Tempo

Hoje faz 30 dias que meu irmão morreu. A gente passa bom tempo da vida pensando em se preparar para a morte, própria e alheia. Um aprendizado aparentemente inócuo. De um lado, o inevitável, que parece desafiar qualquer tentativa de pertinência. Por outro, o imponderável, que dizima outro tanto de esforço por conta do susto. Sim. Susto. A morte chega, ainda que “anunciada”, de repente. Não há como prever. A preparação, então, se faz, como já disse, inócua. Meu irmão é o segundo de minha família, a célula mater, a ir-se. Primeiro foi meu pai. E lá se vão quase cinco anos. O tempo passa rápido.

cronos

Diz a mitologia que Cronos era um titã. Um titã era como se fosse um gigante (na mitologia nórdica). Os gigantes eram anteriores aos deuses, os titãs em vez de serem deuses protetores de alguma coisa, eles eram aquela coisa, como no caso de Cronos ele era titã que representava o tempo. Cronos era filho de Urano (o céu) com Gaia (a terra) e era casado com a titã Réia e com ela teve 6 filhos, eram eles: Deméter, Hera, Hades, Zeus, Poseídon e Héstia. Seu pai Urano odiava os filhos por isso quando eles nasciam os colocavam de volta no ventre da mãe, Gaia cansada disso, escondeu seu filho Cronos e fez de seu seio uma lamina em forma de foice e a deu para Cronos que, junto com os seus irmãos, castrou Urano enquanto dormia e Cronos virou o senhor do Olimpo, mas Urano disse que assim como ele foi destronado por seu filho, aconteceria a mesma coisa com Cronos. Apavorado, este começou a devorar todos os seus filhos com Réia, mãe extremosa, escondeu seu último filho (Zeus) e o trocou por uma pedra. Assim, Cronos comeu a pedra, Zeus cresceu e junto com sua mãe Réia atacou seu pai, e rasgou a sua barriga e libertou seus irmãos ja adultos e aprisionou os titãs no Tártaro. Zeus se tornou o senhor do Olimpo que virou um lugar de prosperidade chamado de “idade dourada”.

Aparentemente, a mitologia explica muita coisa. No caso da morte, relacionada com o tempo, o mito de Cronos acrescenta aspectos instigantes que fazem um “colorido” inesperado para uma experiência, ainda e sempre, tão incolor… Vale sempre ter em mente que o processo da existência é, por essência, dinâmico. Sua repetitividade é inesgotável e não diminui em nada a profundidade de seus efeitos. Fica a saudade…

renato

 

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5 comentários sobre “Tempo

  1. Muita saudade! Da pessoa, do sorriso aberto, do carinho, de tudo , enfim… O temo se escoa velozmente e a gente não se dá conta de que já faz um mês. Ainda bem que sempre me lembrarei dele assim. Não o vi ir embora. Melhor. Beijinho para todos vocês, meus amados.

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