Diário coimbrão 47

Subtítulo: cerimônia do adeus 2

Engraçado… Faz alguns dias tenho visto alguns filmes pela internete (a televisão está queimada desde Março) que me fazem pensar no tempo que assa, nas amzades, no fato de estar voltando… Fora as coincidências de filmes que tratam de idade que chega e o tempo que passa vi hoje um filme, mais um, que faz pensar… positivamente. Um filme que leva a balanços infindáveis da existência, sem o jogo perverso do maniqueísta perdas e danos… Isso não importa. Neste sentido, as parábolas falam mais que as imagens visualizadas, de acordo com estéticas previamente determinadas e, por isso, já tão contaminadas que se tornam espessas a qualquer volatilidade do sonho, do desejo, da alegria, da possibilidade. The giver (Parece que tradução do título em Português ficou: O doador de memórias) é o nome do filme. Meryl Streep, Jeff Bridges e o gatíssimo Brenton Thwaites fazem o “TRIÂNGULO” (quem chegar a ver o filme vai entender porque o triângulo aqui está em caixa alta, negrito, itálico e entre aspas!) que conduz a parábola sobre verdade e mentira, sentimentos, experiências, memórias, futuro e passado, etc., etc., etc. De alguma forma, em alguma medida, o filme toca em assuntos comuns a Elysium, outro filme-parábola que narra história semelhantemente baseada nas possibilidades de “solução” para impasses vividos no planeta e sua relação com a humanidade. Barbarella (mais tempo atrás) e Admirável mundo novo, filme baseado em romance homônimo, também perfazem o mesmo percurso discursivo. Por outro lado, O doador (tradução livre… possível) também pode ser “lido” como romance de formação. A personagem central, ponto de fuga da narrativa, vivido por Brenton Thwaites, é o elemento que respalda essa assertiva. É sua a formação como sujeito, na individualidade de quem quebra, ainda que inconscientemente, as regras para transforma-las em grilhões que o aprisionavam a essa falsa subjetividade. Alguém que se descobre, na medida em que vai se construindo. Alguém que se desconhece na medida em que vai experimentando. Alguém para quem a amizade é mais, muito mais, que uma ideia, uma palavra, um conceito, um sentimento. Os lacanianos podem vir a gostar dessa efeméride. De um jeito ou de outro, vale a pena ver o filme.

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O subtítulo se justifica porque hoje foi o almoço com três criaturas que conheci aqui e de quem aprendi a gostar: Aldinida e Natália (e seu filho Ricardo). O almoço de despedida, claro, não podia ser de outra forma, foi na Tasquinha da Paulita, com direito a abraços, beijos, votos trocados, olhos marejados, voz embargada e uma garrafa de vinho de presente. Nada disso tem preço. E não estou a fazer propaganda de cartão de crédito…

Aldinida, Natália e RicardoPaulita, Manoel e eu

Faltam cinco dias!

Diário coimbrão 46

No fim, tudo dá certo. Se não deu certo é porque ainda não é o fim.

Com esta frase, mais ou menos literal, a personagem de Judy Dench (esplendorosa, como sempre) termina o filme The best exotic Marigold hotel. Uma delícia de filme passado na Índia. Uma delícia! Um libelo a favor da melhor forma de aproveitar a vida depois dos 60. O homem que vai em busca do reencontro do amor de sua vida (Tom Wilkinson), que deixou no passado depois de um escândalo moral e descobre que seu amigo jamais deixou de ama-lo e que, com a mais absoluta sinceridade, contou tudo à mulher com quem se casou. Tal sinceridade leva a personagem vivida por Judy Dench a rever o sentido do casamento (depois de enviuvar) e ceder à oportunidade de um novo romance com um companheiro de viagem (Bill Nighy) que, por sua vez, vive a crise de um casamento a que se sempre foi leal e ao qual sempre tratou com amabilidade, apesar do rancor, da negatividade de sua esposa (Penelope Wilton). O jovem gerente do hotel (Dev Patel), na verdade o dono, por herança, do empreendimento, vence a resistência e enfrenta a mãe que quer se desfazer do empreendimento e obrigar o filho a viver com ela em Nova Deli e a fazer um casamento de conveniência. O solteirão desajeitado (Ronald Pickup) que ferve de desejo, mas que sempre se achou impotente e incompetente com as mulheres: no final, encontra uma companheira e com ela revive seus “momentos de alegria”. E a solteirona (Celia Imrie) por opção (“Não minha opção”, diz ela) que resolve investir em seus próprios encantos, uma vez mais. Pode-se dizer que se trata de uma comédia romântica, sem “romance”, no sentido mais estreito do termo. Essa comédia conta com uma atriz que dispensa comentários: Maggie Smith, fazendo a solteirona que trabalhou como governanta e que, depois de ensinar tudo o que era importante sobre a família a quem dedicou a maior parte de sua vida àquela que viria a ser sua ajudante, é dispensada. Amargurada, é ela que acaba por “costurar”, com sua experiência – a travessia da amargura e do rancor em direção à generosidade e à fraternidade – as micro narrativas de que se compõe a “história do filme. Uma delícia de filme, com interpretações impecáveis, o colorido luxuriante da Índia, a dose adequada de dramaticidade a envolver as personagens e a trilha sonora delicada e agradável. Uma experiência que me surpreendeu nessa tarde cinza (depois do susto do Aldo indo parar na emergência, noite passada) e molhada em Coimbra, em mais um dia desta cerimônia do adeus… Chuvas em Abril, águas mil, é como dizem por aqui, na Península.

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Faltam só sete dias! E passam dos 20000 os que já passaram os olhos por meu blogue: bem haja!

Diário coimbrão 45

Subtítulo: a hora que chega

Pois é… Os cento e oitenta dias estão se esvaindo. Faltam apenas 8 deles. Ontem, jantando com Ana Paula em sua casa (a gente morre de rir quando eu a chamo de minha supervisora), comentei isso. Como passou rápido. Quantas coisas eu vi, senti, pensei, fiz, deixei de fazer… Quantas pessoas e lugares conheci. Uma experiência como tantas outras que vão ficar marcadas indelevelmente ainda que um dia (esse dia chega e a gente não pode evitar) eu não me lembre de muita dessas coisas…

Fazendo um pouco de hora, percorri as páginas mais inusitadas da internete e me deparei com uma série de videoclipes de Maria Bethânia. Dentre eles, um me chamou particularmente a atenção. Ela declama um poema, com todas as suas idiossincrasias de atriz (quase mais atriz que cantatriz) e, no final, diz: “Carlos Drummond de Andrade, 1977”. Fui à busca e aí está ele. Falar de atualidade, nesse caso, é chover no molhado. Ensopem-se!

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Águas e Mágoas do Rio São Francisco

Está secando o velho Chico.
Está mirrando, está morrendo.
Já não quer saber de lanchas-ônibus
nem de chatas e seus empurradores.
Cansou-se de gaiolas e literatura encomiástica e mostra o leito pobre,
as pedras, as areias desoladas
onde nenhum minhocão
ou cachorrinha-d’água,
cativados a nacos de fumo forte,
restam para semente
de contos fabulosos e assustados.

Ei, velho Chico, deixas teus barqueiros
e barranqueiros na pior?
Recusas frete em Pirapora
e ir levando pro Norte as alegrias?
Negas teus surubins,
teus mitos e dourados,
teus postais alucinantes de crepúsculo
à gula dos turistas?
Ou é apenas seca de junho-julho
para descanso
e volta mais barrenta na explosão
da chuva gorda?

Já te estranham, meu Chico. Desta vez,
encolheste demais. O cemitério
de barcos encalhados se desdobra
na lama que deixaste. O fio d’água
(ou lágrimas?) escorre
entre carcaças novas: é brinquedo
de curumins, os únicos navios
que aceitas transportar com desenfado.
Mulheres quebram pedra
no pátio ressequido
que foi teu leito e esboça teu fantasma.

Não escutas, ó Chico, as rezas músicas
dos fiéis que em procissão
imploram chuva?
São amigos que te querem,
companheiros que carecem
de teu deslizar sem pressa
(tão suave que corrias, embora tão artioso
que muitas vezes tiravas
a terra de um lado e a punhas
mais adiante, de moleque).
É gente que vai murchando
em frente à lavoura morta
e ao esqueleto do gado,
por entre portos de lenha
e comercinhos decrépitos;
a dura gente sofrida
que carregas (carregavas)
no teu lombo de água turva
mas afinal água santa,
meu rio, amigo roteiro
de Pirapora a Juazeiro.
Responde, Chico, responde!

Não vem resposta de Chico,
e vai sumindo seu rastro
como rastro da viola
se esgarça no vão do vento.
E na secura da terra
e no barro que ele deixa
onde Martius viu seu reino,
na carranca dos remeiros
(memória de outras carrancas,
há muito peças de living),
nas tortas margens que o homem
não soube retificar
(não soube ou não quis? paciência),
de pontes sobre o vazio,
na negra ausência de verde,
no sacrifício das árvores
cortadas, carbonizadas,
no azul, que virou fumaça,
nas araras capturadas
que não mandam mais seus guinchos
à paisagem de seca
(onde o tapete de finas gramíneas,
dos viajantes antigos?),
no chão deserto, na fome
dos subnutridos nus,
não colho qualquer resposta,
nada fala, nada conta
das tristuras e renúncias,
dos desencantos, dos males,
das ofensas, das rapinas
que no giro de três séculos
fazem secar e morrer
a flor de água de um rio.

Carlos Drummond de Andrade, “Discurso de Primavera e Algumas Sombras” – 1978

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Diário coimbrão 44

Subtítulo: estertores

Não faço ideia de quanto tempo faz que comecei a gostar desta palavra: estertor. Gosto de usá-la no plural, em sentido figurado. Seu sentido dicionarizado não é dos mais simpáticos: s.m. Medicina, ronqueira da respiração dos moribundos; agonia. Ronquidão característica das pessoas que sofrem de certas moléstias do aparelho respiratório. O sentido figurado me leva a pensar em infinito, em insatisfação, mas não com a agravante patológica. Muito mais no sentido de duração, de longa duração. Vai entender…

O estertor de minha estada em Coimbra faz-se sentir. Não mais os dias friamente úmidos e ventosos, com céu acinzentado, quase branco, pálido, e os miasmas do Mondego a rondar as colinas desta cidade mais que centenária, melancólica… Tristeza ou (já) saudade? Medo, apreensão, desejo? Que será? Fugaz como o raio de sol que agora, só agora, quase na hora de ir embora, bate na janela da sala, passou o tempo. Pensei que jamais voltaria a sentir calor, mas o calor já se faz sentir, ainda que a temperatura, de repente (não mais que de repente) baixe e a sensação de frio volta, menos intensa… Seis meses… Faltam apenas 11 dias para voltar e parece que cheguei anteontem. Lugar comum… Mas já se foram o Natal e o Réveillon, com Ana Paula, família e amigos. Lá se foi a Espanha, Évora, o Porto, Matosinhos e Leça da Palmeira: a Rua fresca, a Rua dos dois amigos, Dom peixe, a Biblioteca Florbela Espanca.

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É assim, as pessoas e a coisas estão aí, espalhadas, em estado de espera do encontro. O “acaso” trata de juntá-las ou separá-las. Depende de ninguém não… Esse mesmo acaso tem outros nomes: destino, fado, sorte, circunstância, oportunidade. Vai saber…

Diário coimbrão 43

Da primeira vez, o tanque de gasolina da “Brasília” – que não era amarela – estava vazio no final da noite, quando da volta pra casa. Depois, foi o dinheiro, que a Ivone levou, mais ou menos um ano depois de ter começado a trabalhar ali. Depois, foi a vez de não sei quem levar todos os cd’s y otras cositas mas. Por duas vezes, na cobertura, o mão leve entrou e fez a festa. Da mesma forma, na segunda cobertura, mais um larápio foi ajudado pela faxineira do prédio. Agora, foram dois saloios, no meio da crise lusitana, que encenaram bem e me levaram a carteira: dinheiro, cartões de crédito, identidade universitária, cartão da TAP e da Accord, cartões de visitas de gente que aqui conheci, cartões de supermercado, passe de transporte urbano. Uma vergonha. Ai que tristeza, ai que raiva. Mas, como diz o adagiário popular, vão-se os anéis, ficam os dedos. Sim, foi comigo. Sim, fui assaltado de novo. Sim… E eu diria: dinheiro vai, dinheiro vem…

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Tinha pensando em dar continuidade à tentativa de exarar o que se passou comigo em Sevilha. Isso ainda vai render. Mas o assalto tirou o meu chão. Fiquei assim, vazio, raso, impotente, como a gente fica em situações similares. Deixo a Macarena e seus encantos para outra oportunidade. Quem sabe depois de amanhã. Sim, depois, pois amanhã tenho um jantar de despedida com minha supervisora e amiga, Ana Paula. Sim, despedida. A contagem regressiva acelerou seu passo e o retorno já se divisa na esquina do tempo. Faltam 17 dias.

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Diário Coimbrão 42

Subtítulo: passagem sevilhana

Fui injusto. Fui muito injusto na última postagem. Fiz uma comparação entre as procissões dos “pasos de cruz y de palio”, em Sevilha e o desfile de escolas de samba no Rio de Janeiro. Injustiça inaceitável. Injustiça que eu cometi e que considero inaceitável. Injustiça sim. Injustiça contra a procissão espanhola. Não há termo de comparação, de fato. Existe similaridade no que diz respeito à estruturação do ritual. Os lugares, as funções, o desenrolar, a dinâmica, a organicidade de tudo. Mas não há como comparar uma coisa que faz milhares de pessoas ficarem em absoluto silêncio, mesmerizadas, e outra coisa que provoca os sentidos e a gritaria por conta do possível prêmio que a agremiação pode ganhar mais adiante. O título, a celebridade momentânea, fugaz, quase inexistente para não dizer absolutamente inexistente. Não. Não há comparação. Por isso fui injusto. Reconheço, fui injusto. O carnaval e seu desfile têm seu lugar, mas estão a anos luz de distância em relação à “la madrugá” sevilhana. Anos luz.

(Aqui eu queria colocar um pequeno videoclipe que eu fiz de uma das procissões, mas o youtube tornou esse projeto inexequível. Quem tiver muita curiosidade, pode consultar o doutor google, escrevendo “semana santa Sevilha” e muitas opções vão aparecer. Vou tentar colocá-lo em minha página do Facebook, tal foi a impressão que me causou, o silêncio. Por sinal, o mesmo nome da fraternidade. Uma das que passa sem a tradicional marcha e só com o “paso de cruz” – a alegoria que mostra uma passagem da paixão de Cristo ou nela baseada e antecede a passagem do “paso de palio” – com uma denominação de Nossa Senhora). Na foto abaixo, vê-se um “paso de palio” de uma das fraternidades.

Montesión 5

As pessoas, simpáticas e calorosas, da cidade, recebem você com muita alegria e hospitalidade. Respondem às perguntas sempre com um sorriso ou, no mínimo, com uma expressão de aceitação e paciência, procurando dar todos os detalhes para a resposta ser o mais completa possível. Na tarde que antecede a “madrugá” (este é o nome que dão à passagem das fraternidades na noite de quinta-feira santa para a sexta-feira da paixão), as pessoas “se arrumam”. Algumas mulheres trajam preto e usam os famosos pentes e lenços sevilhanos, em respeito à austeridade da semana santa e da noite que vão passar acompanhando as procissões. Ficar, à tarde, sentado nas cercanias da “carrera oficial” – este é o nome da “passarela” por onde passam as “hermandades” – é um exercício de deleite e alegria. Aprende-se “um monte” observando e perguntando.

Instantâneos 1Instantâneos 3Sevillanas e euTrês sevillanas

Mas uma das coisas que mais me impressionaram foi saber de alguns detalhes sobre “los costaleros”. Esta expressão identifica os sujeitos que carregam, literalmente, nos ombros, os “pasos”. O número deles varia de uma agremiação para a outra: depende das dimensões do “paso”, do número de elementos alegóricos que ele contém. O da Macarena – a mais popular e querida e admirada por “los sevillanos” – precisa de 36 homens. O treinamento é intenso. O sofrimento enorme e dignificante do que eles chamam de “estación de penitencia”. O calor, o esforço físico, o trajeto longo são elementos desta tradição que atrai muitos homens. Há clínicas de fisioterapia e tratamentos específicos para a preparação/recuperação desses homens. Uma lição.

Las cigarreras 2Costaleros 1Costaleros 2

Vou falar mais sobre a Macarena depois, em outra postagem. Mesmo tendo passado quase uma semana desta experiência inenarrável, ainda não encontro palavras para descrever o que se passou ali, na “madrugá” naquelas quase 14 horas em que fiquei em pé, sem beber nada, sem comer nada. Fruindo intensamente cada minuto. As fotos (aqui) e os vídeos (no Facebook, se eu conseguir…) são o registro da visualidade desta experiência. Os outros aspectos dela escapam a qualquer possibilidade de expressão. De fato, são registros absolutamente amadores, em toda a ambiguidade semântica do termo. Quem quiser “profissionalismo” procure o dr. google.

Diário coimbrão 41

Tenho a impressão de que, pela primeira vez na vida, cheguei perto de experimentar o que é a agorafobia. Sabe-se lá o que é se sentir absolutamente preso no meio de gente absolutamente desconhecida, falando uma língua conhecida, mas com um sotaque muito particular que faz com que as vezes mais pareçam estalidos estranhos. O pior: estar o meio disso sem a menor chance de se movimentar, de se sentar ou de qualquer outra coisa… Foi isso o que se passou comigo na noite de ontem (quinta) para hoje (sexta – já no fim aqui em Sevilha), durante a “Madrugá”. É assim que os “andaluces” chamam a noite de quinta para sexta da semana santa. El jueves santos! À parte isso, o espetáculo foi de encher os olhos, o coração, o espírito e os ouvidos. Houve até início de tumulto, bem `europeia, em tempos de globalização em que um grito e algumas pessoas correndo provocam imediata reação na multidão (rima pobre…!). Não passou de uma brincadeira de mau gosto. As marchas, variando entre as brilhantes e luminosas e as fúnebres e mais pesadas. Dependendo da confraria e do “quadro” que ela apresenta. Parece até escola de samba: tem enredo: a representação de mistérios da paixão de Cristo e as imagens das denominações de Nossa Senhora; tem samba-enredo, que na verdade, são as marchas – com exceção de duas (do grupo que vi) “Silencio” e “El gran poder“. Os passistas formam dois grupos: nazarenos (com chapéus pontudos) e os penitentes (com chapéus sem ponta), a bateria é a banda e os carros alegórico são dois: os “passos”: “Cristo”, com uma cena bíblica ligada à paixão de Cristo e “Pálio”, em que vem a virgem. As alegorias são as bandeiras, os galhardetes, as velas, as cruzes e as placas de cada agremiação dentro da confraria. O carro abre alas é chamado “Cruz de guia“, em bom sotaque andaluz! Na verdade, sem os “costaleros” não havia o espetáculo. Eles são aqueles  (o número varia entre 40 a 80) homens que não aparecem e que sustentam, nas costas – na verdade é mais na cabeça – as pesadas alegorias armadas em plataformas de madeira e muito, mas muito enfeitadas. Quem tiver curiosidade, consulte o Dr. Google e use a expressão “semana santa+sevilla”. Pronto, Miríades de videoclipes vão ser listados. Coloco aqui algumas fotos que fiz. Nelas aparecem mulheres de preto vestidas como sevillanas en la pasión. O traje típico da quinta-feira santa, é variação de uma roupa mais elegante e social que os locais usam na tarde/noite de quinta-feira e, muitas vezes, durante a madrugá. É tradição, é cultura, é educação. Tirei uma foto com três delas: lindas mulheres sevilhanas! Coloco também alguns instantâneos da cidade na tarde do jueves santo!

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Marcante e, por isso mesmo, mais que interessante notar que, durante a passagem de algumas agremiações – notadamente Silencio e El gran poder – o silêncio da plateia é praticamente absoluto. Uma coisa impressionante. Dizem que, não faz muito tempo, as luzes da cidade eram apagadas durante a passagem destas agremiações. Em Salamanca, na sexta-feira da paixão ainda se conserva esta tradução. Aqui em Sevilha, cidade mais festiva, porque larga, iluminada, larga e aberta, as luzes predominam.

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De todas as confrarias La Macarena é a mais popular, a mais querida, a mais esfuziante, a mais arrebatadora. Parece com Nossa Senhora Aparecida no Brasil.