Tamara

Vale a pena…

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Sensatez

Acabo de ler o sensato texto (abaixo) na página da Revista Carta Capital (http://www.cartacapital.com.br/sociedade/precisamos-falar-sobre-a-vaidade-na-vida-academica). Deixando de lado as picuinhas que costumam pulular na disputa pela “audiência” inteligente na/da terra brasilis – sobretudo o que se refere a “revistas” informativas -, penso que a sensatez de quem escreveu o texto é inquestionável. Bem… Nem tanto! A exceção, para o meu gosto, está nos dois últimos parágrafos que, em dias de mais ânimo e em condições favoráveis de temperatura e pressão, eu aceitaria comentar e debater, mas… De qualquer maneira, não vejo porque não usar um chavão: assinaria embaixo!

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Precisamos falar sobre a vaidade na vida acadêmica

Combater o mito da genialidade, a perversidade dos pequenos poderes e os “donos de Foucault” é fundamental para termos uma universidade melhor
por Rosana Pinheiro-Machadopublicado 24/02/2016 03h37, última modificação 24/02/2016 12h17

A vaidade intelectual marca a vida acadêmica. Por trás do ego inflado, há uma máquina nefasta, marcada por brigas de núcleos, seitas, grosserias, humilhações, assédios, concursos e seleções fraudulentas. Mas em que medida nós mesmos não estamos perpetuando essemodus operandi para sobreviver no sistema? Poderíamos começar esse exercício auto reflexivo nos perguntando: estamos dividindo nossos colegas entre os “fracos” (ou os medíocres) e os “fodas” (“o cara é bom”).

As fronteiras entre fracos e ‘fodas’ começam nas bolsas de iniciação científica da graduação. No novo status de bolsista, o aluno começa a mudar a sua linguagem. Sem discernimento, brigas de orientadores são reproduzidas. Há brigas de todos os tipos: pessoais (aquele casal que se pegava nos anos 1970 e até hoje briga nos corredores), teóricas (marxistas para cá; weberianos para lá) e disciplinares (antropólogos que acham sociólogos rasos generalistas, na mesma proporção em que sociólogos acham antropólogos bichos estranhos que falam de si mesmos).

A entrada no mestrado, no doutorado e a volta do doutorado sanduíches vão demarcando novos status, o que se alia a uma fase da vida em que mudar o mundo já não é tão importante quanto publicar um artigo em revista qualis A1 (que quase ninguém vai ler).

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dizíamos que quando alguém entrava no mestrado, trocava a mochila por pasta de couro. A linguagem, a vestimenta e o ethosmudam gradualmente. E essa mudança pode ser positiva, desde que acompanhada por maior crítica ao sistema e maior autocrítica – e não o contrário.

A formação de um acadêmico passa por uma verdadeira batalha interna em que ele precisa ser um gênio. As consequências dessa postura podem ser trágicas, desdobrando-se em dois possíveis cenários igualmente predadores: a destruição do colega e a destruição de si próprio.

O primeiro cenário engloba vários tipos de pessoas (1) aqueles que migraram para uma área completamente diferente na pós-graduação; (2) os que retornaram à academia depois de um longo tempo; (3) os alunos de origem menos privilegiada; (4) ou que têm a autoestima baixa ou são tímidos. Há uma grande chance destas pessoas serem trituradas por não dominarem o ethos local e tachadas de “fracos”.

Os seminários e as exposições orais são marcados pela performance: coloca-se a mão no queixo, descabela-se um pouco, olha-se para cima, faz-se um silêncio charmoso acompanhado por um impactante “ãaaahhh”, que geralmente termina com um “enfim” (que não era, de fato, um “enfim”). Muitos alunos se sentem oprimidos nesse contexto de pouca objetividade da sala de aula. Eles acreditam na genialidade daqueles alunos que dominaram a técnica da exposição de conceitos.

Hoje, como professora, tenho preocupações mais sérias como estes alunos que acreditam que os colegas são brilhantes. Muitos deles desenvolvem depressão, acreditam em sua inferioridade, abandonam o curso e não é raro a tentativa de suicídio como resultado de um ego anulado e destruído em um ambiente de pressão, que deveria ser construtivo e não destrutivo.

Mas o opressor, o “foda”, também sofre. Todo aquele que se acha “bom” sabe que, bem lá no fundo, não é bem assim. Isso pode ser igualmente destrutivo. É comum que uma pessoa que sustentou seu personagem por muitos anos, chegue na hora de escrever e bloqueie.

Imagine a pressão de alguém que acreditou a vida toda que era foda e agora se encontra frente a frente com seu maior inimigo: a folha em branco do Word. É “a hora do vâmo vê”. O aluno não consegue escrever, entra em depressão, o que pode resultar no abandono da tese. Esse aluno também é vítima de um sistema que reproduziu sem saber; é vítima de seu próprio personagem que lhe impõe uma pressão interna brutal.

No fim das contas, não é raro que o “fraco” seja o cavalinho que saiu atrasado e faça seu trabalho com modéstia e sucesso, ao passo que o “foda” não termine o trabalho. Ademais, se lermos o TCC, dissertação ou tese do “fraco” e do “foda”, chegaremos à conclusão de que eles são muito parecidos.

A gradação entre alunos é muito menor do que se imagina. Gênios são raros. Enroladores se multiplicam. Soar inteligente é fácil (é apenas uma técnica e não uma capacidade inata), difícil é ter algo objetivo e relevante socialmente a dizer.

Ser simples e objetivo nem sempre é fácil em uma tradição “inspirada” (para não dizer colonizada) na erudição francesa que, na conjuntura da França, faz todo o sentido, mas não necessariamente no Brasil, onde somos um país composto majoritariamente por pessoas despossuídas de capitais diversos.

É preciso barrar imediatamente este sistema. A função da universidade não é anular egos, mas construí-los. Se não dermos um basta a esse modelo a continuidade desta carreira só piora. Criam-se anti-professores que humilham alunos em sala de aula, reunião de pesquisa e bancas. Anti-professores coagem para serem citados e abusam moral (e até sexualmente) de seus subalternos.

Anti-professores não estimulam o pensamento criativo: por que não Marx e Weber? Anti-professores acreditam em lattes e têm prazer com a possibilidade de dar um parecer anônimo, onde a covardia pode rolar às soltas.

 O dono do Foucault

Uma vez, na graduação, aos 19 anos, eu passei dias lendo um texto de Foucault e me arrisquei a fazer comparações. Um professor, que era o dono do Foucault, me disse: “não é assim para citar Foucault”.

Sua atitude antipedagógica, anti-autônoma e anti-criativa, me fez deixar esse autor de lado por muitos anos até o dia em que eu tive que assumir a lecture “Foucault” em meu atual emprego. Corrigindo um ensaio, eu quase disse a um aluno, que fazia um uso superficial do conceito de discurso, “não é bem assim…”.

Seria automático reproduzir os mecanismos que me podaram. É a vingança do oprimido. A única forma de cortamos isso é por meio da autocrítica constante. É preciso apontar superficialidade, mas isso deve ser um convite ao aprofundamento. Esquece-se facilmente que, em uma universidade, o compromisso primordial do professor é pedagógico com seus alunos, e não narcisista consigo mesmo.

Quais os valores que imperam na academia? Precisamos menos de enrolação, frases de efeitos, jogo de palavras, textos longos e desconexos, frases imensas, “donos de Foucault”. Se quisermos que o conhecimento seja um caminho à autonomia, precisamos de mais liberdade, criatividade, objetividade, simplicidade, solidariedade e humildade.

O dia em que eu entendi que a vida acadêmica é composta por trabalho duro e não genialidade, eu tirei um peso imenso de mim. Aprendi a me levar menos a sério. Meus artigos rejeitados e concursos que fiquei entre as últimas colocações não me doem nem um pouquinho. Quando o valor que impera é a genialidade, cria-se uma “ilusão autobiográfica” linear e coerente, em que o fracasso é colocado embaixo do tapete. É preciso desconstruir o tabu que existe em torno da rejeição.

Como professora, posso afirmar que o número de alunos que choraram em meu escritório é maior do que os que se dizem felizes. A vida acadêmica não precisa ser essa máquina trituradora de pressões múltiplas. Ela pode ser simples, mas isso só acontece quando abandonamos o mito da genialidade, cortamos as seitas acadêmicas e construímos alianças colaborativas.

Nós mesmos criamos a nossa trajetória. Em um mundo em que invejas andam às soltas em um sistema de aparências, é preciso acreditar na honestidade e na seriedade que reside em nossas pesquisas.

 Transformação

Tudo depende em quem queremos nos espelhar. A perversidade dos pequenos poderes é apenas uma parte da história. Minha própria trajetória como aluna foi marcada por orientadoras e orientadores generosos que me deram liberdade única e nunca me pediram nada em troca.

Assim como conheci muitos colegas que se tornaram pessoas amargas (e eternamente em busca da fama entre meia dúzia), também tive muitos colegas que hoje possuem uma atitude generosa, engajada e encorajadora em relação aos seus alunos.

Vaidade pessoal, casos de fraude em concursos e seleções de mestrado e doutorado são apenas uma parte da história da academia brasileira. Tem outra parte que versa sobre criatividade e liberdade que nenhum outro lugar do mundo tem igual. E essa criatividade, somada à colaboração, que precisa ser explorada, e não podada.

Hoje, o Brasil tem um dos cenários mais animadores do mundo. Há uma nova geração de cotistas ou bolsistas Prouni e Fies, que veem a universidade com olhos críticos, que desafiam a supremacia das camadas médias brancas que se perpetuavam nas universidades e desconstroem os paradigmas da meritocracia.

Soma-se a isso o frescor político dos corredores das universidades no pós-junho e o movimento feminista que só cresce. Uma geração questionadora da autoridade, cansada dos velhos paradigmas. É para esta geração que eu deixo um apelo: não troquem o sonho de mudar o mundo pela pasta de couro em cima do muro.

registrado em: Rosana Pinheiro-Machado

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Depoimento

O fato se deu no correr da semana. Fiquei ciente logo depois de fazer uma postagem. Como não gosto de fazer mais de uma postagem por dia, deixei na pasta de “Rascunhos” para postagem posterior (hum…). Está aí. Fico pensando se em algum momento da História da Humanidade que está por vir este tipo de situação vai deixar de existir, de incomodar, de causar indignação… às vezes penso que… ah… deixa pra lá…

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Luiz Claudio Lins para Homofobia Já Era

17 h ·

Sr Ezequiel Teixeira,
Excº Secretário de Direitos Humanos do RJ,

Hoje eu acordei, ao lado do meu marido, com quem vivo há 13 anos, com a notícia de que o senhor acredita na cura gay. Eu, gay, nunca acreditei nisso. E nunca acreditei porque tenho consciência de que não estou doente.

Desde muito pequeno “sentia que era diferente dos outros meninos”. Sinto-me obrigado a colocar essa frase entre aspas porque é algo que foi dito muitas vezes, por muitas pessoas que, assim como eu, não se sentem doentes.

Muitos anos antes do meu nascimento, e acredito que do seu também, em 1948, o homossexualismo passou a existir na Classificação Internacional de Doenças (CID) sob código 320, dentro da categoria de Personalidade Patológica, na subcategoria de Desvio Sexual.

Acredito que o senhor saiba que no dia 17 de maio de 1990 o homossexualismo deixou de fazer parte da CID. Eu não lembro desse marco, tinha apenas 9 anos, mas lembro que naquele mesmo ano perdemos Cazuza. Quem queria um Cazuza diferente daquele que tivemos? Não, não queremos cura alguma.

Aos 14 anos comecei a me relacionar com homens mais velhos, já que os meninos da minha idade não contavam uns aos outros sua orientação sexual. Era 1995. E lendo o jornal de hoje já nem sei se posso dizer que era uma época mais careta, mas certamente menos esclarecida. Eu não tinha abertura para conversar com meus pais, amigos, escola. Por vezes, me arriscava a entrar no carro de pessoas das quais eu nem sabia o nome em busca de alguma aventura. Outras vezes apenas suprimia meus desejos e as lembranças hoje são de uma infância e adolescência muito tristes, tentando esconder de todos que eu conhecia quem eu realmente era.

Em algum momento eu consegui me libertar do julgamento de pessoas que acham que a homossexualidade (como passou a ser chamada, porque não se trata de uma doença, e então não precisa de cura) seja algo errado, um desvio, uma escolha, e passei a ser feliz.

Hoje, casado, pai de um menino de 6 anos que é uma felicidade na minha vida, digo com total certeza que não há nada a ser curado aqui. Olhe para a foto da minha família e me diga, sinceramente, se tem algo a ser curado aqui. É uma delícia ser gay, Sr Ezequiel, acredite. Aliás é uma delícia poder ser quem você é ou quer ser. O único momento em que eu me sinto entristecido, é quando abro o jornal e vejo que uma pessoa que está no cargo de Secretário de Direitos Humanos faz declarações como essas que todos lemos na manhã de hoje.

Mas não há cura para o mau-caratismo e a sem-vergonhice, não é mesmo? Que vergonha em ter o senhor como Secretário. Que vergonha!

Rodrigo Barbosa é casado com o jornalista
Gilberto Scofield Jr. e pais de PH.

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Argh…

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Ando cansado de ter que desconfiar de três ou quatro versões de um mesmo fato só porque herdamos o “jeitinho” que começou com a troca de vidro quebrado…
Ando cansado de ter vergonha de viver onde vivo…
Ando cansado de trabalhar onde estou condenado a trabalhar, lugar em que as pessoas (com raríssimas exceções) só pensam em “poder” e em ofícios, resoluções, comissões, critérios e a famigerada produtividade… Até parece que a universidade é uma linha de produção de automóveis. Só que os automóveis são úteis…
Ando cansado…
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Sem palavras

Lendo a mensagem enviada por uma prima, fiquei boquiaberto com a situação. Em certa medida, guardadas as devidas proporções, já passei por situações similares. Não sou rico, não viajo a toda hora para a Europa e/ou Estados Unidos e/ou Dubai e/ou para um desses destinos considerados “chiques”, “descolados”, “na moda”, da hora”. Essas coisas que a gentinha rastaquera com tendência a analfabetismo funcional considera “in”… Mas o fato persiste…
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Relato do Prof.Dr. Décio Tadeu Orlandi, bacharel em Letras pela USP e mestre em Literatura pela UFG:
“Há alguns anos, entrei numa estação de metrô em Estocolmo, a tão civilizada capital da tão primeiro-mundista Suécia, e notei que havia, entre muitas catracas normais e comuns, uma de passagem grátis livre. Questionei à vendedora de bilhetes o porquê daquela catraca permanentemente liberada, sem nenhum segurança por perto.
Ela me explicou que aquela era destinada às pessoas que, por qualquer motivo, não tivessem dinheiro para o bilhete da passagem.
Minha mente incrédula e cheia de jeitinhos brasileiros não conteve a pergunta óbvia (para nós!…):
“- E se a pessoa tiver o dinheiro mas simplesmente quiser burlar a lei?”
Aqueles olhos suecos e de límpidos azuis se espremeram num sorriso de pureza constrangedora:
“- Mas por que ela faria isso???”, me perguntou.
Não lhe respondi… Comprei o bilhete, passei pela catraca e, atrás de mim, uma multidão que também havia pago por seus bilhetes…
A catraca livre continuava vazia, tão vazia quanto minha alma brasileira – e muito envergonhada…”
 
 
 
 O grande diferencial é que a honestidade está enraizada na cultura dos escandinavos, assim como na de muitos outros povos europeus.
Na cabeça da atendente sueca, deixar de pagar a passagem tendo dinheiro no bolso é algo tão descabido, que ela realmente não compreendeu a preocupação do estrangeiro:
“- Mas por que alguém faria isto?”
Na verdade, a ideia de que alguém poderia faze-lo, simplesmente por ser um filho da puta, é inconcebível no seu arquivo de conceitos!
Ela nasceu e foi criada lá, e seus valores do que é certo ou errado são muito distintos dos nossos.
Como ela poderia compreender, por exemplo, que no Brasil, um deputado (nababescamente pago para defender os direitos dos cidadãos) quando é pego roubando dinheiro do estado, se  sua pena for cumprir “prisão albergue” por alguns anos, ele passará a dormir na cadeia, mas continuará na função pública durante o dia, e ainda ganhando o gordo salário!
Para mudar este quadro social deprimente no qual vivemos seriam necessárias décadas de boa educação a todas as classes sociais.
Mas se há algo que nossos governantes não querem, é tornar maioria da população (que enche as urnas),mais educada, culta, e politizada.
Uma população de ignorantes, é mais facilmente manipulável!
Daí a razão da vergonhosa “aprovação automática” em nossas escolas, verdadeiras fábricas de analfabetos funcionais!
 
GUILHERME ZACURA FILHO
O DEPOIMENTO SINCERO DO PROF. DÉCIO TADEU ORLANDI FOI UMA CORTESIA DO MEU AMIGO SANDRO BUASSALI

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