Fim de tarde

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Poema de ocasião

 

Denegando Carlos, com o espírito de Álvaro

Silenciosamente, a água vai ficando lisa, em superfície

Espelho mudo que reflete o chumbo refinado céu de chuva apenas anunciada

Da memória chegam, então, com o vento um tanto frio, as imagens de Coimbra

O correr lento e denso do miasma fluvial que segue, no Mondego, a juntada de lágrimas de Inês, ecoando melancólicas na saudade

O tempo que não passa

A nostalgia que se renova

As imagens envoltas em água que no diálogo fraternal traz de volta imagens de um passado nem tão remoto: a certeza das vicissitudes que se esgotam na imagem que se esfuma com o tempo sem perder o risco do afeto

A lágrima, o pó, a nuvem, a fala e mais nada: certo é que não se perde o som, aquele que embala o que ficou pra trás, sem comemoração, sem publicidade; ficou e só

Sem fim, sem começo e no meio o trânsito de nada entre um polo e outro de tudo, variado e misto, múltiplo e ínfimo, a indefinição que desenha e impõe o perímetro do afeto

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2 comentários sobre “Fim de tarde

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