Da menos valia exemplar

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São doze salas. Em duas delas há gente. Oito da manhã e nada. Nas outras dez salas, o vazio. O mesmo vazio que vem representando o universo das ideias na “academia” nos dias que correm. Parece que quanto mais próxima a aposentadoria mais sem sentido vai ficando tudo. O ritmo acelerado de empobrecimento de tudo é flagrante e inegável. Quem disser o contrário deve estra vivendo dentro de uma bolha… E pensar que as salas já ficaram cheias até quase onze da noite numa sexta-feira em priscas eras. Na mesma época em que turmas vespertinas de matérias eletivas tinham lotação completa… Passado… Oblivium… Ou simplesmente decadência? Difícil de responder, de explicar, de aceitar. Enquanto isso, delicio-me com uma parte de um livro de ficção – há quem o trate por romance – sobre o qual ainda vou falar aqui. O autor não frequenta as flips, flops, flups que grassam por aí… mas escreve danadamente bem… Mais não digo, para não tirar a graça do que pretendo escrever aqui sobre o livro. Dele, coloco hoje apenas alguns excertos que o autor chama de “Sofismas Diários (Por Eusébio Sousa)”. Há uma epígrafe que aqui também reproduzo: “… e veio-me grande enjoo às adivinhações e aos aforismos, Graciliano Ramos”. Lá vai:

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“A agonia é a recompensa daqueles que teimam em não desistir.”

“A autoajuda é o pontapé inicial da espécie humana.”

“A contribuição dos intelectuais, ao longo da história, tem sido relativamente importante para a sociedade dos cupins.”

“A esperança é a face diurna da insônia.”

“A fidelidade masculina se equilibra numa imaginativa empresa manufatureira que costumeiramente desperdiça milhões de possibilidades de vida.”

“A História como ciência será sempre uma arte de variados gêneros.”

“A língua pode ser a instância de encontro entre a abstração artística da obra e a crueza nua da realidade: notou como os pobres estão cada vez mais acabados?.”

“A mais valiosa virtude não prescinde do outro lado da balança.”

“A maternidade foi a inspiração para o cavalo de Troia.”

“A misantropia é o arquétipo primevo da civilização.”

“A mudez dos livros tem a voz do leitor.”

“A ostentação é uma forma irônica de indigência. Como um morto querido é evocado sem que se perceba, de igual maneira, em sentido inverso, porém, a demonstração da posse da mercadoria empurra as individualidades também para o anonimato de uma vala comum.”

“A poesia hoje deve dizer nada com nada. O esforço poético moderno se traduz como um exercício constante da redundância: sabemos de cor todos os põem, as por fazer.”

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