Ele disse, ela disse…

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Não sei muito ao certo sobre o que escrever. O noticiário, histérico, repete à exaustão as mesmas informações sobre o incêndio em São Paulo. As explicações “técnicas”, igualmente histéricas, não acrescentam nada, absolutamente nada que esclarece o “fato”. Este permanece, indefectível: como a máscara que vai apodrecendo no retrato de Dorian. O modelo não envelhece, seu retrato apodrece. Penso na mesma dicotomia em relação ao fato de que se fala. As possibilidades são muitas. As explicações, inumeráveis. A ignorância s alastra, continua se alastrando, a partir da absoluta ausência de dados concretos. O que se sabe é que um monte de gente que não tinha onde viver invadiu o prédio, supostamente já condenado. Invasão. Esta é uma das palavras-chave aqui. A invasão não conta para o juridicamente correto “usucapião”. Invasão. A responsabilidade se dilui em três ou quatro “coordenadores” de um pressuposto programa de reassentamento dos invasores. Cadê eles? Já disseram isso e aquilo s ore estes indivíduos. A indignação de alguns diz da cobrança de aluguel. De outros, diz das péssimas condições da “manutenção” do prédio. Manutenção de prédio condenado? A autoridade, em seus três níveis, se exime, verbalmente, de qualquer responsabilidade. Uma vez mais, sem o glamour de Roland Garros, um pingue-pongue em nada sofisticado. O fogo destruiu o prédio, O prédio caiu. O que era prédio virou uma montanha de entulhos, os escombros. Muita gente na rua. Outra muita gente desaparecida. O infortunado rapaz que foi sugado pela parede do prédio que girou e caiu. Cadê o corpo? A corda e a “cadeirinha” foram encontrados. Já o corpo… O prédio caiu. O presidente foi lá e foi enxotado. O prefeito e o governador, que eu saiba, ainda não deram as caras. De á, disseram que a proprietária é a união. A união disse ter cedido, provisoriamente, a propriedade da edificação. O município afirma ter cadastradas as famílias que ali moravam. Tal registro serviria, supostamente, para reassentar as tais famílias cadastradas. Mas cadê os coordenadores do tal programa? E as gambiarras na rede elétrica? E o lixo nas caixas de elevador? E os barracos de madeira construídos em cada andar ocupado do prédio? E a chave pra abrir da porta do prédio que, dizem, estava trancada? Outra indignação se nega a ser levada para albergues e abrigos públicos. Vozes do além afirmam que se para lá forem, serão esquecidos. E a tragédia se perpetua por uma noite de gente dormindo em praça pública, ao relento. Como é que fica? Houve briga? Na briga, a panela de pressão foi mesmo jogada sobre o botijão de gás? Isso causou a explosão que teria causado o incêndio? E a histeria continua. Enquanto isso, tem gente carimbando notas de dinheiro como se isso não fosse crime…

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4 comentários sobre “Ele disse, ela disse…

  1. A que ponto chega a miséria humana no Brasil. Finalmente entendo a bolsa-família: um jeito de tapar o buraco da degradação absoluta – falta de emprego, de saúde, de educação, de dignidade – desde que as mulheres façam filhos, os filhos da desgraça, a contrapartida de um dinheirinho miserável para quem não tem mais nada. Horror! Filhos da PuTa! Sorry.

  2. Os ditos ” governantes corruptos” conseguiram acabar com os valores morais e éticos de parte do povo brasileiro, subornando-o com todas as espécies de “bolsas “, com falsas promessas e incentivando-o a ganhar sem fazer força!

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