Missão

 

Na maré de desânimo e falta de incentivo em que me sinto imerso, o texto que segue me faz respirar e acreditar que alguma coisa faz sentido. Digo isso porque se afirmasse que sou obrigado a fazer determinadas coisas estaria dizendo apenas parte da verdade. Ainda há espaço, na minha cabela pelo menos, para inventar ousar, experimentar, sobretudo quando se trata de LER um TEXTO que se quer LITERÁRIO. Não sou original quando digo que Rodrigo Gurgel tem razão. E por meio dele, que Todorov também tem razão. Sem razão é aquele ou aquela que afirma – como já ouvi pasmado, num corredor de uma faculdade de letras de uma universidade “pública, gratuita e de qualidade” – que para dar aulas de literatura não precisava mais ler romances,contos ou poemas. Quando ouvi isso me perguntei – e ainda me pergunto – as aulas dadas são sobre o que então!!! Mesmo situação se repete quando, ao observar o programa de um curso de crítica literária numa outra instituição de igual quilate, o colega lista uma série de textos para leitura e discussão com os alunos. pasmado percebi que não havia nenhum poema, conto ou trecho de romance na lista. Se o curso era para ser de crítica literária…

O texto que segue, me foi enviado por uma amiga e se encontra no seguinte endereço eletrônico: https://www.facebook.com/RodrigoGurgelcriticoliterario/?fref=nf.

Boa leitura!

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Como a universidade poderia auxiliar na formação de bons leitores de literatura, de bons professores de literatura ou de bons críticos literários?

Primeiro, ela precisa colocar o texto literário acima das teorias. Segundo, deve oferecer ao estudante um panorama fidedigno dos estudos literários — um panorama isento de ideologia. O que, é claro, não acontece.

Costumo dar um exemplo muito comum, que se repete em nossos cursos de Letras: quase todo estudante precisa ler, no Brasil, algumas páginas do “Poética da Prosa”, de Tzvetan Todorov, obra publicada em 1971. Mas é raríssimo encontrar professores que se esforçam para mostrar que Todorov continua ativo em seu trabalho intelectual e, passados mais de 30 anos, em 2007, publicou “A literatura em perigo”, livro no qual recusa as soluções que defendeu no início da carreira, quando participava do grupo estruturalista, e mostra como aquelas ideias prejudicaram a literatura e precisam ser superadas.

Como dizia Ezra Pound, referindo-se aos estudos literários, “o primeiro pântano de inércia pode ser devido à mera ignorância da extensão do assunto ou ao simples propósito de não se afastar de uma área de semi-ignorância. A maior barreira é erguida, provavelmente, por professores que sabem um pouco mais que o público, que querem explorar sua fração de conhecimento e que são totalmente avessos a fazer o mínimo esforço para aprender alguma coisa mais”.

As universidades voltarão a ser úteis quando abandonarem a mera doutrinação dos alunos e decidirem cumprir sua verdadeira função: inserir os alunos no grande debate da inteligência, em que todos podem evoluir e mudar livremente de pensamento.

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2 comentários sobre “Missão

  1. Como concordo: “As universidades voltarão a ser úteis quando abandonarem a mera doutrinação dos alunos e decidirem cumprir sua verdadeira função: inserir os alunos no grande debate da inteligência, em que todos podem evoluir e mudar livremente de pensamento.”

  2. Pois é, meu amigo. O mais triste, o que me dá mais preguiça e continua me enchendo de desesperança é ver os “pares” incentivando esse tipo de atitude, buscando ridicularizar quem, como eu, se esforça por não perder o viés peculiar da LEITURA do texto literário como objeto, fim e justificativa de qualquer iniciativa, no campo das letras, claro!!! Obrigado por sua visita e manifestação.

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