Aprendizagem

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Houve um tempo em que, para se comer uma pamonha de milho verde, levava-se quase um dia todo. Primeiro colher as espigas ou, se já colhidas estivessem, descascá-las – tomando cuidado para preservar as palhas melhores, para embrulhar as pamonhas -, limpá-las – tirar aquele “cabelinho” era muito custoso -, lavá-las e raspá-las “até o sabugo” – no adagiário popular esta expressão pode querer dizer outra(s) coisa(s), mas declino do direito de me alonga sobre tal assunto… Depois disso era moer tudo aquilo, numa máquina de moer carne, coisa que cansava, levava tempo e doía. Daí se coava aquela matéria quase líquida, o que demandava mais um tanto de tempo. O que resultava da coagem era cozido, lentamente. Acrescentava-se queijo, açúcar, leite e dá-lhe ficar mexendo – com um colher de pau, é claro! – até que ficasse cozido. O resultado era um mingau de milho verde, muito popular. Se, por acaso, se quisesse mesmo comer pamonha de milho verde, era necessário fazê-las, antes de cozinhar a matéria coada, como dantes. Fazia-se uma espécie de bolsa com uma ou duas palhas verdes de milho. Enchia-se esta bolsinha com o líquido amarelo, devidamente “temperado” – o queijo e o açúcar! – e colocava-se a bolsinha em água fervente para cozinhar. O tempo para ficar pronto, amim sempre pareceu intuitivo. Calma… ainda não acabou! Depois der cozido, esperava-se esfriar um pouco para então saborear o quitute… dos deuses. É de comer rezando, de joelhos, agradecendo a Deus a oportunidade de ter vivido com saúde, e paladar, até aquele momento! Ufa! \pode ser que alguém tenha se cansado e até desistido de chegar até aqui com a leitura. Ou pior, tenha desistido de experimentar a guloseima. Não desista. Se não quiser fazer esforço algum – perdendo, é claro, todo o prazer do processo de feitura – vá a uma casa que venda pamonhas ou então atenda ao reclame enjoado e repetitivo daqueles carros que passam gritando a mesma lenga-lenga de sempre: “Olha a pamonha!”. Não tem graça.

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Esta pequena historieta que aproveito de uma entrevista com um psicólogo que vi na internete esta manhã (esqueci de anotar o endereço eletrônico) é para fazer pensar sobre o que é – em um exemplo apenas – a educação de filhos. Conforme o psicólogo – e faço minhas as palavras dele! – os pais têm que se fazer respeitar para serem amados. Hoje, boa parte desta dupla de pessoas que se auto denominam “pais” querem ser amados, sem dispender o esforço de ensinar o que é respeito. Não dizem não. Atendem a todos os pedidos dos filhos. Não mostram e impõem limites. Não dão a palmada salvadora quando a acriança desobedece e põe a mão onde não devia, depois de avisada. E querem ter o respeito dos filhos. Não dá! Muitos pais não deixam seus filhos caírem no chão, quando estes dão seus primeiros passos, sob o falso e falaz argumento de que estão evitando acidentes e/ou um trauma. Bobagem! Firula! Covardia! A criança tem que cair para aprender a se levantar e aprender também que ela tem limites. A história da pamonha serviu para o psicólogo e agora serve pra mim na tentativa de sinalizar para a importância do convívio, da conversa, da troca de experiências, da exemplificação, da demonstração de como uma coisa é feita. A criança vai aprender que pamonha não “aparece” pronta do nada. Ela querer saber como e porquê. Ela vai “participar” interagindo e colaborando. Isso é aprendizagem. Não há tecnologia de inserção que consiga superar esta experiência…

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