Palavras ao vento

download (1)

Vi, hoje, o filme sobre Vincent van Gogh. Tocante. Confesso que a técnica colorista que foi utilizada – nos créditos há a informação que uma centena de artistas pintou o filme manualmente – causou-me certa aflição no começo. Confesso também que houve algumas lacunas por conta do imenso sono que senti: tive que acordar às cinco para viajar, como faço todas as semanas. Viagens curtas, mas… Bem. O sono prendeu-me em vários momentos, mas não suficientes para que eu perdesse o fio da história. O filme se desenvolve a partir da hipótese de especulação sobre a morte do pintor holandês. O filho do carteiro tem que entregar a carta que Vincent deixou para o irmão Theo. Em vão. Logo ele descobre que Theo morreu e, então, um rosário de peripécias e reviravoltas faz com que o carteiro acabe por desenhar um caminho que leva à compreensão de muita coisa, ainda que a morte não tenha ficado esclarecida. Ou tenha, mas, simultaneamente perdera sua importância frente ao universo de valores e ideias que o mesmo fato legou ao filho do carteiro, como herança. O filme tem muita fofoca. Isso é o que me levou a tentar despertar do torpor (hum… será que ficou essa composição – despertar do torpor? Fosse poesia, talvez rendesse mais. Vou deixar como está. Faz muito calor agora…) e escrever. A fofoca. Numa sequência bastante instigante, não muito distante do início do filme – agora falo de outro filme – o padre está a fazer o sermão. Ele fala pausadamente, com calma e serenidade – sempre me pergunto se palavras como estas têm mesmo diferenças semânticas assim tão acentuadas, ao ponto de fazê-las destituídas da possibilidade da sinonímia). Ele fala olhando numa mesma direção, durante todo o tempo que dura sua prédica. Ele conta uma espécie de história: uma mulher vai em busca de confissão, depois de ter sonhado que era apontada por uma mão (desculpe o cacófato, irrecorrível). Ela fica apreensiva porque fazia muita fofoca com uma amiga sobre um homem que ela mal conhecia. Então ela vai em busca da remissão de seu pecado e confessa-se. Diz ao padre para explicar se a mão que ela viu no sonho era a mão de Deus, apontando para ela a severidade do pecado que cometera. Ela pede perdão. O padre diz pra ela voltar pra casa, subir ao telhado com um travesseiro e uma faca e cortar o travesseiro com a faca. Depois disso deveria voltar para ele. Ela obedece. No dia seguinte ela volta. Ele pergunta se ela tinha feito o que ele mandou. Ela responde que sim. Ele pergunta o que aconteceu. Ela responde que as penas voaram por todos os lugares. O padre diz então para ela voltar e catar de volta todas as penas. Ela diz que isso é impossível, pois o vento espalhou as penas para lugares que ela nem sequer conhecia e que não poderia jamais recolhê-las. Isso é a fofoca diz o padre. Nos dias que correm, vale a pena pensar sobre isso. A ligação para ver o trecho do filme segue abaixo. Trata-se de Doubt (A dúvida, na tradução tupiniquim, literal). Vejam o trecho. Prestem atenção na expressão de Meryl Streep e da outra freira. Depois, se quiserem, vejam o filme. Sei que vão gostar! A ligação é: https://www.youtube.com/watch?v=ut_VXcPdALY.

images

 

Anúncios

Um comentário sobre “Palavras ao vento

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s