Cinema, ainda…

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Recentemente, vi dois filmes que me fizeram pensar numa série de coisas. O primeiro deles se chama Madame, dirigido por Amanda Sthers, lançado em 2017. Adicionando um pouco de tempero a um casamento decrescente, Anne (Toni Collete) e Bob (Harvey Keitel), um casal americano rico e bem conectado, se mudam para uma casa senhorial em Paris. Ao preparar um jantar particularmente luxuoso para amigos internacionais sofisticados, a anfitriã descobre que há treze convidados. Anne, muito afeita a superstições e protocolos de “etiqueta”, resolve que número par de convivas é o ideal e convence sua governanta e lela empregada, Maria (Rossy de Palma, uma das atrizes preferidas por Almodovar), a se fazer passar por sua amiga, milionária e convidada para o tal jantar. O enteado da anfitriã convence outro convidado sobre a nobreza e riqueza da misteriosa convidada que, depois de um pouco de vinho e uma conversa divertida, se atrapalha. Um romance se desenha e a patria passa o resto da narrativa tentando desfazer as alegres, sinceras e divertidas aventuras da empregada ue se envolve com o outro convidado. O plot parece idiota, banal, vulgar. No entanto, o desemprenho de Toni Collete e sua colega espanhola transformam essa aparentemente divertida comédia romântica num filme que, com tintas suaves, toca em questões sérias, profundas e, por que não chocantes. A personagem interpretada pela atriz australiana é sagaz, inteligente, fútil, sexy, dissimulada e inconsequente. Tdo misturado. Depois que vê o desenrolar inesperado de uma história que a incomoda – a alegria e a felicidade do romance que se desenha – faz de tudo para dissuadir sua empregada de continuar mantendo essa história. O envolvido não se dá conta do que se passa e acredita estar apaixonado pela misteriosa milionária. A par disso, o enteado da anfitriã, real criador da situaão inusitada, tenta escrever mais um romance, ressionado que está por seu editor – outro dos convidados. O que “pega” é que a anfitriã mantém um caso amoroso tórrido com um outro convidado, não ingenuamente, o que vai tirar seu marido da inevitável bancarrota financeira. O caso amoroso da patroa não “vinga”, por isso, seu desespero em ver a felicidade da outra. No meio de muitas peripécias – há uma cena hilária do casal de protagonistas anfitriões, devorando sanduíches fast food, enquanto espionam o feliz casal, cena muito bem escrita com um diálogo pra lá de sutil e engraçado – a patroa consegue armar uma situação. Não vou contar pra deixar a curiosidade de quem me leu até aqui procurar pelo filme. Bom proveito!

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O outro filme se chama Victoria e Abdul – o confidente da rainha (2017, Stephen Frears), protagonizado por Judy Dench e Ali Fazal. Ambientado na Inglaterra vitoriana, colonial, soberba de seu poderia no Índia, o filme passeia pela inesperada intimidade que vao sutilmente sendo construída através de diálogos primorosos entre a rainha e um serviçal indiano. Este vem a Londres para, simplesmente, segurar uma bandeja com uma moeda que é presenteada a uma rainha entediada, obesa, que dorme à toa, come vorazmente e arrota sem a menor cerimônia. Mas ele tem que obedecer a uma ordem irrecorrível: não deve olhar para a rainha. Diz o adagiário que tudo que é proibido é mais gostoso: ele olha para ela e ela para ela. É o que basta para a amizade (íntima) se estabeleça. Em paralelo, a “corte” se preocupa, se desdobra e se desespera com os desmandos da rainha que , a cada passo, confia mais no indiano e menos em seu staff. Acontece de tudo e mais um pouco. Há peripécias e reviravoltas, obviamente. O filme é leve. Como o que comentei antes, toca em questões espinhosas do ponto de vista político, ético e afetivo. Para minha surpresa o final não foi oque minha imaginação desenhou. Este desenho, eu não vou apresenta-lo aqui. Tenho a esperança de sucesso na provocação que repito uma vez mais. Declino da oportunidade de falar sobre Judy Dench, impecável – se é possível “definir o talento de alguém em uma única palavra. O ator indiano, não conhecia, mas encanta, seduz, mesmeriza e dá veracidade irretocável a uma personagem escrita a partir de um sujeito cartorial com certidão de nascimento e óbito. Vejam o filme. Vale muito a pena!

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