado à pretensa acuidade. Eu, se fosse leito, iria me divertir com as notas. Confesso: é mesmo o que vale a pena, para além do artigo que me deu prazer escrever…Estou tão aliviado que faz três dias que saio de casa sem relógio e só me dou conta disso no fim do dia. Nada como um bom afastamento para colaborar no restabelecimento de certa paz de espírito. Ela leu o artigo que escrevi e… gostou. Disse para eu expandi-lo e fazer com que seja parte do livro que tenciono escrever. Também gostou da outra ideia que tive, mas esta… bem… vai ficar guardadinha na gaveta… Depois que sair, ela será revelada.

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Estou a ler um livro interessantíssimo: A desumanização, do Valter Hugo Mãe, escritor português… claro! Deslocado cronológica e geograficamente, ele escreve uma história em primeira pessoa, dando voz a um narrador infantil, uma menina, gêmea, que perde sua irmã logo na primeira linha do romance. Daí segue “alucinando” esta morte pelos fiordes noruegueses, onde se passa a “ação”. Ultimamente tenho lido (tenho a impressão de já ter dito isso antes, alhures) livros que são escritos sem “ação” alguma. A impressão que me dá é de certo cansaço. Mas é só impressão. Basta escutar uma hora e meia de alguém falando sobre Garrett, em minúcia, com uma segurança invejável, que essa impressão fica assim… acinzentada. estou a falar de Dra. Ofélia Paiva Monteiro, professora Jubilada da FLUC. Uma delícia…

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Agora, só domingo. Vou a Lisboa amanhã e fico por lá, com amigos queridos.

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2 comentários sobre “Diário coimbrão 18

  1. Vai a Lisboa ver amigos queridos e fará uma palestra na Academia Ex-Libris! Não é, definitivamente, um “pequeno nada cotidiano”… Por favor, envie para mim o artigo. Não pertenço ao seu departamento, irei me divertir muito, tenho certeza. Boa estada em Lisbon! Beijinho, Angel Face

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