Um dia a mais

th (1)

A cena não tem nada de original. Uma penas. Poderia ser a chance de mudança tão necessária, mas não. A cena se repetia, perdendo absolutamente  toda a possibilidade de se renovar. A cena era a mesma, repetida e triste. Na beira da estrada, um caminhão tombado. A carga espalhada. Dois policiais  com rancheta na mão, observando o”movimento da estrada”. Dos dois lados da pista, carros estacionados ao lado de pilhas e pilhas de sacos contendo, aparentemente, milho. Duas ou três pessoas carregando iguais sacos pelas costas, num passo apressado. Os militares observam. Mais gente estaciona o carro e sai correndo em direção ao monte de sacos. Duas pessoas catam do chão, os grãos esparramados e os juntam num outro vasilhame. A expressão de todos, de absolutamente todos, é de regozijo pelo triunfo de levar grãos para casa sem pagar nada. Se alguém falar em roubo, está ame puros… Podia ter sido diferente, mas não foi. A cena se repetiu. Uma vez mais, se repetiu. que triste…

th (2)

Vez por outra, alguém, abre a boca e, inesperadamente, diz coisas que a gente mesmo gostaria de ter dito. O momento é mágico. A revelação se dá, como por encanto, nas palavras simples e comovidas de uma pessoa homenageada. Foi assim com a Mônica. Conheci esta professora já faz uns vinte anos. Inesquecível a nossa tarde, à beira do Mondego, bebendo, ela, chope, eu, vinho do Porto. Uma tarde melancolicamente inesquecível,na melancolicamente linda Coimbra, às margens do Mondego. Se existe a possibilidade de se “viver” poesia, esta tarde em Coimbra, à beira do Mondego, foi uma destas oportunidades. Poesia. O discurso dela (veja o vídeo abaixo) é pra fazer chorar. Poesia pura!

th

 

 

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5 comentários sobre “Um dia a mais

  1. «Vez por outra, alguém, abre a boca e, inesperadamente, diz coisas que a gente mesmo gostaria de ter dito.»

    Meu caro Foureaux, essa é bem a história de minhas leituras.

    (O discurso é bem bonito, aliás.)

    Abraços!

    1. Cunha (ou prefere ser chamado PR? Meu caro, obrigado pela visita e pelo comentário. Mônica é uma pessoa deliciosamente divertida e séria. Faz tempo que com ela não me contro. Fui, literalmente, às lágrimas com ela e seu discurso… Abraço

      1. Trate-me por Ismael.

        Brincadeiras (e Melville) à parte, saiba que já me tornei frequente explorador deste blogue, meu caro Foureaux.

        Um abraço tropical,

        P. R.

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