Diário coimbrão 34

O périplo pelas “origens” está chegando à sua conclusão. As origens não são minhas, mas da história de amor entre António Nobre e Alberto de Oliveira. Por que é tão difícil a aceitação desse fato: os dois viveram uma história de amor? A cidade de Leça da Palmeira, onde eu estive hoje pela manhã, é testemunha disso. Não apenas testemunha, mas cúmplice, deu aos dois o nome de uma de suas ruas: Rua dos dois amigos. Em todas as placas, abaixo do nome da rua, segue o nome dos dois: António Nobre e Alberto de Oliveira. Nesta ordem. O mais velho e o mais novo. O sedutor e o seduzido. O mestre/exemplo, o discípulo/seguidor. O espevitado e o tímido. O que morreu cedo e o que morreu mais velho… Os dois… Têm uma rua. Amaram-se, com um afeto de amizade ao qual não se ousava dar nome, mas a cidade reconheceu. E ainda há quem torça o nariz…

Rua dos dois amigos de frenteRua dos dois amigos direitaRua dos dois amigos esquerdaRua dos dois amigos

A matriz da cidade lembra a de Matosinhos. Não tem as capelas com as cenas da Via Crucis por fora, mas está no meio de uma bela esplanada, arborizada e fresca, como o nome de outra ruazinha perdida no centro da cidade mítica… pra mim! Não a fotografei por dentro por puro constrangimento: celebrava-se missa de corpo presente. Muito ouro aqui também, mas só no altar mor…

Rua fresca     Igreja de Leça, antiga Igreja de S. Miguel de Moroça

A antiga casa de veraneio dos dois poetas não existe mais. Segundo informações, hoje está edificada em seu lugar a sede do “Clube Stella Maris” que foi inaugurado a 25 de Novembro de 1961 e  é uma criação do “APOSTOLADO DO MAR” – Obra Internacional Pontifícia da Igreja Católica, com o objetivo de dar assistência social, moral e espiritual aos tripulantes e suas famílias pertencentes às marinhas de comércio e de guerra que demandam o porto de Leixões. Depende hierarquicamente do Bispo da Diocese do Porto e da “Comissão Pontifícia para a Pastoral das Migrações e Turismo” da Santa Sé. Pelas indicações que segui a pé, metro por metro, toda aquela área foi aterrada para a expansão da cidade, plana, aberta, arborizada, e à beira mar. Um convite a todo sonho de fantasia, sonho e paixão…

Busto de Augusto NobreCasarão antigoTravessa dos dois amigosUma casinha antiga

A cidade tem como Corpo Santo, o nome de seu cemitério. É bem próxima de porto de Leixões, um dos mais movimentados em carga da Europa. O maior da “terrinha”. Uma gente simples e, pra variar, majoritariamente mais velha… Há uma travessa com o mesmo nome da rua mítica. Possivelmente, o caminho que levava os dois amigos aos “banhos” e aos passeios de barco, no verão. Casarões antigos e casinhas perdidas no tempo. E, claro, um busto de António Nobre!

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