Delírio: um romance

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“Então fica assim.

Fica assim como não havia ficado antes ou sempre tinha ficado.

Mas como assim, fica assim? Ih… uma rima, paupérrima, mas rima.

Isso poderia até ser o começo de um poema. Não há rima? Então… Se tem rima é poesia. Não é assim que “o povo” pensa? E não venha me dizer que isso é preconceito meu. Não é. Dá uma olhada em volta. Gaste um tempo sem olhar para o celular (andando, de preferência”) e dê uma olha em qualquer página de qualquer publicação que ousa publicar “poesia”. Há de se ver uma rima. Nem que seja um. Umazinha só… Não é regra, mas acontece. Claro que há poemas sem rima. Há publicações que mostram poemas sem rima. Como eu disse, não há regra. E mesmo que houvesse, não dizem por aí que toda regra tem exceção? Quanta originalidade… Que falta de assunto… Ai que preguiça! Se ao menos alguém prestasse atenção… Mas não… na primeira semana, você diz que não pode voltar da casa de seus pais a tempo. Chegou no dia seguinte ao começo de tudo. Pois bem. Como não há maneira de comprovar a veracidade do argumento passa. Na segunda semana, a sua desculpa – sim, trata-se de uma desculpa e não mais que isso – foi a conjuntivite. Para criar um “fato”, você manda dizer que não vai faltar da próxima vez. Há quem tenha acreditado… Como previ… nada… Nem desculpa nem nada… absoluta indiferença. Como se isso não havia acontecido antes. Já aconteceu, mas não assim. Então você levanta a voz e se diz prejudicada porque teve seus direitos vilipendiados. Que tem sido tratada com preconceito e assédio, blá… blá… blá… Quem deveria prestar atenção e dar assistência, está mais preocupado com a sobrecarga da colega recém-chegada… Clama por ajuda e argumenta que ela não é capaz d recolher item por item para a tal tabelinha. E você ali, de nariz empinado, olhando para os outros com desdém, falando alto, cortando a palavra alheia e cheia de razão. Isso também não é novidade. O dia passa. O calor da arde traz mais insetos. O cheiro de mofo se acentua. O silencia dos corredores é quase assustador. A noite cai – se machucou? A noite cai. O silêncio continua. Por sobre as pedras tricentenárias, poucos passos. Apena alguns murmúrios. Passos e murmúrios a cada dia mais escassos, apesar do tempo que correu e deixou suas marcas. Musgo entre as pedras. Cabeça de cruz cortada. Porta amarrada com fibra plástica. Lona estendida no chão. Telhas velhas quebradas. E você lá… Impávida… Esperando que o mundo pare pra prestar atenção em você, tão sem sal, tão sem graça, tão assim… O tempo passa. Muita gente continua escrevendo poesia com rima. Muita outra gente também continua escrevendo poesia sem rima. E a poesia continua, como você, impávida…”

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