A proposta

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Logo de início, pensei que seria possível mudar. Fiz o projeto. Tentei cercá-lo de toda a argumentação necessária à consolidação da proposta. O projeto foi aprovado. Começa a investigação. No meio do caminho, na iminência e uma reprovação, vem o veredito positivo: qualificado. Há que esclarecer que durante o prélio, desenhou-se outro caminho – de acordo com a aurora da observação: uma tentativa de salvar o trabalho até ali desenvolvido. Mas isso era conversa pra boi dormir. Bobo que não fui, segui a dica, implícita. Fiz exatamente o que foi esboçado naquele momento. Ainda assim, mantive a convicção de que era possível, plausível, sustentável, coerente, viável, relevante e importante pra mim, fazer literatura comparada numa mesma série “nacional”. Em outras palavras, como na tese, o corpus era formado por doze romances, todos de autores brasileiros em quatro momentos diferentes de sua História. Isso passou batido pois, no prélio final, as mesmas “vozes do além” se levantaram no vão desejo de desautorizar o que eu tinha feito. Deram com os burros n’água, as vozes do além… Segui em frente. Os anos de docência vieram a apresentar duas situações até então inusitadas. Na “realização” destas duas possibilidades, apoio-me na perspectiva metodológica que alimenta a argumentação de Rodrigo Gurgel:

“Minha leitura segue, de maneira proposital, parâmetros em grande parte desprezados na atualidade, quando a crítica literária não só difunde, mas também sofre dos três males apontados por Tzvetan Todorov: formalismo, niilismo e solipsismo. Trata-se, logo, de uma leitura a contracorrente. Exercício, como os leitores perceberão, nem sempre agradável; e que só pode ser enfrentado obedecendo-se ao que propõe Friederich Schlegel em um de seus brilhantes fragmentos: ser, enquanto crítico, um leitor que rumina – e que, portanto, deve ter mais de um estômago.” (Muita retórica, pouca literatura, Campinas, Vide Editorial, 2012, p. 23)

Sem saber – o livro de Rodrigo Gurgel é publicado 18 anos depois da minha tomada de convicção! – eu andei na contramão, mas, repetindo-me, os anos de docência me propiciaram as condições para pensar e falar e escrever sobre o que aqui vou apresentar: a comparação entre escritores brasileiros – Graciliano Ramos e Machado de Assis – por um lado, e duas obras de um mesmo autor português – Os maias e O crime do padre Amaro. Isso começa amanhã. Fazendo uma blague com célebre dito imperial: quem se interessar… me leia!

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