Pateticamente triste

Tomo carona num texto que – dada minha proverbial afecção da síndrome de Macunaíma -, a meu ver, sintetiza bem o que penso sobre o assunto. Faltam apenas três dias para assistir a custo altíssimo – em todos os campos da atividade humana -a um show que poderia ter sido e que não foi… Ai que saudades de Manuel Bandeira…

 

Enviado por Osvaldo Colarusso, 02/08/16 10:18:09 AM

Abertura da Olimpíada: no país de Villa-Lobos quem aparece é Wesley Safadão

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Cerimônias de abertura de Olimpíadas são frequentemente verdadeiros “shows de horror”, e o que está planejado para a abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro na próxima sexta-feira parece mais uma vez confirmar isso. Existem poucas exceções, que, neste momento, valem a pena serem lembradas. Uma delas aconteceu em 2014 na abertura das Olimpíadas de inverno na cidade russa de Sochi. O mundo ficou encantado com um espetáculo que soube valorizar a arte e a cultura do país anfitrião de forma extremamente sábia. Foram lembrados os mais importantes criadores artísticos do país: escritores, compositores, cineastas, pintores, etc. Em “quadros vivos” lá estava o patrimônio cultural do povo russo: Dostoiévski, Nabokov, Kandinsky, Chagal, Eisenstein, Borodin, Tchaikovsky, etc. Se bem que havia uma propaganda sub-reptícia das “maravilhas” do governo de Vladimir Putin não houve a menor dúvida de que o que apareceu na abertura da Olimpíada de Sochi foi o riquíssimo patrimônio cultural russo. Na Olimpíada brasileira, porém, estamos longe disso: ao ver o que se está preparando para o show de abertura do evento no Rio de Janeiro percebo que o pensamento local é muito mais comercial e limitado, que alia uma gritante falta de bom gosto a uma ausência de visão do que se está perdendo: uma oportunidade única para se divulgar a nível mundial o que de mais rico existe em nossa cultura.

Oportunidade perdida

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Os bilhões de pessoas que assistirão o show deixarão de saber que o Brasil é a pátria de grandes expressões artísticas como Villa-Lobos, Portinari, Machado de Assis, e tantos outros. Essas pessoas, por culpa de uma organização tacanha, deixarão de saber que um dos mais importantes pianistas da atualidade é o brasileiro Nelson Freire. Talvez apareça algo do genial Tom Jobim, mas me pergunto: a MPB é a única coisa digna a se apresentar ao mundo e que seja valiosa em nosso patrimônio artístico? Se o Brasil fosse consciente do que ele realmente tem de precioso, e contasse nos “quadros pensantes” de nosso desmoralizado governo alguém mais preparado, mostraria numa certa altura do espetáculo o Coro e Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro executando o final do Choros Nº 10 de Villa-Lobos, Nelson Freire tocando “A Folia de um bloco infantil” do Momoprecoce ou o grande Paulo Szot (estrela da Broadway e do Metropolitan Opera) cantando “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso. E que beleza se a “Neojibá” (aquela notável orquestra jovem da Bahia) mostrasse na apresentação que nossas crianças não são apenas os decantados “trombadinhas” que aparecem diariamente na mídia, mas também podem ser exímios instrumentistas. Mas o que teremos no lugar disso? Com raras exceções (Caetano Veloso, Gilberto Gil) um lixo comercial caríssimo que ao mesmo tempo denigre o nível do evento e falseia para o mundo quem somos nós em termos culturais. A triste conclusão é mesmo que no país de Villa-Lobos quem aparece, num evento planetário, é Wesley Safadão. Lamentável.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/falando-de-musica/abertura-da-olimpiada-no-pais-de-villa-lobos-quem-aparece-e-wesley-safadao/

6 respostas para “Pateticamente triste”.

  1. Se você for embora para Pasárgada, peço-lhe uma carona. Combinado? Beijinho.

  2. Pois é….. Depois de Claudia Litte dançando feito galinha pintadinha na abertura da Copa…. Mais uma grande vergonha exporá ao mundo a situação deplorável do que é divulgado no Brasil e do brasil.
    com tanta coisa boa que temos…. Este tipo de show não (nos) representa.

    1. Há de haver alguma coisa que mude as coisas. Penso que não é mais possível continuar assim. Etimologicamente, mediocridade não é palavra que tenha significado pejorativo, mas… quanta mediocridade…

  3. Título bem apropriado : Pateticamente triste . Eu ainda acrescentaria e vergonhoso .

  4. Seu acréscimo é mais que valioso!

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