Diário coimbrão 44

Subtítulo: estertores

Não faço ideia de quanto tempo faz que comecei a gostar desta palavra: estertor. Gosto de usá-la no plural, em sentido figurado. Seu sentido dicionarizado não é dos mais simpáticos: s.m. Medicina, ronqueira da respiração dos moribundos; agonia. Ronquidão característica das pessoas que sofrem de certas moléstias do aparelho respiratório. O sentido figurado me leva a pensar em infinito, em insatisfação, mas não com a agravante patológica. Muito mais no sentido de duração, de longa duração. Vai entender…

O estertor de minha estada em Coimbra faz-se sentir. Não mais os dias friamente úmidos e ventosos, com céu acinzentado, quase branco, pálido, e os miasmas do Mondego a rondar as colinas desta cidade mais que centenária, melancólica… Tristeza ou (já) saudade? Medo, apreensão, desejo? Que será? Fugaz como o raio de sol que agora, só agora, quase na hora de ir embora, bate na janela da sala, passou o tempo. Pensei que jamais voltaria a sentir calor, mas o calor já se faz sentir, ainda que a temperatura, de repente (não mais que de repente) baixe e a sensação de frio volta, menos intensa… Seis meses… Faltam apenas 11 dias para voltar e parece que cheguei anteontem. Lugar comum… Mas já se foram o Natal e o Réveillon, com Ana Paula, família e amigos. Lá se foi a Espanha, Évora, o Porto, Matosinhos e Leça da Palmeira: a Rua fresca, a Rua dos dois amigos, Dom peixe, a Biblioteca Florbela Espanca.

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É assim, as pessoas e a coisas estão aí, espalhadas, em estado de espera do encontro. O “acaso” trata de juntá-las ou separá-las. Depende de ninguém não… Esse mesmo acaso tem outros nomes: destino, fado, sorte, circunstância, oportunidade. Vai saber…

2 respostas para “Diário coimbrão 44”

  1. Quando gostamos de um lugar que nos faz bem , é difícil nos afastarmos dele sem sentir uma certa dose de melancolia e nostalgia ( saudade ), mormente se a cidade ou o país for hospitaleiro e querido , como é o caso de Portugal.

    • Pois é, vileite. Gosto imenso de Portugal, em doses homeopáticas, porque como qualquer outra sociedade, a dos portugueses tem os seus defeitos. Todos nós temos e não devemos nos envergonhar de admitir. Mas a hospitalidade, o carinho, a beleza, a ingenuidade, a deliciosa culinárias, os opíparos vinhos, a doçaria lusitana… ui… tanta coisa boa! Sempre que puder, vou colocar meus pés nesta terra…

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