Ingrêis…

Está em Inglês, língua de que não gosto, apesar de me identificar com o sotaque britânico(não o cockney – ainda que não tenha certeza de que é assim mesmo que se escreve). Vá lá… Junte-se a isso minha proverbial e constante síndrome de Macunaíma e… pronto! Está aí a postagem de hoje. Originalmente, mensagem do amigo Filipe, de Lisboa, que ainda não conheço (a gente se fala há mais de cinco anos por mensagens eletrônicas).

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Quem não souber “ingrêis” usa o Dr. Google. O sistema de tradução dele tem melhorado muito…

Cary Grant and Randolph Scott: A Gay Hollywood Romance.

,Cary Grant was born in 1904 in Bristol, England with the unfortunate name of Archibald Leach.   When Archie was only 9, his father put Archie’s mother in a mental hospital, remarried and then abandoned Archie to the care of the state. By the age of 14 he was expelled from school and joined a traveling vaudeville show as a stilt-walker. At the age of 16, he left England for a two year tour of the American vaudeville circuit with his British troupe. Soon he was working with an American troupe in St. Louis where he mastered acrobatics, mime and juggling. After a stint on Broadway, Archie moved to west to California and soon signed a contract with Paramount Studios under his new name of Cary Grant. In spite of his poor background and his vaudeville past, he would constantly be cast as a wealthy sophisticate. George Randolph Scott’s early years were almost the exact opposite of Cary Grant’s. George was born in 1898 to a well off family. As a child growing up in Virginia, he lived a life of privilege. George’s parents made sure that he attended the best private schools and that he had a happy and care free childhood.

After serving in World War I, going to college and a brief stint in the family business; George eventually decided on a career in acting. George’s father knew Howard Hughes, who was making films at that time, and arranged an introduction for his son. Soon known as Randolph Scott, he was only getting bit parts and was little more than window dressing. On the advice of director Cecil B. Demille, Scott gained some much needed acting experience by performing in local productions at the Pasadena Playhouse. The work paid off and soon he was landing larger roles. Cary and Randolph met on the set of the 1932 movie, “Hot Saturday.”  The attraction was mutual and they quickly began spending all of their free time together. Their friends from that period said that the two handsome young actors lived together openly and began traveling in Hollywood’s gay social circles. A few years before, Cary Grant had lived openly with gay Hollywood designer, Orry-Kelly. Cary and Randolph shared a Santa Monica beach house as well as a mansion in Los Feliz at 2177 West Live Oak Drive.     They would live together for a total of 11 years, longer than most Hollywood marriages.

A closeted gay journalist named Ben Maddox wrote a profile of the two bachelors for Modern Screen in 1933. The photos show Cary Grant and Randolph Randolph sharing house and living a very cozy and domestic life at the beach. Maddox used various code words in his story that would identify them as a couple to gay readers. These photos of them wearing aprons were apparently too much for heterosexual columnists who ridiculed the two men and implied that there was “something” between them. In 1934, the studio “encouraged” Grant to marry in order to kill the gay rumors that were swirling around the two young actors. In February of 1934, he married Virginia Cherril and 13 months later she divorced him, claiming that he had hit her. Virginia also said the Grant was constantly drunk and sullen and never showed any sexual interest. There is an unconfirmed rumor that Cary had been so depressed by his situation that he even attempted suicide. An attempted suicide was something that the studios would have done everything in their power to hush up; so that may be why there is no real evidence of it happening. Cary moved back in with Randolph as soon as the divorce was settled. The studio publicity department regularly planted stories about an endless stream of attractive young women going in and out of the beach house which they now referred to as “Bachelor Hall.”

Their good friend, Carole Lombard, when joking about Grant notorious cheapness said  “Their relationship is perfect. Randy pays the bills and Cary mails them.”Between the two of them, they had 7 failed marriages, but they were most likely marriages of convenience. Mr Blackwell, the notorious fashion critic, lived with Cary and Randolph for several months. In his memoir he said that he considered them, “deeply, madly in love, their devotion complete…Behind closed doors they were warm, kind, loving and caring, and unembarrassed about showing it.” 

By 1940 they were no longer living together, due to pressure from the studio heads to marry and protect their image. They only made one movie together, ironically it was called, “My Favorite Wife.” They must have still be lovers at the time since the script supervisor, Bert Granet, for “My Favorite Wife” recalled Cary and Randolfs unusual behavior on set: “We shot the pool sequence at the Huntington Hotel in Pasadena. Cary and Randy Scott arrived as a pair and, to the total astonishment of myself, the director, and the ultra-macho crew, instead of taking separate suites moved into the same roomtogether. Everyone looked at everyone else. It seemed hardly believable.”  Cary and Randolph remained extremely close their entire lives. The maître d’ at the Beverly Hillcrest Hotel saw both actors in the 1970s, sitting in the back of the restaurant, long after the place had emptied. Cary Grant and Randolph Scott were sitting alone, quietly holding hands.

If you enjoyed these vintage photos of Cary and Randolph, please subscribe to the Homo History blog. There are links at the top and very bottom of every page. For more photos of Cary Grant, check out: http://hotvintagemen.blogspot.com/2016/05/early-photos-of-cary-grant.html

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Leonor

“No 1.º de Fevereiro de 1780 cheguei a Salvaterra, e conheci logo pelo modo com que me recebeu a princesa do Brasil, dona Maria, que a Família Real, não obstante as cartas fulminantes do General de Província e de Aires de Sá, estava muito a meu favor. As Princesas mesmas me facilitaram uma ocasião de poder encontrar a Rainha só. Aproveitei logo dela e disse a sua Majestade, que, vistos os dissabores que o Conde de Oeynhausen tinha. experimentado na província, eu não podia deixar de lembrar-lhe que era debaixo da sua proteção que se tinha feito o meu Casamento e que mais que nunca, precisava que sua Majestade verificasse as esperanças que tão justamente tínhamos concebido e as suas promessas augustas tinham autorizado. Longe de parecer que este meu discurso (a que juntei algumas frases ternas, conformes ao meu estado) tinha produzido um bom efeito sobre a Rainha, achei um modo muito seco e mesmo me pareceu severo, respondeu simplesmente:

– Veremos, e foi andando para diante.”

Seu nome, Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, mais conhecida como Marquesa de Alorna. O trecho acima é um pequenino excerto de suas memórias. Em seu tempo, nos círculos literários de então foi conhecida como Alcipe – na mitologia grega, foi uma filha de Ares. Ela sofreu uma tentativa de violação (ou foi seduzida), e Ares se vingou. O julgamento de Ares foi feito no local chamado de Areópago. Logo se vê que não “é pouca porcaria”. Salve o adagiário popular. Para além de biografia conturbada, sofrida e edificantes – ainda que caibam discussões a respeito, como sempre! – a marquesa escreveu poemas. Sonetos. Muitos sonetos. Um deles me chama a atenção:

Eu cantarei um dia da tristeza

por uns termos tão ternos e saudosos,

que deixem aos alegres invejosos

de chorarem o mal que lhes não pesa.

 

Abrandarei das penhas a dureza,

exalando suspiros tão queixosos,

que jamais os rochedos cavernosos

os repitam da mesma natureza.

 

Serras, penhascos, troncos, arvoredos,

ave, ponte, montanha, flor, corrente,

comigo hão-de chorar de amor enredos.

 

Mas ah! que adoro uma alma que não sente!

Guarda, Amor, os teus pérfidos segredos,

que eu derramo os meus ais inutilmente.

 

De cara nos dois primeiros versos do soneto dela, a sombra de Camões: “Eu cantarei de amor tão docemente, // por uns termos em si tão concertados (…)”. Inesperada coincidência? Não creio. Há que se levar em conta que ela escreve dois séculos depois de Camões. Seria exagerado dizer que ela o teria lido? Também não creio. Fato é que alguns preceitos árcades ressumam ao Humanismo que sobeja no poeta de Os lusíadas. A estrutura do soneto da marquesa seria um exemplo a mais de certa proximidade que, aqui e acolá, ainda sustentam hipóteses de que exista a possibilidade de originalidade absoluta. Também não creio nisso. Pelo sim, pelo não, fica a nota. No pensamento árcade – que de certa forma reage de forma, eu diria, virulenta aos males que certo despotismo causaram ao horizonte de expectativas do ambiente cultural lusitano então contemporâneo – a lição humanista parece permanecer como marca de pensamento. Ou mesmo, marca inconsciente – a levar em conta, e a sério, a lição freudiana ilustrada pelo “bloco mágico.

Outro aspecto a chamar minha atenção encontra-se no primeiro terceto do soneto da marquesa: “Serras, penhascos, troncos, arvoredos, // ave, ponte, montanha, flor, corrente, // comigo hão-de chorar de amor enredos.” Começando pelo fim, o “enredo”, de que trata a voz poética do soneto aqui considerado, pode muito bem ser aproximado – pela lente da leitura – aos desencantos melancólicos que a “amiga” escutava da voz queixosa feminina nas cantigas de amigo. “Enredos” por desencontros e acidentes, obstáculos  dificuldades, abandonos e esquecimentos… Em tudo e por tudo, a “coita” da amor se faz ecoar, no que as lágrimas da voz poética no/do soneto lamentam no convite implícito à partilha desse mesmo lamento. Por outro lado, a sequência nominal que remete a elementos da natureza, traz de volta, uma vez mais, a ambiência trovadoresca de certo fazer poético que associava a esses elementos a figura ausente do ser amado, do elemento masculino, a falta que completa o diálogo “feminil” no travestismo poético de que valem os autores das já citadas cantigas de amigo. Explico-me. Lá (Trovadorismo), os elementos da natureza se referem à “ausência presente” do amado: motivo do lamento da voz poética que se faz ouvir em seu preito melancólico e sofrido. Aqui (Arcadismo), os mesmos elementos podem apontar para um dos traços peculiares a esta estética: o ideal de convivência pacífica do homem com a natureza. É pouco? Não creio.

Por essas e por outras é que (ainda) acredito que vale e pena LER!!!

Uma tarde

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… estavam ali a Teresa, a Patrícia, o Benedito, a Renata, a Andreia e a Andrea, a Regina, a Silvana, a Valéria, o Clóvis e o Gerardo, o César e a Roseli, a Rosana e o Wagner, a Judite, a Esther, o Renato, o Ricardo e o Richard, com a Bárbara. A Érica e a Glícia; o Sérgio e a filha, Marie;  Maria José e Márcio, Bruno, Germano e Marcelo; a Tania e a Luciana, o pequeno Samuel e o sociável Eric; a Glória, a Ângela e o Pedro; Ana Cristina e Luiz Fábio; Alice, Rosa e eu! Foi uma tarde agradável. Foi o primeiro dia do sexagésimo primeiro ano de minha vida…

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São Tomé

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Ando numa maré de quase absoluta desconfiança. O substantivo – com três acepções, aparecido no século XV, segundo o Houaiss – significa disposição de espírito que leva as pessoas a não fiar nos outros; falta de confiança; característica do que está agastado; agastamento, desagrado, zanga; falta de esperança. Penso que não é preciso acrescentar mais nada. Assim, ando como são Tomé: só acredito vendo. Para completar “o quadro da dor” – para lembrar a querida Cleo, de Santa Maria, que hoje vive em Camboriú -, vou morrer e não vou ver tudo. É isso. Penso que muita coisa há de me surpreender enquanto ainda estiver vivo…

Tais elucubrações, que bem podem parecer inócuas – e não o deixam de ser -, simultaneamente ridículas – como as cartas de amor, segundo Fernando Pessoa – e definitivamente inúteis – porque vão ficar soterradas pela pátina do tempo – são fruto dos descalabros e dos desacertos que tanto alimentam o já agitado desassossego com que a população do planeta se depara dia após dia. Não sou apocalíptico, sem deixar de sê-lo. Ainda não estou a carregar as trombetas do final dos tempos, mas creio que fica a cada dia mais difícil, para não dizer impossível, acreditar no que se lê, no que se ouve, no que se vê.

No meio dessa barulhada toda, leio um texto, por indicação de outra amiga, a Glícia. Em sua página do Facebook, ela comenta do prazer de se ler um texto bem escrito. Fui atrás da indicação dela. Li o texto. De fato, muitíssimo bem escrito. Para além disso, o que está longe de ser pouca coisa, o texto é de um sarcasmo que chega a doer, de tão afiado, sutil, sofisticado, elegante e, em igual medida, demolidor, para ficar numa única palavra. Diz o adagiário popular que há gosto para tudo e, sem dúvida, há gente que não gosta do autor do texto… O que é que posso fazer?

Segue abaixo, a ligação para ler o texto na íntegra. Divirtam-se!

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/?p=874720?utm_source=redesabril_veja&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_veja&utm_content=feed&

Não se assustem com a “dona” que aparece no vídeo… ela não morde… rosna, mas não morde…

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Retorno

Mais de um mês sem escrever nada aqui… Mas de um mês com ideias e insights para escrever e… nada! Mais de um mês com as habituais decepções e surpresas, risadas e melancólicos momentos, saudades e vontade de desaparecer.., Mais de um mês com tudo que um mês pode trazer… Mas estou de volta. Quase sessentão (faltam nove dias) e algumas defecções já se anunciaram. Há quem ainda não tenha respondido ao chamado: será que receberam meu convite? Há quem não saiba de nada… como sempre! Há tanta coisa e tanta gente e… Há de do e eu vou morrer e não vou ver tudo. Quem vai? Mais um atentado na França. Mais um jogador de futebol deve estar assinando contrato para ganhar milhões de reais para ficar correndo atrás de uma bola e posando de celebridade. Mais um estudantes não lê uma página de nada, ms se gaba de usar a camisa da moda, de ter comprado o tablet mais “irado” e de ter passado uma noite inteira beijando desconhecidos pelo simples prazer de beijar. Prazer??? É tanta coisa. Ainda tenho dúvidas sobre a continuidade disso aqui. O impulso de hoje foi uma observação de Rogério Miranda de Almeida, amigo de longa data, pouca convivência e contato, mas muita afeição e inteligência. Pergunta-me ele se estou a gostar de seu ultimo livro e se ainda mantenho o blogue onde registrei impressões de outros dois que me encantaram… Resolvi voltar. Assim, falo do livro do Rogério, do último romance do Pedro Eiras e quem sabe destilo meu descontentamento com celebrado Proust…

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http://arquivopessoa.net/textos/3381

 

Cansado até dos deuses que não são…

Ideais, sonhos… Como o sol é real

E na objectiva coisa universal

Não há o meu coração…

Eu ergo a mão.

 

Olho-a de mim, e o que ela é não sou eu.

Ente mim e o que sou há a escuridão.

Mas o que são a isto a terra e o céu?

 

Houvesse ao menos, visto que a verdade

É falsa, qualquer coisa verdadeira

De outra maneira

Que a impossível certeza ou realidade.

 

Houvesse ao menos, sob o sol do mundo,

Qualquer postiça realidade não

O eterno abismo sem fundo,

Crível talvez, mas tendo coração.

 

Mas não há nada, salvo tudo sem mim.

Crível por fora da razão, mas sem

Que a razão acordasse e visse bem;

Real com coração, inda que […]

                                                                                                 10-7-1920

 Poesias Inéditas (1919-1930). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Vitorino Nemésio e notas de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1956 (imp. 1990): 24.

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