Aurea mediocritas

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Neste exato momento, alguém morreu e mais gente nasceu. Há quem esteja indo dormir e outra gente que está despertando, com um novo dia, chuvoso, ensolarado ou coberto de neve. Há quem esteja fazendo sexo, numa noite de aventura, ou aquele, mais protocolar, quase rotineiro dos pares que já se estabilizaram. Há alguém namorando, alguém pensando em se matar. Há a saudade, que atinge a todos, e sempre tem endereço certo. Cada um sabe de si. Deva haver alguém, fazendo um pedido num restaurante chique, olhando para os lados, a procurar a atenção alheia, como se a celebridade fosse motivo para viver. Noutro ponto do planeta, alguém está a admirar a paisagem do alto de um balcão num navio de luxo e sentindo-se feliz. Quantas mentes iluminadas está gestando ideias mirabolantes e inúteis, em busca da fama. Quantas ideias geniais se perdem por falta de reconhecimento ou de aplicação prática imediata, com lucro garantido e nenhuma implicação com responsabilidade. Há gente, agora, ledo um poema ou um romance. Gente entrando e saindo de centros de compras… vazias. Gente vendo filmes. Gente chorando em velórios. Gente se divertindo à beira-mar ou numa piscina. Há tanta gente! Há tanta coisa.

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Num salto, leio o verbete da infopédia (https://www.infopedia.pt/$aurea-mediocritas):

Aurea Mediocritas é uma designação latina que podemos encontrar numa das Odes (II, 10, 5) de Horácio e que expressa a ideia de que só é feliz e vive tranquilamente quem se contenta com pouco ou com aquilo quem tem sem aspirar a mais. Esta expressão encontra-se fortemente ligada a estes poemas porque de entre a variedade de temas tratados, que vão desde o amor e amizade aos valores morais de Roma, têm especial relevo os que se inspiram no carácter efémero da vida, no prazer, na inconstância da Fortuna e nas formas de resistência. Especificamente nestes assuntos o autor procurou demonstrar a conveniência do seguimento de um ideal de Mediania Sensata (Aurea Mediocritas), extremamente vantajoso para que se possa alcançar a felicidade.

Sem me demorar em falsa erudição – coisa que ainda move boa parte da “humanidade” que acredita ser superior, diferente, melhor que o resto dos mortais – dou outro salto e caio num outro verbete, agora do Dicionário Houaiss:

Mediocridade: substantivo feminino que identifica qualidade, estado ou condição do que é medíocre, mediocrismo; identifica também situação, posição mediana, entre a opulência e a pobreza; modéstia. Quando usado pejorativamente, indica insuficiência de qualidade, valor, mérito; pobreza, banalidade, pequenez. Quando usado no campo da estatística significa pouco usado, a justa medida; moderação. Por fim, em derivação por metonímia indica pessoa ou conjunto de pessoas sem talento, medíocres; mediocreira.

Somos todos medíocres. Ser medíocre não é, necessariamente, ruim. Não por princípio. Como tudo o mais, absolutamente tudo o mais, depende… Somos medíocres.

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3 comentários sobre “Aurea mediocritas

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