Diário coimbrão 33

Subtítulo: agradáveis surpresas

Ofélia. Nome shakespeariano. Nome de uma cozinheira famosa de São Paulo, uma das primeiras a ter um programa de televisão só seu (Quem é mesmo ana maria brega?). Também foi o nome de uma personagem de programa humorístico, a mulher do Fernandinho, vivida pela saudosamente querida Sônia Mamede. Ofélia Pinheiro de Castro Rocha Azevedo Brandão. Nome mais que nobre. Quase um nome de rainha. Que mulher interessante! Que mulher inteligente! Que mulher simpática e generosa! Ela vai ter um agradecimento especial no meu trabalho de conclusão do pós-doutoramento, da tese que vou escrever para passar a titular e do livro que pretendo publicar. Ah… vai sim! Com toda a paciência do mundo, conseguiu-me duas caixas de papéis registradas sob a rubrica “correspondência”  no acervo da Biblioteca Pública Municipal Florbela Espanca de Matosinhos. Um prédio moderníssimo, construído sobre um espelho d’água, em linhas retas e revestimento liso e claro, quase branco, no meio de uma esplanada imensa, bem atrás da Câmara Municipal de Matosinhos. Ajudou-me a calçar as luvas cirúrgicas que se rasgaram à toa. Ficou de vigia ao lado da mesa em que trabalhei – afinal, como ela mesma disse, “são papéis pessoais originais”. Por isso o meu espanto em ser atendido apenas identificando-me como pós-doutorando da Universidade de Coimbra. Por isso minha gratidão, por ter me acompanhado nas quase três horas em que fiquei de butuca nos tais papéis. Nenhuma novidade. Com emoção, pus minhas retinas cansadas e preguiçosas sobre a carta original de Alberto de Oliveira, escrita quando do rompimento da amizade com António Nobre. Este escreveu uma carta ríspida, quase mal educada, que recebeu resposta polida e carinhosa de Alberto. Foi esta carta que manuseei. Pela primeira vez, em minha vida faço isso: manusear um papel original. Que letra encantadora – só nesta carta, nas demais que compulsei nesses dias a ortografia variava muito, em função, inclusive, da idade do missivista. Mas vi a carta. A tal do rompimento que, até agora, não encontrou explicação plausível e/ou publicável. No meio de tudo, por generosidade de Ofélia, um maço de cartas de um tal de Adolpho (…) Ramires. O sobrenome do meio eu não consegui identificar – não fiz curso de paleografia. Esse sabia das coisas. O maço é composto de cartas endereçadas a António Nobre. Não me lembro de ter visto qualquer referência a ele nas leituras que fiz. Vou verificar. Caso seja mesmo desconhecido, vale o esforço de um projeto para uma bolsa de três meses aqui em Matosinhos… O tal de Adolpho acompanhou de perto as peripécias da amizade entre António Nobre e Alberto de Oliveira. Sucesso!

De quebra, uma (re)visita ao Porto e seus encantos. A descoberta da casa com menos de um metro de largura. Segundo a narração no Yellow bus, ela foi construída por força de antiga legislação eclesiástica que proibia duas igrejas de partilharem a mesma parede… Pode?! Uma das fotos abaixo mostra a danada! Andei de teleférico – coisa que não existia quando aqui estive em 1998. Revisitei a Sé e a Igreja de Santo Ildefonso – onde Alberto de Oliveira foi batizado. Voltei à torre dos clérigos e conheci a Livraria Lello – um deslumbramento. Fiquei observando o velhinho que observava a vida na praça e dei uma moeda e 1 € a um trompetista que tocava solitário para a desatenção geral dos transeuntes em plena Praça da República, no ponto mais baixo da Avenida dos Aliados, coração da cidade do Porto. Não repeti o circuito das caves de vinho do Porto, mas refiz a caminhada da praça da República até Vila Nova de Gaia, passando pela Ribeira e atravessando a ponto Luis I a pé seco… Quando aqui estive era só assim e de carro. Hoje já passa o metro (assim mesmo, sem acento aqui) do Porto. Que cidades encantadoras, mais que encantadoras, charmosíssimas: responsáveis pela maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo!

Bem haja!

A casa estreitaA cidade por detrás 1A cidade por detrás 2A SéA torre dos clérigosAi, os azulejosNa LelloNo teleféricoO Douro 1O Douro 2O guardião da SéO melhor café é o da brasileiraO Porto visto de GaiaO trompetistaO velhinhoOcasoSanto IldefonsoVista da Sé 1Vista da Sé 2Vista do teleférico 1Vista do teleférico 2Yellow 1Yellow 2

Em Matosinhos, hoje, fui conhecer a igreja do Senhor de Matosinhos. Ainda sob o impacto do pôr do sol sobre o Atlântico no final da tarde de ontem. Coisa muito parecida com sua similar de Congonhas com algumas diferenças: não está numa colina, mas numa esplanada. Tem um jardim imenso na frente, hoje meio desertificado – estamos no final do Inverno por aqui. Há seis capelas laterias com passagens da Via Crucis, não toda ela. As esculturas deixam muito a desejar em relação às do Aleijadinho, insuperável. O altar principal me impressionou tanto que o fotografei: ouro puro. Muito parecido como da igreja de Santo Antônio, no centro de Recife… Ouro do Brasil.

AtlânticoÉ tudo ouro!Senhor de Matosinhos

Anúncios

4 comentários sobre “Diário coimbrão 33

  1. Não me enviam o código de verificação que tenho que pedir toda santa vez para comentar. Comento aqui.

    Uau! Que viagem! Rica de conteúdo acadêmico, de emoções com apalavra escrita e de passeios des*lum*bran*tes! Isso mesmo, aproveitando muito, aproveitando tudo. Vamos ter muito “tricô” para sua volta… Hein? Beijinho, Angel Face.

  2. Uai… Seu comentário aparece no blogue, como se nada tivesse impedido! Tudo bem por aí? A conexão não esteve essas coisas na semana passada… Espero que esteja tudo a correr bem, dentro do possível e sem o incômodo do calorão que, a essa altura, deve estar passando Aqui está gostoso. Apesar de muito vento (mar aberto) a temperatura está mais agradável e a vista… deslumbrante. Viu como o tempo passou rápido? Falta pouco mais de um mês para o meu retorno… Bom final de semana, dear! beijinho

  3. Fico feliz em ver que fez uma conciliação além de precisa, entre conteudos acadêmicos autenticados, (perfeito) e satisfação pessoal. Passeio muito legal! Quando estive em minas tive o prazer de ver as obras de aleijadinho e aquelas extasiantes igrejas… pena la nao poder tirar fotos, dizem que o flash estraga a pintura. ¬¬)
    Pela foto, essas igrejas aí o que mais atrai a vista é o ouro e nao a arte, que nao deixa de ter seu valor 😉

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s