Palavras

A língua, qualquer que seja sua “nacionalidade” faz de tudo e mais um pouco para dar expressão a ideias, sentimentos, experiências, fatos, coisas… Não chega a ser vão, este esforço, mas fica próximo. Em certos casos, uma língua consegue criar uma palavra que fica única no universo linguístico da humanidade. Uma palavra que olustra de maneira incontestável é SAUDADE.

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Por outro lado, do alto da minha chatice (e tenho quase absoluta certeza de que não estou sozinho!) há palavras que irritam, incomodam, por conta do que se encerra em seu horizonte de expectativas semânticas. Uma delas é “tolerância”:

n substantivo feminino
1 ato ou efeito de tolerar; indulgência, condescendência
2 qualidade ou condição de tolerante
3 tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir diferentes ou mesmo diametralmente opostas às adotadas por si mesmo
4 isenção de norma, de regra geral; licença, dispensa
Ex.: t. de horário
5 quantidade, para mais ou para menos, permitida pela lei no peso ou no título das moedas
6 diferença ou margem de erro admissível em relação a uma medida ou a um padrão
7 Rubrica: farmácia.
fenômeno caracterizado por uma diminuição dos efeitos sobre o organismo de uma dose fixa de substância química à medida que se repete sua administração
8 Rubrica: toxicologia.
capacidade de o organismo suportar doses de determinada substância sem apresentar sinais de intoxicação

Pois é. Penso que não é equivocado dizer que esta palavra, em sua variada abrangência semântica tem um pressuposto comum: o erro. Explico-me. Na cópia que fiz do Dicionário Houaiss e reproduzo acima, o verbete apresenta as acepções conhecidas da palavra. É fácil perceber o que eud isse acima sobre “erro”. Basta atentar para as acepções 4, 5 e 6. Em outras palavras, “tolerar” é aceitar o que não é aceito, considerado certo, comum. Logo, há que se levar em conta que o que é “tolerado” não entra no âmbito da “normalidade”. Portanto, é exceção. É como se um sujeito fosse condescendente, quase compassivo. O ato de “aceitar” compõe, de maneira tendenciosa, o ato de “tolerar”. Estou como as moscas em torno da lâmpada e há uma razão para isso: minha irritação com certa “militância” que usa essa palavra como “emblema”, sem atentar para nuances semânticas que nela mesma convivem. Todo cuidado é pouco. Paea além, muito além, da língua, há o discurso. Então… Toda atenção é pouca…

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5 respostas para “Palavras”.

  1. Parece-me um recado, cujo endereço desconheço. No entanto, concordo integralmente com seu texto. Essencial a parte em que diz “‘tolerar’ é aceitar o que não é aceito, considerado certo, comum. Logo, há que se levar em conta que o que é ‘tolerado’ não entra no âmbito da normalidade. Portanto, é exceção. É como se um sujeito fosse condescendente, quase compassivo.” E é por isso mesmo que “todo cuidado é pouco”. Há muito ruído nas comunicações, em especial quanto ao respeito. Que o recado chegue ao endereço certo. Beijinho.

  2. Tem endereço certo não…

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