Diário coimbrão 41

Tenho a impressão de que, pela primeira vez na vida, cheguei perto de experimentar o que é a agorafobia. Sabe-se lá o que é se sentir absolutamente preso no meio de gente absolutamente desconhecida, falando uma língua conhecida, mas com um sotaque muito particular que faz com que as vezes mais pareçam estalidos estranhos. O pior: estar o meio disso sem a menor chance de se movimentar, de se sentar ou de qualquer outra coisa… Foi isso o que se passou comigo na noite de ontem (quinta) para hoje (sexta – já no fim aqui em Sevilha), durante a “Madrugá”. É assim que os “andaluces” chamam a noite de quinta para sexta da semana santa. El jueves santos! À parte isso, o espetáculo foi de encher os olhos, o coração, o espírito e os ouvidos. Houve até início de tumulto, bem `europeia, em tempos de globalização em que um grito e algumas pessoas correndo provocam imediata reação na multidão (rima pobre…!). Não passou de uma brincadeira de mau gosto. As marchas, variando entre as brilhantes e luminosas e as fúnebres e mais pesadas. Dependendo da confraria e do “quadro” que ela apresenta. Parece até escola de samba: tem enredo: a representação de mistérios da paixão de Cristo e as imagens das denominações de Nossa Senhora; tem samba-enredo, que na verdade, são as marchas – com exceção de duas (do grupo que vi) “Silencio” e “El gran poder“. Os passistas formam dois grupos: nazarenos (com chapéus pontudos) e os penitentes (com chapéus sem ponta), a bateria é a banda e os carros alegórico são dois: os “passos”: “Cristo”, com uma cena bíblica ligada à paixão de Cristo e “Pálio”, em que vem a virgem. As alegorias são as bandeiras, os galhardetes, as velas, as cruzes e as placas de cada agremiação dentro da confraria. O carro abre alas é chamado “Cruz de guia“, em bom sotaque andaluz! Na verdade, sem os “costaleros” não havia o espetáculo. Eles são aqueles  (o número varia entre 40 a 80) homens que não aparecem e que sustentam, nas costas – na verdade é mais na cabeça – as pesadas alegorias armadas em plataformas de madeira e muito, mas muito enfeitadas. Quem tiver curiosidade, consulte o Dr. Google e use a expressão “semana santa+sevilla”. Pronto, Miríades de videoclipes vão ser listados. Coloco aqui algumas fotos que fiz. Nelas aparecem mulheres de preto vestidas como sevillanas en la pasión. O traje típico da quinta-feira santa, é variação de uma roupa mais elegante e social que os locais usam na tarde/noite de quinta-feira e, muitas vezes, durante a madrugá. É tradição, é cultura, é educação. Tirei uma foto com três delas: lindas mulheres sevilhanas! Coloco também alguns instantâneos da cidade na tarde do jueves santo!

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Marcante e, por isso mesmo, mais que interessante notar que, durante a passagem de algumas agremiações – notadamente Silencio e El gran poder – o silêncio da plateia é praticamente absoluto. Uma coisa impressionante. Dizem que, não faz muito tempo, as luzes da cidade eram apagadas durante a passagem destas agremiações. Em Salamanca, na sexta-feira da paixão ainda se conserva esta tradução. Aqui em Sevilha, cidade mais festiva, porque larga, iluminada, larga e aberta, as luzes predominam.

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De todas as confrarias La Macarena é a mais popular, a mais querida, a mais esfuziante, a mais arrebatadora. Parece com Nossa Senhora Aparecida no Brasil.

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