Diário coimbrão 24

Subtítulo: banais prazeres Parece coisa combinada. Depois de um agradável almoço com Carlos Reis numa churrascaria local – chama-se Gauchão, mas os atendentes vieram de todas as partes do Brasil e o conceito de rodízio é um tanto peculiar…  – algo aconteceu, inesperadamente. Mas o almoço foi agradável. Carlos Reis é um conversador nato, tem bagagem, é viajado, lido, charmoso e muito educado. É sempre um prazer estar com ele. Pois depois desse almoço, sentei-me à mesa do gabinete na FLUC e comecei a escrever. Terminei, sem dar por mim, a comunicação a ler no Congresso 100 anos Orpheu, em Lisboa no mês que vem. Cinco dias na capital portuguesa de novo… uma delícia, mais uma vez! Não sei o que deu em mim. Escrevi, escrevi, escrevi e não dei pela passagem das horas… Eram seis da tarde quando me dei conta… Texto pronto. Esse é um dos banais prazeres que gosto de gozar… Ainda mais quando acontecem assim, intempestivamente, sem aviso prévio, quase magicamente…! sem nome Há certa tendência entre os homens da cidade, principalmente os que estão na faixa entre os 30 e os 40, que é a mesmo que notei em Zagreb, há alguns anos. Raspar a cabeça. Não só isso, mas raspar a cabeça e ter atitude de bad boy. Parece um ícone de masculinidade afirmada ou por afirmar. Assim como fazer cara feia, andar com as mãos dentro do bolso, ficar em pé com as pernas bem plantadas no chão e bem abertas. Todo um conjunto de signos corporais que conformam uma linguagem a meu ver, ridículo, pra não dizer lamentável. Que o charme de uma cabeça raspada tem seu lugar, não se pode negar (ops… uma rima!). Mas daí a utilizar este elemento como cifra de uma linguagem atonitamente ansiosa, pra não dizer obsessiva… Mas sou um chato. imagesRV7Z46FI Enquanto isso, desde quinta-feira, chove e venta e faz frio nesta cidade que já úmida por natureza. Os miasmas e as bazófias do Mondego, os mesmos elementos que devem ter atormentado o espírito de António Nobre, continuam aqui. A natureza não nega seu ciclo. Se não me engano neste final de semana a lua passou de crescente para cheia. E é sempre assim. Ou será mera coincidência de que me dou conta à borda de minha chatice? images6ITCVYDI

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s