Sabedorias(s)

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Antoine Compagnon, em seu livro O demônio da teoria, opõe, em certo sentido, durante um tempo, com objetivos muito claros, o conhecimento científico e a sabedoria popular, no campo dos estudos literários – e detesto dizer isso – em crise. Da leitura de seu livro, inventei uma pequena parábola que utilizei como instrumento de defesa – devo dizer, inutilmente… – numa prova de concurso de títulos e provas numa dada “universidade brasileira. A parábola propunha uma situação muito comum: um médico – veterinário, especializado em felinos – ganha um filhote de gato. Simultaneamante uma pessoa absolutamente analfabeta, sem a menor condição de sobrevivência também ganha. A pergunta é: quem trata melhor o gato? O veterinário que domina o conhecimento científico sobre os felinos? O miserável que não “sabe nada”, mas aceita e se apega ao gato? A minha resposta ao dilema foi: quem pode dizer quem trata melhor o gato é o próprio gato. A metáfora funcionou, quando usei a parábola, como ilustração do que, então, tentava mostrar o que pensava sobre a “Teoria da Literatura”. Já tive meus dias de mais fé no que dizia…

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Hoje, li a parábola que segue, na página de uma amiga no Facebook. Ela fala por si…

Minha avó gostava muito de contar historinhas para os netos. Hoje eu me lembrei de uma delas:

“Um homem ia com o filho levar um burro para vender no mercado.
– O que você tem na cabeça para levar um burro estrada afora sem nada no lombo enquanto você se cansa? – disse um homem que passou por eles.
Ouvindo aquilo, o homem montou o filho no burro, e os três continuaram seu caminho.
– Ô rapazinho preguiçoso, que vergonha deixar o seu pobre pai, um velho, andar à pé enquanto vai montado! – disse outro homem com quem cruzaram.
O homem tirou o filho de cima do burro e montou ele mesmo.
Passaram duas mulheres e uma disse para a outra:
– Olhe só que sujeito egoísta! Vai no burro e o filhinho a pé, coitado…
Ouvindo aquilo, o homem fez o menino montar no burro.
O primeiro viajante que apareceu na estrada perguntou ao homem:
– Esse burro é seu?
O homem disse que sim. O outro continuou:
– Pois não parece, pelo jeito como o senhor trata o bicho. Ora, o senhor é que devia carregar o burro em lugar de fazer com que ele carregasse duas pessoas.
Na mesma hora o homem amarrou as pernas do burro num pau, e lá se foram, pai e filho aos tropeções, carregando o animal para o mercado.
Quando chegaram, todo mundo riu tanto que o homem, enfurecido, jogou o burro no rio, pegou o filho pelo braço e voltou para casa.”

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Chatices

Faz muito tempo que não escrevo nada. Preguiça, saudade, opinião, indignação, material didático: os assuntos variam muito. Resolvi voltar hoje por conta de um texto que li no Facebook e de que gostei dadas as circunstância de mudanças propostas pelo governo interino que se instalou no Planalto. Especificamente, meu intuito é expressar minha concordância com o texto que vai abaixo. Não disse nada na minha página do Facebook, nem comentei o tal texto, por conta do fato de não querer mais ser incomodado, inclusive por amigos, quando repasso coisa. Jamais o fiz à luz de convicções políticas; coisa que, aliás, penso não ter… E não me envergonho disso. Lá vai…

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“- Aiinnn! Não há negros e mulheres no ministério!
Olha, sinceramente: eu nem deveria comentar, mas vou.
Apenas donos de mentes tacanhas, baldias, ordinárias, pervertidas e PROFUNDAMENTE PRECONCEITUOSAS poderiam, em um momento como esse, olhar para um ensaio de novo governo com olhos de FISCAL DE MELANINA ou avaliando que tipo de balangandã as pessoas têm entre as pernas.
Apenas gente irrecuperavelmente viciada e DOENTE é capaz de acreditar que um pessoa negra não pode ser representada por uma pessoa branca – ou vice-versa; ou que uma mulher não pode ser representada por um homem – ou vice-versa.
Filhinhos (as), deixa o tio contar uma coisa pra vocês, com muito cuidado pra não abalar o mundo de fantasia, cheio de frágeis cristais, que vocês habitam:
nós estamos vivendo em um país ESCANGALHADO por quase catorze anos de política populista e irresponsável, a máquina pública está à beira do COLAPSO, há cidades inteiras FALIDAS, mais de ONZE MILHÕES de pessoas estão à procura de emprego (sem contar outros milhões que não entram nas estatísticas porque não têm e nem procuram ocupação) e UM MILHÃO E OITOCENTAS MIL empresas fecharam só em 2015;
não é POSSÍVEL que pessoas teoricamente “instruídas” sejam tão completamente dominadas pela ESTUPIDEZ IDEOLÓGICA a essas alturas do campeonato.
Essa porcaria desse ministério (no qual inclusive foi necessário alojar algumas criaturas desprezíveis remanescentes do governo que vocês tanto amavam) é o que tem para o momento, foi o que deu pra fazer, é com isso aí que a gente vai daqui pra frente e é dessas pessoas que a gente espera, no mínimo, uma chacoalhada que dê algum ÂNIMO ao país – pouco importando se o sujeito é branco, preto ou amarelo, se mija em pé ou sentado.
Nós sabemos que o petismo – provavelmente a vertente esquerdista mais JECA já surgida desde a Revolução Bolchevique – é uma infecção generalizada, um flagelo do qual possivelmente jamais nos livraremos por completo.
Mas, PELO AMOR DE DEUS:
pelo menos TENTEM sair desse infantilismo melindroso, uma vez na vida TENTEM raciocinar acima do padrão Catraca Livre, pelo menos TENTEM não passar vergonha.
Ou, se realmente não der: tentem ficar calados por algum tempo.
Vocês já deram no saco.”
(Fábio Pregucci)

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