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São quinze capítulos, incluindo Prólogo e Epílogo. Alguma similaridade com o caminho que leva ao Gólgota, não terá sido mera coincidência? Ou terá sido. diga quem ler o romance e quiser sobre ele comentar alguma coisa. Trata-se de A cura, do Pedro Eiras. O autor é professor na/da Universidade de Porto, se não me falha a memória. Sabia que ele era poeta. Li dele,por indicação de Gerson Luiz Roani, amigo dileto, outro romance Bach, sobre o qual já escrevi alguma coisa. Aqui mesmo no blogue, se é que minha memória não esteja dando outra rasteira. Ambos, interessantíssimos. A cura é romance que caminha de braço dado, amigavelmente, com a Psicanálise. Um extrato fino da arte de narrar, associado a chistes e ilações as mais curiosas e fruto de acuidade e delicadeza insuperáveis. Trata-se de uma série de consultas a um psicanalista – o narrador – que atende em dia e hora inusitados – quem determina isso é o paciente. Minha língua está coçando de vontade de dizer quem é este “paciente”. Mas não o faço. Deixo no ar… Quem sabe assim instigo mais alguém a comprar o livro e lê-lo. Depois disso, pode troca-lo num sebo ou deixa-lo numa dessas praças que começam a pipocar aqui e ali sob a égide de programas de intercâmbio de leitura: públicos e gratuitos. Este livro de Pedro Eiras junta-se a ouros tanto que i em Coimbra, durante os seis meses em que lá vivi, fazendo meu segundo estágio pós-doutoral. Li autores que já conhecia como Walter Hugo Mãe. Li outros de quem tinha notícia e nutria intensa curiosidade como Mário Cláudio. Reli o Eça. Matei minha curiosidade com relação a Agustina Bessa-Luís, de quem me tronei fã de carteirinha, com direito a alugar cativo em seu seleto clube de admiradores. O romance de Pedro Eiras prende o leitor. não apenas por sua trama que vai se tornando cada vez mais sedutora e envolvente – sim, há quem seduza e não envolva, há quem faça o contrário, há ainda quem faça cada coisa a seu tempo. Enquanto isso, boa parte da população do planeta não faz nem uma nem outra coisas… Apenas sobrevive… de leitura, para sorte de quem assim age! O romance de Pedro Eiras seduz e envolve. A cada capítulo, uma faceta da extraordinária obra e Freud comparece sutilmente como um elefante caindo num poço de lama, mas com elegância. Como diz uma destrambelhada personagem de telenovela brasileira: um “chiquê”! Perdoe-me, Pedro. O drama do narrador hipocondríaco, atravessando um relacionamento em crise porque percebe que está sobrevivendo a/com uma existência igualmente em crise, chega às raias do patético, sem melodrama, mais uma vez, com elegância. Vale a pena ler. Valeu a pena ler. Valeu a pena lembrar  de que o l i Quem sabe assim realizo o que pensei em fazer nesta retomada do blogue: escrever sobre literatura, mais que outra coisa…

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