Gotas de chatice homeopática

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Alguém poderia me dizer por que é que jogador de futebol, em sua maioria, quando em entrevista, não olha para o repórter ou para a câmera. Reparem que os olhos viram em todas as direções menos na do(a) repórter ou do(a) cinegrafista. A exceção se dá quando de uma entrevista coletiva, então o olhar se fixa, sabe Deus onde… Para além deste “mistério” há outro, mais insondável ainda: a prosódia do indivíduo. Melhor seria usar o plural aqui: dos indivíduos. Todos eles, quase em exceção – não perdi meu tempo fazendo “pesquisa de campo” para comprovar esta tese – falam da mesma maneira, com a mesma entonação, utilizando as mesmas expressões, falando muita bobagem e dizendo quase nada… O fato é que, mesmo em outras línguas, o mesmo fenômeno ocorre. Fico intrigado…

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Nesta mesma seara, a da observação do alheio, causa espécie a formalidade no uso dos pronomes de tratamento entre os “parlamentares” e os “magistrados” em Pindorama. Chega a ficar um tanto ridículo – no sentido mais genuinamente etimológico do termo. Por que é em Pindorama! Quando a gente escuta ou vê um desses tipos falando com outro, por força do imaginário que vai se criando e consolidando ao fio dos acontecimentos – os mais variados e, até, inesperados – que os envolvem, esta forma de tratamento parece “ruído na comunicação”, para usar expressão corrente nos cursos de comunicação social, sobretudo na especialidade de jornalismo. Aliás, esta referência me leva a lembrar de um fato ocorrido há uns trinta anos, quando eu ainda dava aulas para o curso de comunicação social da, então, FAFI-BH, hoje Uni-BH. Os tempos mudam… Houve uma estudante, infrequente e relapsa, que, depois dos comentários que fiz numa aula a partir de um exercício que eu propusera, irritada, perguntou porque é que o curso não oferecia uma disciplina que ensinasse aos futuros “comunicólogos” – é assim mesmo que o jargão politicamente correto (Ai que chatice!) impõe como regra? – como fazer uma entrevista. Acrescentou que isso deveria fazer parte do currículo obrigatório do curso e que seria de total responsabilidade do curso. Ela estava irritadíssima e o tom de sua pergunta, para além de grosseiro, era provocativo. Com desdém, dirigiu-me a pergunta. Só fiz levantar a sobrancelha direita e respondi abruptamente que fazer uma entrevista era prática que envolvia presença de espírito, inteligência e informação. No seu caso, disse eu à irritada estudante, vai ser impossível, pois você é desinformada, não tem presença de espírito e não demonstra nível de educação minimamente suficiente. Virei as costas e saí da sala, deixando a garota boquiaberta, sem resposta. Será que fui grosseiro em demasia? Posso garantir que os atributos dirigidos à menina eram mais que respaldados por suas atitudes e seu desempenho em sala de aula – o que raramente acontecia, por sua própria infrequência…

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Para terminar, mais uma dose de chatice. Ontem, lendo as postagem do Twitter, deparo-me com uma peça promocional: Paulo Coelho lança livro ensinando aos candidatos a escritor como escrever um romance. Desliguei o tablet e fui dormir…

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3 comentários sobre “Gotas de chatice homeopática

  1. Você é porque não entende, José Luiz. Os jogadores conversam com entidades sobrenaturais, portanto olham para elas. A sua aluna queria um curso sobre entrevistas ao qual provavelmente não estaria presente. Conclui-se daí que ela queria ser uma comunicóloga, sim, mas de outros assuntos. E Paulo Coelho é um ótimo professor de escrita, porque o que escreve rende rios de dinheiro. E este, hoje, é o parâmetro para se analisar sucesso – o que não significa necessariamente competência linguística e imaginação. Mas para quê esses dois últimos requisitos se ninguém lê mesmo? Entendeu agora? Pois então. Beijinho noturno para você.

  2. Acho que falta uma instrução por trás dos jogadores. Deveriam investir em comunicação, em algum tipo de estudo. Mas isso não acontece, aí aparecem essas entrevistas bizarras. Mas, entre eles, há uma regra sobre entrevistas, sem falar que ficam usando jargões, enrolando, sem dizer nada, também por medo de dizer algo comprometedor.

  3. Adorei sua resposta “em forma de luva de pelica” à aluna irritadinha
    e sem razão alguma .Eu terei feito o mesmo! Quanto aos jogadores , como diria a Copélia do ” Toma lá, da cá”, prefiro não comentar !

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