Retorno

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Faz algum tempo, numa aula sobre Eça de Queirós (ou será Queiroz?) comecei a falar sobre uma leitura comparativa que eu tinha feito entre dois textos do autor português – A cidade e as serras e “Civilização” – a partir do fato de que primeiro poderia ser  lido como um desenvolvimento do segundo. Neste sentido, a conclusão do enredo, em ambos poderia apontar para cartas dose de contradição no discurso ficcional de Eça. Foi quando este aluno, Emmanuel Santiago – hoje doutor em Literatura Brasileira – pediu a palavra e começou a falar. Cruzei os braços e escutei. Quase uma hora de observações pertinentes, brilhantes, instigantes e muito vivazes. Fiquei impressionado, tanto que escrevi uma comunicação para apresentar num congresso e depois o publiquei, como artigo. Segue a primeira versão, a do congresso, com, mais, uma vez, meus cumprimentos admirados pelo brilhantismo desse sujeito mais que inteligente, o Emmanuel.

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Entre o campo e a cidade: ou, de uma sabedoria desconhecida

 Será isso a sabedoria? Escrever eruditamente sobre alguns autores bem selecionados, de um passado longínquo ou mais próximo, que chegaram até nós duvidosamente autênticos após séculos de releitura e desgaste, (o que terá sido autêntico?) e sobre os quais já há pouco a dizer de original ou de diferente. Será isso a sabedoria que nos falta, quando nem sequer sabemos por que gostamos do que não gostamos, por que reduzimos a lixo tudo o que tocamos, por que dilapidamos todo o nosso esforço para sobreviver, pagando contas nos supermercados globalizados, de artigos horríveis e utilidade duvidosa… Será isso a sabedoria?

Toda a grande literatura do passado e até do presente será realmente mais valiosa que um detergente para lavar roupa com grânulos azuis, com ante ermes, com aditivos para avivar as cores e amaciantes para agradar à pele e perfumes para o prazer do nariz, que deve ser usado numa máquina com telecomando? Será isso a sabedoria que os gregos  não tiveram nem imaginaram?

Ponho de lado uma elegante caneta branca, de bom design, barata e descartável, mas penso numa barroca pena de pato, bem afiada e preparada para escrever, ou numa cânula em bizel para gravar no barro macio os caracteres cuneiformes. Que ganho eu com isso, além duma lembrança do que não vi? Será isso a sabedoria?

E.M.de Melo e Castro, Politicamente correto, Discutindo literatura, ano 1, n.2, São Paulo, 2005, p.18.

A intenção inicial deste trabalho é proceder a uma leitura comparativa entre dois textos de Eça de Queiroz: “Civilização” e A cidade e as serras. A leitura comparativa teria como ponto de fuga a Adicionar ao dicionário do narrador em ambos os textos. Este aspecto, ainda que porventura muito veiculado por outras leituras igualmente comparativas, constitui, a meu ver, um ponto de articulação interessante para a discussão de um certo contexto cultural da terra lusitana: o que se instaura nas letras portuguesas, a partir dos “efeitos” do pensamento e da ação da geração de 70. Neste sentido, haveria a possibilidade de se reler as duas narrativas, como espaço de articulação de discursos que, por força da atuação do narrador, acabam por se confrontar e estabelecer uma rede de indefinições e, por que não, contradições, nas interpretações mais corriqueiras do texto do conjunto de obra de Eça.

Ainda que partindo de pressupostos já visitados e operacionalizados, a leitura aqui pretendida ousa anunciar um horizonte de expectativas um tanto mais alargado. Este, na economia da narrativa realista do autor português, interfere em sua fortuna crítica de maneira a questionar os pressupostos político-ideológicos por detrás do discurso ficcional. Isto, num sentido muito particular: o de colocar em questão a afirmação de um processo de (re)valorização da terra, como uma saída para os impasses que a Modernidade começava a apresentar para a cultura portuguesa, à altura da publicação dos dois textos aqui epigrafados.

No entanto, problemas que fugiram a meu controle, impediram-me de proceder à comparação como idealizada. De fato, o que vai aqui explicitado é apenas uma primeira parte do trajeto esboçado em projeto, quando da ideia de escrever este texto. De qualquer maneira, este pequeno trecho da comparação já aponta para as principais redes axiomáticas da leitura pretendida. É, ao fim e ao cabo, um exercício de leitura do trecho do celebrado autor português que, sem querer me demorar, causa coceiras no cérebro de quem se põe a deslizar a vista sobre suas linhas. Acrescento, ainda, aqui, que a versão dos textos que aqui compulso fazem parte do primeiro volume das Obras de Eça de Queiroz, coleção editada por Lello & Irmão, editores; na cidade do Porto, sem  a indicação da data.

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Foi numa quinta-feira, durante os dois primeiros horários de aula. Não fazia frio nem calor. Os alunos estavam costumeiramente desinteressados e a conversa girava em torno da obra de Eça de Queirós. O tópico específico tratava da relação da obra deste escritor com a História portuguesa, marcada, naquele século 19, pela Questão Coimbrã. Não havia como despertar mais interesse que o costumeiro. Vá lá. Lembrei-me então de uma observação alheia, que dizia da minha incapacidade de lecionar Literatura Portuguesa, pelo simples fato de que eu gosto de usar vírgulas, em abundância. Dei tratos à bola e comecei a falar de proximidades e distâncias no contexto de um conto de Eça: “Civilização”. O que alimentava a minha falação naquele momento era, exatamente, o fato de que o texto do conto apresenta apenas “parte” de relato que seria desenvolvido num texto mais longo. Este fato, complexo e rico de detalhes, deixava aberta uma brecha por onde um dos alunos, inesperadamente, penetrou. Quando foi comentado o final da narrativa, o estudante levantava a hipótese de que todo um discurso “revolucionário”, desenvolvido pelo ficcionista português no texto do conto, podia ressumar uma ideologia passadista, para não dizer saudosista, o que faria do tópico uma fonte de mais dissensão.

O fato aqui é que a abordagem do estudante não deixa de transpirar coerência e interesse. Ele dizia que por Jacinto permanecer nas serras, deixando abismado o amigo José Fernandes – por conta de sua mudança de comportamento e de compreensão do mundo –, o leitor poderia ser levado a concluir que se tratava de uma narrativa que celebrava o “retorno” à terra, a volta dos valores campesinos, tão causticamente ironizados pelo mesmo escritor de O primo Basílio e A ilustre casa de Ramires. O que dizer acerca disso? Fiquei prestando atenção, enquanto o estudante falava, e, de repente, me dei conta de que tudo isso não passa de especulação, não a especulação gratuita e superficial, mas uma outra, que chega a levar o leitor a imaginar a possibilidade de deslindar um mistério, ou encontrar um ponto de fuga definitivo. Fiquei prestando atenção, enquanto tentava organizar as idéias ouvidas, em diálogo, nem sempre surdo, com as minhas, com o intuito incontornável de deixar o raciocínio suficientemente armado e livre para prosseguir com a proposta de discussão.

Antes de tratar da atualidade dessa novela, entretanto, talvez valesse a pena situá-la melhor no seu contexto de origem. Para tanto, seria necessário observar que, para além de uma tipologia em que se polarizassem a cidade e o campo, esta obra nos apresentaria uma discussão sobre as possibilidades de um direcionamento para a sociedade burguesa, em que o valor supremo é o dinheiro e tudo o que ele pode comprar. Uma solução finissecular foi o Decadentismo. Isso pode ser percebido quando se lê em certas narrativas de então, uma recusa à vida em sociedade, na tentativa de criar um mundo à parte, regido pela estética e pelo gosto mais refinado: a casa de Jacinto é um exemplo:

Nesse palácio (floridamente chamado o Jasmineiro) que seu pai, também Jacinto, construíra sobre uma honesta casa do século XVII, assoalhada a pinho e branqueada a cal – existia, creio eu, tudo quanto para bem do espírito ou da matéria os homens têm criado, através da incerteza e dor, desde que abandonaram o vale feliz de Septa-Sindu, a Terra das Água Fáceis, o doce país ariano. (p.744)

A casa constitui um ambiente controlado, em que tudo caminha na direção seguida pelo espírito burguês, mantendo o sujeito português preservado de qualquer contato com a vida social e com as formas comuns de sentir e de agir. Ora, em “Civilização”, o protagonista é um dândi, um homem rico, que decide criar, numa casa, um ambiente muito diferenciado. Entretanto, seu caminho não é o isolamento, mas a integração. Assim, Jacinto busca integrar-se completamente no novo mundo burguês, financista e industrial, por intermédio do culto da informação e da técnica modernas. Na mesma medida, ele, por algum tempo, pensará que é pela ciência e pela tecnologia que poderá potencializar mais as suas faculdades espirituais. Jacinto, depois de adquirir todas as novidades do conhecimento e da tecnologia, termina por ficar completamente inapetente – fracassa na consecução do seu objetivo:

Quando Jacinto acabava de se enxugar laboriosamente a toalhas de felpo, de linho, de corda entrançada (para restabelecer a circulação), de seda frouxa (para lustrar a pele) bocejava, com um bocejo cavo e lento.

E era este bocejo, perpétuo e vago, que nos inquietava a nós, seus amigos e filósofos. Que faltava a este homem excelente? (…) E todavia bocejava constantemente, palpava na face com os dedos finos, a palidez e as rugas. Aos trinta anos Jacinto corcovava, como sob um fardo injusto! (…) Era doloroso testemunhar o fastio com que ele, para apontar um endereço, tomava o seu lápis pneumático, a sua pena eléctrica – ou, para avisar o cocheiro, apanhava o tubo telefónico!…  Neste mover lento do braço magro, nos vincos que lhe arrepanhavam o nariz, mesmo nos seus silêncios, longos e derreados, se sentia o brado constante que lhe ia na alma: – Que maçada! Que maçada! (…) Debalde! Mesmo de explorações tão cativantes como essa, através da moral dos negróides, Jacinto regressava mais murcho, com bocejos mais cavos! (…)

Mas porque rolara assim a tão escura desilusão – o saudável, rico, sereno e intelectual; Jacinto? O velho escudeiro Grilo pretendia que “sua exa. sofria de fartura”! (p.748-749)

O fastio de Jacinto é por demais sintomático, de tal maneira explícito, que não há o que acrescentar ao que sobre ele já foi dito. O texto de Eça, contudo, não se encerra no momento em que se demonstra a falência do projeto de Jacinto. Trata-se aqui, como se pode ler, de uma história de salvação, com final feliz, desenvolvida em três momentos bem marcados: uma vivência de caráter “infernal”, uma experiência de redenção e, entre ambas, um momento de purificação, de iniciação numa nova realidade. No que diz respeito à questão ideológica implicada por essa estrutura triádica, diferentemente do que pareciam acreditar alguns dos seus críticos, “Civilização” é um texto cuja atualidade só tem aumentado com o passar do tempo. A ideia de que qualquer crítica à ciência e à tecnologia representa um ponto de vista reacionário e passadista já não faz sentido nos dias que correm. Tampouco é sustentável atribuir imediatamente à nostalgia da vida rural – em que sobrevivem valores pré-industriais – uma coloração apenas regressiva.

Nesse quadro, a narrativa de Eça passa por uma nova leitura e valorização, e os discursos que faz a personagem Zé Fernandes, tentando mostrar a Jacinto todos os aspectos negativos da “super civilização” a que seu amigo sofregamente parece se agarrar, tem uma atualidade e um fascínio que não podia ter para os homens de há quatro décadas. Da mesma forma, também o escritório de Jacinto, que recebe e difunde tanta informação inútil, é uma divertida versão oitocentista de uma central informática, antecipando o que hoje sucede já em muitas casas e escritórios, invadidos pela banalidade da comunicação interativa por meio da Internet e pela profusão de canais de televisão a cabo.

Não existe nessa novela uma proposta de recusa completa à civilização e aos seus produtos tecnológicos. Trata-se, antes, de uma recusa à tecnologia (e à cidade, entendida como o lugar de sua produção), enquanto forma de relação com o mundo, enquanto alternativa à vida “natural”. Porque, afinal, é disso que trata a narrativa: da contraposição entre o “natural” e o “artificial” e da necessária absorção de um pelo outro. Daí que na cidade seja o “artificial” que triunfe, absorvendo o “natural”, ao passo que no campo idealizado, que é a serra de Jacinto, a vitória seja do “natural”. Este, uma vez triunfante, pode sem perigo absorver aquilo que lhe seja necessário do mundo “artificial”, técnico. Entretanto, embora o sentido geral do enredo seja muito claramente perceptível, é preciso observar que a narrativa se faz por intermédio de um narrador que é também uma personagem importante: Zé Fernandes. De fato, não é possível ignorar que a representação de Jacinto, bem como dos seus ambientes e ideias, sejam veiculadas e filtradas pelos olhos e pelas palavras desse narrador astuto, que tem uma tese a demonstrar:

Como eu observei ao meu Jacinto, na cidade nunca se olham os astros por causa dos candeeiros – que os ofuscam: e nunca se entra por isso numa completa comunhão com o universo. O homem nas capitais pertence à sua casa, ou se o impelem fortes tendências de sociabilidade, ao seu bairro. Tudo o isola e o separa da restante natureza – os prédios obstrutores de seis andares, a fumaça das chaminés, o rolar moroso e grosso dos ônibus, a trama encarceradora da vida urbana… Mas que diferença, num cimo de monte, como Torges. (p.765)

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Louvado seja Deus! O meu Jacinto estava, enfim, provido de civilização! Subi contente. Na sala nobre, onde o soalho fora composto e esfregado, encontrei uma mesa recoberta de oleado, prateleiras de pinho com louça branca de Barcelos e cadeira de palhinha, orlando as paredes muito caiadas que davam uma frescura de capela nova. (p.758)

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Eu escutava, assombrado, esse Jacinto novíssimo. Era verdadeiramente uma ressurreição no magnífico estilo de Lázaro. Ao surge et ambula que lhe tinham sussurrado as águas e os bosques de Torges, ele erguia-se do fundo da cova do Pessimismo, desembaraçava-se das suas casacas de Poole, et ambulabat, e começava a ser ditoso. (p.759)

Os adjetivos, no conjunto do relato falam por si. Não cabe aqui esticar este assunto, inclusive por questões de dimensão argumentativa. No entanto, pode-se ter como seguro que Zé Fernandes, quando bem observado, revela-se um narrador ambíguo: dissimulado quanto ao que de fato sabe e pensa; contraditório algumas vezes, fascinado sempre pela cidade que, no nível do discurso, renega e combate. Há, sobretudo, um traço importante na personalidade desse narrador, que é uma ponta de ressentimento que ora aflora como provincianismo, ora como timidez frente ao grand monde urbano e civilizado. Ora, como é Zé Fernandes, o narrador, quem defende, desde o começo, a tese de que o enredo acaba por provar, as suas intenções e a sua caracterização psicológica não podem passar desapercebidas ao leitor que quiser obter desse texto inteligente todo o prazer que ele pode propiciar.

O conto é escrito em primeira pessoa por um Zé Fernandes, personagem secundária. O narrador centraliza seu interesse na figura de Jacinto, descrevendo-o como um homem extremamente forte e rico, que tem seus proventos recolhidos de Portugal, onde a família possui extensas terras, desde os tempos de D. Dinis, com plantações e produção de vinho, cortiça e oliveira, que lhe rendem bem. Zé Fernandes foi chamado pelo tio e parte para Guiães e, somente após sete anos de vida na província, retorna e reencontra Jacinto. A partir daí, o narrador observa, com maior atenção, o amigo. Nos raros momentos em que conseguiam passear, confessava ao amigo que o barulho das ruas o incomodava, a multidão o molestava: ele atravessava um período de nítido desencanto. Alguns incidentes contribuíram sobremaneira para afetar o estado de ânimo de Jacinto: o rompimento de um dos tubos da sala de banho, fazendo jorrar água quente por todo o quarto, inundando os tapetes, foi o bastante para aparecer uma pilha de telegramas sobre o acontecido.

Jacinto não “retorna”, quem voltou foi Zé Fernandes e, sentindo-se abandonado e entediado, descobriu uma porção de fantoches a viverem uma vida falsa e mesquinha. Percebeu que os antigos conhecidos eram seres frágeis e vazios, idênticos entre si e massas impessoais, amorfas, feitas para agradar ou desagradar os outros conforme seus interesses. Não suportando a cidade, retornou a Portugal. Este serrano que anteriormente valorizava os encantos da civilização foi tomado pelos mesmos sentimentos de Jacinto e confirmou uma simples verdade: no fundo, reabilitou Eça de Queirós com o seu Portugal.

Se a ambiguidade do narrador pode ser percebida, não há por que negar ao leitor a dúvida sobre a veracidade de seu discurso, quando da finalização de seu relato. Ou seja, ao voltar ao casarão de Jacinto, percorrendo cinzas, teias de aranha., mofo e ruína, ele não se decide entre a alegria e a nostalgia. Da mesma forma, quando volta a se encontrar com o Jacinto, “civilizadíssimo amigo”, sua reação não deixa entrever clareza e decisão, entre a alegria e o espanto. Das duas posições, ainda que em situações diferentes, pode-se inferir uma outra ambiguidade: a do discurso revolucionário da geração de 70, da qual o autor era partidário. Claro está que a definição de uma posição definitiva e única não cabe ao papel decifrador do leitor, por equivocado que ficaria nesta posição. No entanto, a admissão do fato de que Jacinto havia encontrado a felicidade no campo, tendo prática e pragmaticamente esquecido os confortos da modernidade destroçada nas ruínas de seu casarão, pode ser lido como uma lacuna a ser preenchida pelo leitor. E aqui está todo o respaldo de que a presente leitura se serve. Não fosse a verve irônica e a acuidade sarcástica do autor do conto, não haveria como denegar esta outra possibilidade e optar por concordar com uma certa tradição que define o papel de “revolucionário” por uma renovada visão da nação portuguesa, que valorizasse a “suas coisas” metaforicamente representada pela “serra” – esta depois retomada em narrativa inacabada. No entanto, ainda por isso, persiste a dúvida, e não se pode dizer que esta teria sido a “ideia” autoral. Isto porque este “retorno” de um certo recalcado, faria supor uma perversão narcísica, já apontada por Eduardo Lourenço em ensaio brilhante – como de hábito. Este fato apontaria para uma impossibilidade: a de se encerrar a “interpretação” do texto queirosiano por um viés apenas, aquele que uma certa tradição que insiste em utilizar esta mesma interpretação como amarra legitimadora.

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Infelizmente, continuo perdido entre as vírgulas que já me valeram o epíteto de incompetente. Dado que estou lembrando de uma passagem didática, de uma discussão nem tão acalorada assim, não posso deixar de lembrar que a dúvida vai persistir. A sombra de um Dom Sebastião mítico, por que de outra natureza não se pode valer sua “identidade” nostálgica, prevalece sobra uma desejada clareza que, nem mesmo a maior acuidade sintática poderia supor no uso indevido das vírgulas. De mais a mais, a “comunicação” se faz não por explicitar uma conclusão definitiva, um raciocínio acabado, uma constatação irrefutável. Muito ao contrário, este ato subjetivo e interlocutório, o de comunicar, deve prevalecer-se de sua prerrogativa efêmera, passageira, fugaz e transitória. Eça de Queiroz vai continuar causando coceira no cérebro de quem se presta à sua leitura. Que bom para quem assim o fizer!

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