O insustentável peso da ignorância

images (1)

Sim. Ignorância. O estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo; de quem não tem conhecimento, cultura, por falta de estudo, experiência ou prática; atitude grosseira; grosseria, incivilidade. Eu acrescentaria (presunçosamente), atitude de denegação do evidente, quando não se quer arcar com as consequências e a responsabilidade desta mesma evidência. O acréscimo, obviamente, é circunstancial e circunstanciado. Quem tem olhos de ver, veja. Ignorância, por óbvio, não é a mesma coisa que burrice. Uma pessoa pode não ser burra, mas ser ignorante. Há nuances: metafísica, orgânica, neurológica, comportamental e semântica. Afinal… tudo acaba por ser discurso… Pois é assim mesmo: a ignorância pesa, e muito. Todos em torno da mesa. Todos, supostamente, circunscritos ao mesmo rol de objetivos. Este rol constitui um campo de atuação que, por natureza, deveria ser organicamente interativo. Mas cada um sabe de si. Cada um tem sua própria história pra contar. Cada um tem sua experiência. E todos são “profissionais”. Em quê? Vamos pensar assim: cinco áreas – estudos linguísticos, estudos literários, estudos teóricos, estudos pedagógicos, estudos complementares. Que nome vai ter cada elemento orgânico eu não sei dizer, pelo menos, por enquanto. Por que há a legislação: os memorandos, as portarias, os decretos, as resoluções, os pareceres. E continua não havendo dinheiro. Vão ser construídos mais prédios, vão ser instalados mais computadores e aparelhos de datashow em cada sala, a biblioteca vai ter mais acesso à internete: inclusão digital, acesso à leitura, número de vagas. Mas e o quadro docente? Os que se aposentaram, os que morreram, os que foram removidos por permuta, as vagas novas… Tudo continua exatamente como sempre foi. Mas vamos lá, força na peruca. As cinco áreas deverão estabelecer a divisão pelo tempo de integralização. O tempo disponível é o mesmo para cada uma das cinco áreas. Simples operação aritmética de divisão por cinco. Estabelecido isso, cada grupo de profissionais vai ter que se sentar e decidir quem, quando, por quanto tempo e como. Em conjunto. Num trabalho INTEGRADO a ser executado, sem ferir os princípios reguladores institucionais, obedecendo às demandas estatutárias, fazendo efetiva a participação de cada um segundo a descrição de seus encargos. A palavra-chave aqui é INTEGRADO. E como diria a personagem de Rubem Fonseca; é aí que mora o busílis. A integração depende da lógica, serena e coerente. A lógica aponta para o bom senso e exige que uma coisa seja uma coisa e outra, outra coisa. Não. A frese está correta. Leia-a em voz alta. Heureca! Coerência, bom senso, em certa medida, exige trabalho, esforço. Mas e os mínimos? Tudo quer ser reduzido ao mínimo: trabalho, responsabilidade, bom senso. “Documento”? Para quê? Não é preciso. Já existe a lei. Internamente é a resolução. Documento para quê? E la nave va. O tempo passa e a conta vem. Como pagar? Quem vai pagar? “Ah… eu fiz isso!”, “Bem que eu avisei!”, “Eu disse que não ia dar certo.”, “Eles são pouco profissionais.”. O negócio é olhar pra frente e pensar: já não é mais comigo. Punto i basta!

images

Anúncios

2 comentários sobre “O insustentável peso da ignorância

  1. Que bom que foi a última vez. Há uma melancólica constatação de que, por mais que você apontasse saídas, tudo continuou como dantes no quartel de Abrantes. Mas é como você mesmo diz: já não é mais com você. Roda da vida em movimento. Sem olhar para trás. Beijinho.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s