Do Seminário 1

Esta  é a primeira postagem para os matriculados no Seminário de Poesia. As postagens acontecerão sempre às terças-feiras para que, na quarta, haja a interação que vai substituir as aulas.

Seguindo o roteiro previamente estabelecido, a postagem de hoje se refere a dois poemas parnasianos, antes de abordarmos dois textos “teóricos” acerca da poesia. Veja abaixo:

A um poeta

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

(BILAC, Olavo. Obra reunida. Rio de Janeiro: Aguilar, p. 268.)

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A poesia

Donzela! vem que é noite e a lua já derrama

Do céu azul, profundo, o pálido clarão!

A brisa a ciciar parece que te chama

A gozar junto a mim o amor na solidão!

 

Oh! Vem – tudo é silêncio e apenas o regato

Serpeia argênteo além, sentido a murmurar!

Dilata a flor o seio e geme lá no mato

O triste noitibó, que esquiva-se ao luar!

 

Que doce aroma expira a flor da guabiroba!

Não tardes! Vem, febril, cair nos braços meus!

Quando sinto o estalar das ramas da pindoba,

Logo imagino o som dos breves passos teus!

 

Vem doce noiva minha! A natureza é quieta!

É solitário o campo e longe o mundo é!…

Mas que donzela é essa, oh! Pálido poeta –

Por quem deliras tanto e em que tu’alma  crê?!

 

Quem é?! Fada gentil, que embala-me os sentidos

Com perfumes na aurora e à noite co’harmonia,

Que traz a luz até na fímbria dos vestidos,

 

Que é sempre moça e loura, e chama-se Poesia!

Quem é! Fada gentil, que embala-me os sentidos

Com perfumes na aurora

1877

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Considere agora o seguinte: os parnasianos elegiam como seus mestres os poetas Leconte de Lisle,Charles Baudelaire e Théophile Gautier. Este último, apesar de ainda sofrer influência da estética romântica, pregava a necessidade do rigor formal na composição poética, a busca de imagens que sugerissem plasticidade e o abandono do subjetivismo. Na opinião de Gautier, a palavra deveria ser tratada como um objeto – e o poema deveria nascer da reflexão, e não do automatismo da inspiração (ou entusiasmo criador) cultuada pelos românticos. É dessas ideias que nasce a teoria da arte pela arte, segundo a qual o único e verdadeiro sentido da produção artística deve ser o da criação do belo. Ou seja, o fenômeno artístico é, ele próprio, o único fim que a arte deve almejar.

Considerando o que já foi apresentado nas aulas do seminário e os comentários sobre os poemas lidos até agora, escreva um texto (não menos que 300 palavras) comentando possíveis pontos comuns e possíveis diferenças entre os poemas lidos em sala de aulas e os aqui apresentados, a partir do tópico “processo e criação poética”. Bom trabalho!

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