Replicantes

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Estava pensando em escrever outra parábola sobre certas situações que me são impostas pelas circunstâncias… Ainda não desisti, mas no meio do caminho tinha uma postagem… tinha uma postagem no meio do caminho. Uma postagem de Facebook. Então… Este senhor e a Dona Wikipedia são muito úteis instrumentalmente, nada de vertical… horizontalidade pura, absoluta, radical e inegável. No entanto, vez por outra aparece uma pequena fagulha que faz a gente parar e pensar alguns segundos a mais. Cada um sabe de si…

Lido na página da Eni Paiva Celidônio que, por sua vez, republicava da página do Roberto Luiz Machado… ah… Santa Maria…Para refletirmos após a votação da câmara.

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“Olha só esta análise: sobre canalhas, estúpidos, sábios e ingenuos.

(E eu faço uma observação só pra complementar: essa publicação tem mais de um ano, mas parece que foi escrita ontem, depois da votação na Câmara, né não?)

“A sequência de acontecimentos que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff foi uma aula de sociologia, antropologia, política e, especialmente, comportamento humano para quem conseguiu manter a cabeça fria durante cada passo do processo. Eu me refestelei… E até criei um bloco novo para uma de minhas palestras, no qual apresento AS CINCO LEIS DA ESTUPIDEZ, com as quais o economista e historiador italiano Carlo Cipola fez uma análise sobre o impacto que a estupidez traz sobre a sociedade.
Seguindo os ensinamento de Cipola, mostro um gráfico com quatro quadrantes e proponho à plateia uma reflexão.
No primeiro quadrante estão as pessoas estúpidas, aquelas cujas ações trazem prejuízos a si próprias e às pessoas que as rodeiam. Ninguém ganha com o estúpido.
No segundo quadrante estão as pessoas ingênuas, aquelas cujas ações trazem prejuízos a si próprias e ganhos para terceiros.
No terceiro quadrante estão as pessoas sábias, aquelas cujas ações trazem ganhos para si, para as pessoas que as rodeiam e para a sociedade.
E no quarto quadrante estão os canalhas, as pessoas cujas ações só trazem benefício para si próprias, não importa que para isso causem prejuízo para outros e para a sociedade.
E a reflexão proposta é a seguinte: é muito fácil ter a atenção focada nos canalhas. Eles despertam em nós a indignação, a revolta, e com frequência neles depositamos a responsabilidade pelas mazelas que sofremos. O cenário político dos últimos anos no Brasil é um exemplo acabado: canalhas de diversos matizes, vermelhos azuis, verdes, com plumas, com rabos, desfilaram diante de nós suas estratégias para burlar as leis e sair impunes. O exemplo mais recente foi Renan Calheiros na votação do impeachment, brandindo a Constituição enquanto votava para que ela fosse vilipendiada.
Canalhice explícita.
Mas os canalhas não são o câncer a ser extirpado, são o sintoma.
O câncer são os estúpidos.
Imagine uma sociedade bem sucedida. Tente visualizar a distribuição daqueles quatro quadrantes. Não há dúvidas que poucos sábios estão no poder, controlando poucos canalhas e muitos estúpidos para que não explorem a maioria de ingênuos. Essa é uma sociedade bem sucedida, com crescimento, justiça e harmonia.
Numa sociedade como a brasileira, que está muito longe de ser bem sucedida, a disposição dos quadrantes é diferente. Poucos canalhas detêm o poder, garantidos por uma imensidão de estúpidos, e assim controlam os poucos sábios e exploram a maioria de ingênuos.
Sacou o jogo? São os estúpidos que apoiam e garantem os canalhas, que calam os sábios e exploram os ingênuos.
Sem os estúpidos, os canalhas estão sós.
Portanto, neste momento crucial para a sociedade brasileira, nossas energias devem ser redirecionadas para os estúpidos, sempre lembrando que ninguém é estúpido, mas está estúpido. A estupidez é uma condição, portanto é possível sair ou tirar alguém dela. Fazer que a pessoa se torne consciente de sua estupidez é o primeiro passo a ser dado. A estupidez começa com a ignorância.
A canalhice também é uma condição, mas é mais difícil tirar alguém dela, pois o problema não é de ignorância, mas de caráter.
Se você faz parte dos ingênuos ou dos sábios, pare de gastar seu tempo, sua energia, com os canalhas. Dedique-se aos estúpidos. Em sua família, em sua escola, em sua empresa, em sua cidade, comece uma cruzada contra a estupidez.
Só assim acabaremos com os canalhas.”
Por LUCIANO PIRES

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De novo

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Fiquei hospedado no Hotel Nikko, em Curitiba, entre os dias 1º e 6 de Outubro. Fui pra lá para participar de um congresso de Literatura Portuguesa que, como todo congresso “da área” anda numa decadência de dar dó… Tudo bem. Voltei a Curitiba quase vinte anos depois da última vez. Surpreendi-me. Reencontrei-me com Rogério Miranda de Almeida, amigo de décadas, monge beneditino que leciona na capital paranaense. Só por este reencontro a viagem teria valido a pena. Revi Cida e Ângela, conheci Jonas e fui cumprimentado por Jorge, com a agradável surpresa de saber que tenho um fã. Tudo muito bom, tudo muito bem. A nota dissonante, infelizmente, veio no último dia, depois da saída de Curitiba, depois da chegada em casa. Descobri que havia deixado um pequeno invólucro plástico com escova de dentes, dentifrício, aparelho de barba e creme de barbear no hotel. Telefonei. Just in case. Não se trata de objeto de griffe, ou peça de museu, nem valor afetivo tinha. A praticidade foi o único critério da decisão de telefonar para saber se seria possível o envio, com despesas pagas por mim, evidentemente. Que coisa. Eu podoa ter cedido à minha intuição cética. Como eu previa, disseram que não havia registro de “achados e perdidos” e que iam averiguar com a “governança” do hotel e que entrariam em contato de novo. Uma semana se passou… Estou certo de que jamais vão telefonar… É pena… Um hotel simpático, com localização interessante e prática (em todos os sentidos), preço razoável (fiz a reserva pelo Booking, que costuma ser mais barato que os agentes de viagem, mesmo os amigos). Por isso este registro de hoje. Ele se refere a uma palavra mal utilizada em Língua Portuguesa: mediocridade. Por isso o título da postagem. Já falei desta palavra aqui. Isso eu chamo uma atitude “medíocre”, no sentido mais popularizado da palavra, o sentido hodierno e coloquial, corrente. No dicionário, os verbetes voejam em torno do mesmo sentido pejorativo, No entanto, ou eu muito me engano e tenha já perdido a razão, ou a etimologia ensina que é possível pensar este termo no sentido de média, aquilo que não escapa da média, usual, comum, corriqueiro, em nada comparado ao “genial”, ao “original”. Não vou entrar no mérito desta questão. Fico só com a provocação… Fico com a conclusão lógica: a atitude dos responsáveis (no hotel) pela verificação de meu esquecimento foi medíocre, no sentido mais pejorativo do mundo. Isso é ruim. Isso é triste, porque percebo que, neste sentido, a humanidade tem caminhado por caminhos obscuros e inexpressivos nos dias que correm. Tudo parece medíocre (de ovo, o mesmo e repetitivo sentido pejorativo). Li, outro dia, numa mensagem recebida, que é preciso “vibrar” numa sintonia positiva, deixando de lado o que incomoda, o que gera raiva ou descontentamento, reconhecendo que o sentido de passagem e de vulnerabilidade é o que caracteriza a existência humana na face do planeta. Tudo passa. Tudo muda. Pode ser que haja um absoluto harmônico em que esse tipo de dúvida seja sequer reconhecido… Mas hoje, agora, não cedo ao impulso de dizer: infelizmente, a mediocridade (pela terceira vez, no sentido pejorativo) pontua, pontifica, marca, orienta, se destaca… Infelizmente…

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