Barbáries

Barbáries… O que dizer delas? Sobre elas? Há muito já dito. Talvez haja muito ainda a dizer. Quem pode saber… O tempo, pai de tudo, senhor de TODO o conhecimento sabe. Mas não revela. Enquanto isso, divirto-me com esse senhor que me diverte. Piada? Não. Reconhecimento. Uma “aula”. Mais uma”! Divirtam-se!

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Retorno… outro!

Acordei hoje com uma sensação estranha. Algo parecido com o que sentiu certa personagem de Lya Luft em um de seus romances (já não me lembro seu nome, nem o título do romance). Foi há muito tempo que o li, ainda para a tese de doutoramento. Em Março deste ano completaram-se 20 anos desta “efeméride”… Um bolo no estômago, como a de que alguma coisa se mexia lá dentro. Uma sensação nauseante, como deve ser a sensação de um filho a parir. No romance, a personagem pari uma coisa, uma gosma, um ser inominável porque absolutamente desconhecido. Seria em As parceiras? Já não sei. Sensação estranha. Incômodo. Acordei como que anestesiado e pensando no maestro que toca agora o órgão de Mariana.

“A catedral da Sé de Mariana guarda um precioso tesouro musical – um órgão construído na primeira década do século XVIII em Hamburgo, Alemanha, por  Arp Schnitger (1648-1719), um dos maiores construtores de órgãos de todos os tempos. Enviado inicialmente a uma Igreja Franciscana em Portugal, o órgão chegou ao Brasil em 1753, como presente da coroa portuguesa ao primeiro Bispo de Mariana.

É um instrumento de grande importância, tanto pela sua antigüidade e comprovada autoria, quanto por ter sido objeto de um amplo trabalho de restauração. Entre os órgãos da manufatura Schnitger que sobreviveram até hoje, esse é um dos exemplares mais bem conservados e o único que se encontra fora da Europa. O instrumento está sendo estudado, a fim de fazer parte do tombamento internacional de órgãos da manufatura Arp Schnitger pela Unesco.” (http://www.orgaodase.com.br/br/?page_id=45)

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O maestro ali, em pé, empertigado (um pouquinho de rima não faz mal a ninguém) falando, falando, falando. Os bancos da Sé realocados, para se “ver” o órgão. O som é mais atrativo e atraente que a imagem? Falava. De repente, depois das explicações históricas e algumas curiosidades, apresenta o programa. Calor. Leques se abanando. Lá fora o rufar do pancadão passa, mais uma vez. É a socialização da “música”. Ele falava. Agradece, recebe alguns aplausos. Tímidos. Ele anda para a porta corta-fogo a caminho do pequeno mezzanino que sustenta o órgão. Apenso à construção colonial. Anexo. Adaptação arquitetônica para sustentar o presente do Rei. Ele caminha devagar. Empertigando. Silêncio. A espera. O órgão. O calor. Os leques. A espera. De repente, aparece na passarela a mulher. Não dá pra ver rosto. Ela atravessa a passarela. Senta-se na banqueta e começa a tocar. Ninguém diz nada. A atmosfera eletriza-se: apreensão e encantamento. Onde etá o maestro? Ao final do concerto a correria, depois dos aplausos. Onde está o maestro? Na dúvida, as especulações. Onde está o maestro? Nada. Em lugar algum. Silêncio. Alguém começa a falar. Mas o maestro não aparece.

Este último parágrafo foi escrito m homenagem a Ana Cristina, minha amiga do lado de lá do grande lago. Talvez o início de um conto, de um romance. Vai saber…