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Li na edição de hoje do jornal Estado de Minas uma notícia que me fez pensar. Geralmente, leio as manchetes e, quando muito, a legenda da foto – quando é o caso. No entanto, hoje, depois de fazer a leitura de praxe, dei-me ao trabalho de ler a matéria na íntegra. Trata-se de um caso que ocorreu há quase dois anos, se não me engano em Pernambuco. O professor chama a atenção de uma estudante, em sala de aula, mudando-a de lugar porque ela estava conversando e, assim, atrapalhava o andamento do seu trabalho. A “estudante” (Ou seria “estudanta”, a seguir as regras de gramática recentemente revisadas por alguém investido de “poder”…?) teria dito ao professor que já tinha 18 anos e que ninguém mandava nela (Minha vontade é de usar as aspas, mas não me atrevo: preguiça de procurar fontes e referências para ter certezas igualmente questionáveis…). Se li direito a matéria, no dia seguinte, a mãe (Ou teria sido o pai? Nas atuais “condições de temperatura e pressão” isso faz mesmo diferença?) foi até a escola e fez reclamação contra o professor, “argumentando” que a filha foi constrangida diante dos colegas e que estaria sofrendo consequências psicológicas em seu comportamento por conta da violência do professor. A referida “mãe” acionou o Conselho Tutelar e o Ministério Público de Pernambuco. O professor, ao que parece, registrou boletim de ocorrência e o processo “correu”. Levou um tempo, mas, ao final, a família da “aluna” foi condenada a pagar R$ 5.000,00 de indenização ao professor, parece, por danos morais. A matéria termina com uma “pérola” da psicóloga (Não coloquei aspas na segunda palavra para não ficar pesado… o visual da frase!), que afirma que o professor tinha razão pois “O professor tem direito a ditar regras e os alunos devem estar preparados para ouvi-lo” (Declaração da “especialista”).

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Pois bem. A primeira coisa que me veio ao pensamento foi a atitude da aluna. Pouco a comentar. Tenho primas professoras e diretoras de escola. Sou professor universitário. Escuto relatos os mais variados daqui e d’acolá. Logo, pouco a comentar. A atitude desta “garota” nada mais revela que a falência da educação que ela não recebeu. Fico imaginando o que deve ter sido dito a ela, que exemplo ela terá presenciado, que tipo de relação com a realidade ela estabeleceu a partir do que vê, escuta e faz em casa. Aqui ratifico um bordão: educação se adquire em casa e é responsabilidade dos pais. Na escola, o processo é de escolarização, portanto, complementar. No meu tempo (Fala Matusalém!) a gente entrava na escola sabendo escutar, obedecendo ordens, reconhecendo a autoridade e comportando-se adequadamente. A segunda, diz respeito às atitudes da mãe e do professor. Quanto ao segundo, imagino o que deve ser passado por sua cabeça quando da reação da aluna. Em seu lugar, não sei se teria sangue frio e sensatez suficientes para saber reagir de maneira adequada. Já em relação à “mãe”, bem, que coceira na língua… Essa mãe deve ser mais um exemplar do estereótipo que, infelizmente, hoje impera nas famigeradas “redes sociais” e peças publicitárias. Não deve passar disso: um estereótipo. Pelo que a notícia traz de declarações da dita cuja, a atitude que toma é, igual e infelizmente, típica. Guardei o melhor para o final, coincidentemente, seguindo a ordem cronológica da “narrativa” que a notícia explicita (Alguém pode me explicar como foi que nasceu e tem se desenvolvido esse novo conceito de “narrativa”? Intrigante…). A psicóloga, “especialista”, segundo o texto da notícia. A dita cuja afirma que – e repito –: “O professor tem direito a ditar regras e os alunos devem estar preparados para ouvi-lo”. Li corretamente?: “direito a ditar regras”? Até onde acompanhei a procissão, penso que não se trata de “direito” e, muito menos, de “ditar regras”. Estas preexistem a qualquer volição subjetiva. Depois, o professor é responsável pela execução de atividades condicionadas a princípios e regulações que devem ser seguidos, independentemente da vontade de outrem. Ou seja, ao entrar na escola – se educado, obviamente – o estudante introjeta as regras da instituição em que inicia suas atividades exatamente por força da educação que recebeu em casa. Ou seja, não se trata de direito, mas de responsabilidade, obrigação. E não de “ditar regras”, mas de fazer segui-las, obedecê-las, operacionalizar os princípios de comportamento e execução das atividades formativas. A sequência da assertiva “especializada” por aquela que é identificada como “psicóloga” é por demais óbvia: prescinde de exegese…

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É isso. Assim caminha a humanidade…

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3 comentários sobre “Notícias

  1. Essa psicóloga não teve aulas de psicologia escolar pelo jeito, ou esqueceu tudo o que viu. Um ambiente escolar ditatorial não pode fazer bem para uma boa educação, não formará uma pessoa capaz de pensar por sim, nem de saber criticar o que é certo ou errado. Mas concordo que, hoje em dia, os professores estão um tanto quanto com as mãos atadas.

  2. Mais um oportuno e excelente texto! Infelizmente os conceitos mudaram e para pior, Há muito que o respeito pelo professor terminou… Sinto ter sido privilegiada pelos anos em que lecionei e tive alunos e pais que me tinham consideração e respeito!

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