Voltar

Ando com vontade de voltar. Não sei pra onde… Não sei como… Tenho pálida ideia do porquê… Mas voltar… Será da idade? Pelo sim, pelo não, como foi o Gerson que me apresentou esta música por primeira vez, vai a homenagem pra ele, que está voltando da terrinha…

Pra quê?

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Em matéria publicada hoje, no Estado de Minas, com direito a foto colorida(!), estudante aprovada na sacrossanta ufmg, pasmem, no curso de letras, apresenta sua resposta à mensagem recebida numa “rede social” que condenava o regime de “cotas” porque seu ingresso teria sido impedido por conta deste mesmo regime. No “desabafo” da garota, que aparece na foto da matéria, aparece o verbo “roubar”. No finalzinho da mensagem, a tal garota, depois de afirmar que sua entrada na tal universidade se deu por conta do regime de cotas e a vaga que agora ocupa teria sido da outra garota – a que condenava -, afirma quase literalmente que depois de ter entrado na universidade vai ser uma aluna “excelente” (sic) e uma profissional de igual calibre e vai “roubar” o lugar de professora que poderia ter sido da garota que condena o regime de cotas. Depois de ler, por duas vezes, a mensagem, e perceber o “veneno” do verbo roubar, resolvi nem comentar o tal regime. O emaranhado de lugares comuns que se ouve em seu favor e contra ele, a atual situação do “sistema” educacional brasileiro y otras cositas mas, fizeram com que eu resolvesse que esta questão já deixou de fazer parte de meu horizonte de expectativas… No entanto, vale reforçar o uso (inconsciente?) do verbo “roubar”. Ele, só ele, diz muito mais que a condenação e o desabafo. Muito mais do que poderia sobrar de uma insossa e infindável discurssão sobre o tal regime… Muito mais, sem dúvida. Penso que o uso desse verbo revela de maneira contundente, quase como um tapa na cara, a “mentalidade” da população que semestralmente tem cruzado os umbrais de “egrégios templos do saber” a que se dá o nome (hoje vulgarizado) de “universidade”… É pensando assim que entram os “estudantes”… Basta observar, naquele lugar, o número de salas ocupadas num prédio que conta com quase vinte salas de aula: só três, em plena quarta-feira pela manhã, de um semestre letivo que se arrasta como tsunami sobre o semestre civil, dividindo um mesmo ano em três ou quatro partes… Nas salas ocupadas, não se contam mais que dez (o que já seria multidão!)… “estudantes”: de pés sujos, calçando flipflops igualmente sujos – geralmente brancos, para contrastar com o barro e a sujeira que caracterizam o logradouro, usando roupas surradas – do tipo que ficam ser ver água por meses e meses -, cabelos desgranhados, roupas largas e completamente anacrônicas – o que está longe de sugerir que eu acredite em moda – o olhar perdido, como a dizer que ser jovem é “sonhar”, vocabulário reduzido a meia dúzia de palavras e expressões – e isso já é uma enciclopédia de tudo! -, atitude desdenhosa para quem ocupa o outro lado da mesa – o modelo “acadêmico” ainda remonta ao século XVIII -, e mais, mais, mais e mais… Argh… cansei. Quero me aposentar!

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Contraponto

Hoje, daqui a pouco, eu completo 59 anos, cinco meses e dezessete dias de vida. AO ongo desse tempo, aprendi que ouvir conselhos de mãe pode ser uma coisa bem boa. Fiz isso no que diz respeito aos artigos do Sacha Calmon, publicados no Estado de Minas. Como ela mesmo diz, nem sempre o assunto é atraente, mas o estilo, a classe, a sobriedade e a clareza do articulista valem a leitura. Fiz isso, mais uma vez, hoje ( o artigo dele segue abaixo). Cumpre comentar que, independentemente  da procedências das informações, da consistência dos dados e ou da acuidade do posicionamento, o que Sacha faz hoje é o que venho pensando a tempos. Chega a ser patético o esforço de quem pensa que multando a Samarco (e associados) vai ser resolvido o problema causado pelo rompimento de dois meses atrás. Há muita água rolando dessa ponte e , de fato, ao fim e ao cabo, as responsabilidades não estão sendo devidamente apuradas. Infelizmente constata-se que na terra brasilis impera a “lei de gerson” e o princípio do lucro antes de qualquer coisa e acima de tudo, inclusive, da dignidade. Que espetáculo triste…

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Mineração e histeria ecológica – SACHA CALMON

17/01/2016 10:17

CORREIO BRAZILIENSE – 17/01

Terá ocorrido no Brasil um desastre atômico? O vazamento da barragem da Samarco, 10ª exportadora do Brasil, e seus 4 mil empregos diretos viraram acontecimento megacatastrófico, sem sê-lo, e gerou histeria jurídica punitiva irracional, que bem pode ter efeitos sociais danosos, piores que a passagem da enxurrada dos rejeitos.

A enxurrada jamais foi tóxica nem continha metais pesados perigosos. Para sanar tanta desinformação, é útil explicar que o minério extraído pela Samarco é o itabirito, cuja composição é, grosso modo, a seguinte: 54% ferro, 34% sílica (areia), 1% alumina (terra), 0,5% manganês, 0,2% calcário, 0,2% magnésio e 0,05% fósforo – elementos encontrados no corpo humano, afora outros nada tóxicos. Para separá-los e concentrar o teor do ferro, é preciso um processo industrial chamado flotação, feito, simplesmente, com amido de milho.

Onde a toxidade e os metais pesados? O ferro resultante da flotação (65% + 1% de sílica) afunda e a borra sobe com a ajuda do amido de milho. Os rejeitos nas barragens são compostos aquosos de terra e areia (sílica, alumina, calcário), um pouquinho de fósforo, manganês, ferro dissolvido e magnésio, além de resquícios insignificantes de outros elementos.

Os rejeitos são mais parecidos com as terras marginais desbarrancadas pelas enchentes dos rios do que os rejeitos químicos de dezenas de indústrias (couro, plástico, borracha), arsênico das garimpagens de ouro, de siderúrgicas e de fornos de gusa, que ficam na beira do Rio Doce e afluentes, inclusive indústrias de celulose de alto teor de toxicidade, sem falar nos esgotos não tratados de dezenas de cidades e lugarejos da bacia do Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo.

O dramático da enchente foi o volume grande e denso que varreu a superfície dos rios e as margens até o oceano. Enquanto passava a massa de rejeitos, diminuiu o oxigênio das águas matando peixes e depositou-se nas margens. Mas passou uma vez só como tsunami. A cor barrenta posterior sobe do leito e vem da lavagem pelas águas dos barrancos cheios de lama. Houve mortandade de peixes como na Lagoa Rodrigo de Freitas? Nem de longe. O gado morreu em massa nos bebedouros dos rios? Ninguém relatou tamanha destruição.

A água já está potável e os peixes já são vistos em cardumes na água doce. Pescadores, com caniços lançados no rio (a provar que estariam pescando), se queixam da falta do pescado. No mar, o dano foi mínimo, a mancha, com a cor barrenta de todo rio, não ameaça a vida marinha. Nenhum relatório comprova o desastre. O Rio Amazonas entra no oceano 80 quilômetros adentro com a água barrenta vista a olho nu da estação espacial.

O que precisa acabar são os desatinos jurídicos e o perverso intento de que cabe à Samarco, sozinha, salvar o Rio Doce, que está morrendo há muito tempo. Contra a Samarco e, em certos casos, contra a Vale e a BHP Billinton (acionistas), existem 150 ações individuais e 34 coletivas, verdadeira babel. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) já foi assinado com o Ministério Público e depositados, aqui e acolá, R$ 1,8 bilhão, afora as inúmeras ações reparadoras da Samarco: reforço das barragens, reconstrução de pontes, recuperação de bacias hidroelétricas, dinheiro, casas, roupas, remédios, água mineral ou caminhões-pipa para as cidades ribeirinhas, indenizações e reparações e mais um rol de providências, desnecessário enumerá-las, até porque me falta legitimidade para tanto. Falo por minha conta e risco e pelo que me relatam os engenheiros de minas, meus amigos.

Cumpre agora à União e aos estados de Minas e Espírito Santo pensar no emprego das pessoas e conjuntamente ordenar os procedimentos jurídicos indenizatórios, conceder reduções condicionadas de impostos e abrir linhas de crédito para a Vale, a Samarco e outras mineradoras usarem ou venderem os rejeitos como matéria-prima para fazer ecoblocos (construção civil) e camadas de compactação rodoviária. Fazer do limão uma limonada.

Os aviões caem de vez em quando e nem por isso as companhias aéreas são fechadas. Minas possui cerca de 600 barragens e os melhores técnicos barragistas do Brasil. A impressão que se tem é a de que querem acabar com as mineradoras, preservar a natureza e proibir a mineração. Noutras palavras, parece que se quer acabar com Minas Gerais, cujo nome evoca, desde as bateias de ouro e diamantes, o destino natural: minas, ferro, aço, indústrias de transformação que utilizam o minério e as derivações como matéria-prima, sem esquecer o nióbio de Araxá.

Mineração envolve risco. Os prejuízos devem ser sanados; pessoas morreram e bens produtivos foram destruídos bem como casas. Mas que haja ordem e racionalidade e não o festival desconexo de justiciamentos e multas bilionárias.

Leia mais: http://www.josenildomelo.com.br/news/mineracao-e-histeria-ecologica-sacha-calmon/

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Gratidão

Palavra-chave para a sustentabilidade de certa dose de harmonia na co-existência humana. O acadêmico português, em rápidas palavras apresenta o sentido dos graus do agradecimento sincero. Que seja de bom proveito!

Hoje

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Hoje, segundo o calendário, é Dia do Leitor. Assim mesmo, com as iniciais maiúsculas. Vai saber se há muita gente que valorize assim estas iniciais… Calendário é palavra interessante. Sonora. Oriunda do Latim: calendarium (no “original”, livro de contas). Há um hífen sobre o “a”, de acordo com o verbete do Houaiss, mas o editor da wordpress não me permite encontrar e utilizar esse sinal… fazer o quê?. Pois então… Outra fonte originária da palavra é o Grego: kalein, que significa chamar em voz alta, convocar. Em latim, transformou-se em calendae, significando o primeiro dia do mês. É de calendae que surgiu “calendário”, que adquiriu o sentido genérico de marcação do tempo (meses e dias do ano). Calendas era o primeiro dia do mês entre os romanos. Esse termo provavelmente veio do costume romano de chamar ou convocar o povo no primeiro dia de cada mês, quando o pontífice informava sobre os festivais e dias sagrados que deviam ser observados. Só muito tempo depois, o calendário oficial de Roma passou a ser afixado em lugares públicos, onde todo mundo podia ver. Pois hoje, segundo o tal de calendário, é o dia do leitor.

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O leitor é um sujeito esquisito. Ele não “existe” de fato, mas “existe” de direito. está em todo lugar e age de todas as maneiras possíveis no encantado universo da… leitura! Prática difícil. Em alguns momentos da História, condenada. Em outras, como agora, vilipendiada, escorraçada, ofendida e quase extinta por “forças do mal” que alguns julgam mover as “novas tecnologias”. Mitos, lendas e crendices à parte, a leitura é prática imprescindível. “Essencial e visceralmente” constitutiva da existência humana. O bicho homem não existe se não LER. Nos dias que correm, há quem ainda confunda leitura com literatura… ah, esse universo paralelo dos conceitos… Ah… essas praias desertas das teorias. Enquanto isso, proponho: continuemos a LER!!!

DIA-DO-LEITOR

 

Dia de reis

Um dia como outro qualquer. De fato… é! Jamais deixará de ser. Mas um dia como outro qualquer também pode lembrar coisas e pessoas especiais. Como o dia de hoje: dia de reis. Uma festividade que, com o passar dos anos, vem perdendo consistência e comemoração. É pena. Declino do direito de comentar alguma coisa sobre isso. Por outro lado, trago hoje, segunda postagem do ano (2016=2+0+1+6=9. Noves fora… nada!) um texto que na página de um amigo e ex-aluno (o Carlos Brito) conta um episódio que faz pensar. Segue o texto:

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“Compartilhando uma manifestação a respeito da valorização docente:
Olha que interessante, fui conhecer uma escola aqui de CG para matricular minha filha. Enquanto a diretora mostrava empolgadíssima sua estrutura (carteiras bonitas, biblioteca infantil, área disso… área daquilo…) viro pra mulher e pergunto: “Quanto é a hora/aula do professor que vai dar aula pra minha filha aqui na sua escola?” A diretora empacou. Perguntou se eu estava querendo matricular ou procurando emprego. Eu prossegui: “Quero matricular, mas quero saber quanto sua escola investe em quem vai ensinar minha filha”. Empacamento 2. Ela parou… ficou me olhando… e disse: “Pagamos o que está determinado no sindicato, ou seja, R$ 8,19 por hora/aula”.
Eu sorri e já disse a conta pronta: “Como são 4 horas por dia e 5 dias por semana, temos 20 aulas x 4 semanas… 80 aulas… Vezes 8,19… Uns 650,00 reais por mês? É isso que a pessoa que ensinará minha filha ganha? Se trabalhar dois períodos 1300,00?” Que professores a Sra. tem aqui? Quem aceita trabalhar por isso?” A mulher me fuzilou com os olhos… Dane-se… Transporte esse salário para o comércio e chegará em ocupações que não exigem preparação. Se você pensar pelo lado do livre mercado (trabalho no melhor salário para minha capacidade) , chegamos facilmente à conclusão de que eu devo me preocupar com a “fessora” da minha filha.
Aí falei pra espumante Diretora: “A Sra. paga pouco, e com isso não se contrata boa mão de obra e é essa mão de obra que me interessa, não sua biblioteca, sua área disso… área daquilo… Devemos matrícular nossos filhos na escola que pagar a melhor hora/aula, pq a TENDÊNCIA é que lá estejam os melhores professores”.
Tem tanta coisa que eu penso diferente. Quer defender a educação? Comece agora. Estamos na melhor época. Garanto que nunca havia visto a escola por esse lado, mas fica aí concordando que professor ganha pouco. Tsc tsc tsc
Vinicius Siqueira – facebook”.

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Que 2016, noves fora nada, traga nesse dia de reis: serenidade, bom senso e compreensão. Mirra, ouro e incenso. Não necessariamente nessa ordem…

Ano Novo

Na renovação de tudo, como se costuma acreditar quando se passa do dia 1º de Dezembro de um ano para o dia 1º de Janeiro do ano seguinte, tentei modificar a aparência do blogue. Em vão… Ficou assim, em branco… simples. Com uma caixinha preta dizendo “Mostrar”. Espero que seja mesmo esta a ser acessada quando alguém tiver a curiosidade de ler as “mal traçadas” que aqui deixo…

Desta feita, a primeira postagem do ano que começou na sexta-feira passada vai ser (que pretensão!) um comentário sobre uma notícia que foi publicada na página de um amigo muito querido no Facebook. Segue o texto da matéria:

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09/10/2015 – 20h38

Ensino da Literatura precisa ser reformulado, dizem debatedores

Audiência pública que discutiu a situação da leitura no País indicou que 44% dos brasileiros apresentam dificuldades na compreensão da leitura

Debatedores e parlamentares presentes a audiência pública na Câmara dos Deputados concluíram que o método de ensino da Literatura nas escolas brasileiras precisa ser reformulado. A situação da leitura e do ensino dessa disciplina na educação básica foram o tema do debate realizado na quinta-feira (8) pela Comissão de Educação da Câmara.

Para acadêmicos e parlamentares, as diretrizes dos vestibulares e, principalmente, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), limitam e prejudicam o modo de abordagem da Literatura no Ensino Médio. Hoje, segundo eles, há um acúmulo de teorias.

Utilizada como panorama na audiência, a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, realizada em 2012 pelo Instituto Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, indicou que 44% dos brasileiros apresentam dificuldades na compreensão da leitura, o que caracteriza um índice relevante de analfabetismo funcional.

Dep. Maria do Rosário
Maria do Rosário: Quem não ultrapassa o analfabetismo funcional tem seus direitos democráticos e de cidadania negados

Requerente da reunião, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) considera que todo o processo cultural e de aprendizagem está associado ao livro, à leitura e à Literatura. Para a deputada, esses são fatores que influenciam na formação de identidade e na produção de conhecimento.

“A leitura pode ser considerada um sentido diferenciado, uma outra forma de olhar, conhecer e de se posicionar diante do mundo. Quem, tristemente, não tem acesso a ela como direito básico ou não ultrapassa a condição do analfabetismo funcional, certamente tem seus direitos democráticos e de cidadania negados”.

Metodologia tradicional  x contemporânea
O professor Arnaldo Niskier, integrante da Academia Brasileira de Letras (ABL) ,defende que esse panorama só mudará quando houver esforços conjuntos para que se trabalhe uma política nacional de educação, e quando a Literatura passar a ser valorizada pelo Enem.

Para ele, o Ensino Médio não estimula o jovem estudante a pensar e necessita passar por uma revolução, começando por mudanças na cultura de leitura e na estrutura de ensino da disciplina.

“A metodologia do ensino tradicional da Literatura como disciplina no Ensino Médio ainda se foca na periodização literária, no acúmulo de teorias”, avalia. Na opinião do acadêmico, textos contemporâneos, mais próximos da realidade dos alunos, romperiam o bloqueio inicial criado ao apresentar a Literatura ao estudante.

“Fazendo um caminho contrário, partindo do texto mais contemporâneo, o professor poderia vir a conquistar o aluno e após certa maturidade de leitura, o estudante teria bagagem para ler uma obra clássica, compreender, apreciar ou renegar, mas já com argumentos sólidos para isso”, acrescenta.

A Comissão de Educação pretende fazer outras reuniões com instituições acadêmicas e governamentais para discutir o Enem e os desdobramentos dele nos métodos de ensino, para realizar um trabalho mais próximo ao Ministério da Educação.

Reportagem – Pedro Lins
Edição – Adriana Resende

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara Notícias
Meus pitacos recaem sobre as seguintes passagens:

“A metodologia do ensino tradicional da Literatura como disciplina no Ensino Médio ainda se foca na periodização literária, no acúmulo de teorias”, avalia. Na opinião do acadêmico, textos contemporâneos, mais próximos da realidade dos alunos, romperiam o bloqueio inicial criado ao apresentar a Literatura ao estudante.

“Fazendo um caminho contrário, partindo do texto mais contemporâneo, o professor poderia vir a conquistar o aluno e após certa maturidade de leitura, o estudante teria bagagem para ler uma obra clássica, compreender, apreciar ou renegar, mas já com argumentos sólidos para isso”, acrescenta.

Estas são as declarações do “acadêmico”, que não conheço pessoalmente e em relação a quem não tenho nada contra, nem a favor, por desconhecido dele que sou. Logo, sinto-me muito à vontade par dar os meus pitacos. Claro está que concordo com o dito acadêmico quando ele menciona “acúmulo de teorias”. Não canso de repetir, já há algum tempo, que conheço “professores de literatura que se gabam em alto e bom som que não precisam mais de ler romances ou poemas para dar alas de literatura. No mesmo “time”, há aqueles “zagueiros da cultura” que dão aulas sobre os mais diversos “autores” – em nome do ensino da crítica literária – sem sequer manusear um texto “literário” sequer. Quanto ao “texto mais contemporâneo” – ponto de partida para a renovação metodológica do ensino de literatura na implícita proposta do “acadêmico” – há que ressaltar a inquestionavelmente evidente relatividade do adjetivo “contemporâneo”, o que faz da declaração tabula rasa para o nada, ou quase. Ninguém resolve uma equação trigonométrica sem ter aprendido as quatro operações básicas. Da mesma forma, em igual medida, no mesmo sentido (and so on…), ninguém será capaz de entender a possibilidade do adultério em Dom Casmurro sem ter aprendido o bê-a-bá nas cartilhas de alfabetização. Penso ser desnecessário explicar o que eu quis dizer com isso, por óbvio. Se dúvida ainda persistir é fácil: perguntem-me!

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