Outros assuntos

Faz onze anos que comecei este blogue. Dá pra acreditar? Há quem acreditar sem dar mesmo… (ops…). Onze anos. Nesta retomada (mais uma de muitas, miríades delas nesta década mais um ano de existência escrita), ando falando mito de livros e, uma ou duas vezes, “rebloguei” (ai que palavra horrorosa!) alguma coisa. Às vezes por preguiça, absoluta preguiça. Outras, por considerar legal o que li e, somada à preguiça, veio a vontade de partilhar. Mas antes a preguiça (Diz o adagiário popular que a preguiça é o menos ofensivo dos pecados, porque impede que se cometam os outros… vai saber!). Retomando: tenho falado de livros, de leituras, de sentidos. Deu vontade de falar outra coisa. Mas aí vem o contra pensamento e me diz, coçando meu cérebro: pra quê? Quem há de ler? Que sentido tem fazer isso? E a gente continua fazendo… Ou tentando…

download (1)

Quando trabalhei lá onde se cruzam as duas diagonais traçadas sobre o mapa do Estado do Rio Grande do Sul, enquadrado; no zero geodésico do mesmo estado, participei de um grupo de trabalho para a reformulação do curso de mestrado em Letras. Sim. Naquele tempo, ainda no século passado, a coisa se chamava “curso”. Hoje, há magotes e magotes de “acadêmicos” que enchem a boca pra dizer que fazem parte de um “programa” de pós-graduação. Deixando as firulas de lado, fiz parte deste grupo e o resultado foi estupendo. Os estudantes deveriam fazer duas disciplinas obrigatórias apenas: Seminário de Dissertação I e II. Na primeira, refaziam o projeto apresentado quando da seleção para ingresso; na segunda, desenvolviam trabalho de escrita de 70 páginas – paulatina e cumulativamente no decurso do semestre – o que constituiria o “miolo” da dissertação, a ser aprimorado no último semestre do curso – Seminário II era sempre para quem estava no terceiro semestre do curso. A entrada se dava por seleção que contava com três etapas: projeto de pesquisa, entrevista e prova de língua estrangeira. Recomendava-se que os candidatos procurassem os professores do curso com antecedência mínima de seis meses, para que fosse montado o projeto a ser apresentado na seleção. A entrevista versava sobre este projeto e a prova de língua estrangeira era obrigatoriedade protocolar. Nos três primeiros semestres do curso – o quarto era dedicado para a conclusão do trabalho dissertativo a ser defendido ao fim de quatro semestres – os estudantes tinham que integralizar os créditos que eram divididos em oito disciplinas: duas no primeiro semestre, quatro no segundo e duas no terceiro. Para além dos dois seminários já mencionados, nos semestres ímpares, a segunda disciplina deveria ser, obrigatória e diretamente, ligada à sua área de investigação. No segundo semestre, as disciplinas eram aleatoriamente escolhidas, com auxílio do orientador. Todos os docentes trabalhavam, quase sempre, em todos os semestres. As disciplinas da graduação não passavam por desvalorização, dada a coerência da matriz curricular que, àquela altura, foi repensada para otimizar esforços do quadro docente então atuante, sem prejuízo daqueles que se encontravam em processo de qualificação. Os tempos eram outros… Ao final do primeiro semestre, os projetos, refeitos durante a disciplina Seminário I, eram avaliados por uma banca interna formada por dois professores mestres e o orientador, como numa defesa. O mesmo se dava com Seminário II que, neste caso, recebia o aval do orientador e era igualmente submetido a uma banca interna de dois doutores, mais o orientador. Para a defesa final, a dissertação era previamente enviada para a banca constituída (dois membros externos e o orientador) e só era apresentada publicamente se recebesse parecer positivo dos membros externos. Toda essa parafernália funcionava muito bem até a minha saída. Depois que saí de lá, expandiram o projeto e criaram o doutorado. Não sei dizer se funciona ainda do mesmo jeito, nos dois níveis. Fato é que as avaliações têm sido mito positivas, pelo que me contam.

images

Esta historinha tem uma razão. Quando voltei para Minas Gerais, na continuação de minha carreira docente, certa feita, apresentei – com um colega/amigo querido – esta mesma proposta como ponto de partida para a abertura de um processo de discussão departamental que levasse à construção de projeto similar naquela localidade das alterosas. Ao fim da explanação, um colega parabenizou-nos; outro disse se tratar de ideia interessante; a chefia manifestou-se a favor de iniciar a discussão. A apresentação sequer foi registrada em ata e os anos se passaram. Muitos anos depois, eu já na Croácia, trabalhando como Leitor de Português, na Universidade de Zagreb, fico sabendo que o tal de mestrado tinha sido aprovado no departamento em que trabalhava aqui no Brasil. Desapontado e estupefato, constatei que o único doutor que não constava da lista de docentes permanentes do tal “programa” – a capes evoluiu e implantou a terminologia em nome da superioridade qualificativa do termo e sua sensatez institucional – era eu. Todo o desencanto com a reação cadavérica quando da apresentação da ideia anos atrás voltou. Juntou-se a ela um dissabor que nem sei… E hoje, estou aqui escrevendo… Será que alguém quereria saber o que vai em minha mente sobre isso tudo, quase dez anos depois?

Pronto! Consegui escrever sobre outro assunto! Ufa…

download

3 respostas para “Outros assuntos”.

  1. 🙂 Tem de voltar novamente, daqui a 11, para eu dar a minha opinião…
    Parabéns por insistir e não desistir.

  2. Inveja, apropriação indevida de ideia alheia, arrogância e mais algumas cositas no plano pessoal. Já chega? Ainda bem que você escreveu. Escrever sempre é uma forma de encerrar um processo. Como na academia. Beijinho.

    1. A ver se não desisto de vez desse blogue…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: