Grito de alerta

Não posso garantir a veracidade das afirmações abaixo. Não posso garantir que o autor seja mesmo o que assina. Não posso garantir nada. Mas posso concordar com o sentimento que o texto expressa e por isso, só por isso, resolvi fazer dele a minha postagem de hoje. Se é possível dizer alguma coisa, eu digo: é revoltante… Ah… em tempo, a reprodução encontra-se no seguinte endereço: https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/10746/o-desespero-para-ser-medico-fora-do-brasil

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O desespero para ser médico fora do Brasil

Eu tenho cada vez menos condição psicológica de ser médico no Brasil, eu estou perdendo a minha consideração e a minha caridade pelo brasileiro, tanto pelos pacientes como pelos médicos dessa espelunca, desse inferno, dessa mistura de jogo de futebol, Carnaval e prostíbulo que se tornou o país…

Meu respeito pela vida vem diminuindo… Eu rezo, procuro filosofias e religiões, leio sobre outros assuntos e não adianta…

Eu não consigo mais sentir só “pena” da coitada e de todas as coitadas que morreram nas mãos de marginais como “Dum Dum” ou “Bam Bam” ou “Dr. Los Angeles Rocks”… (seja lá como se chamam estes picaretas); eu já sinto também REVOLTA porque não acredito que elas tenha sido “enganadas” e nem que algum brasileiro possa ser “enganado” em alguma coisa do seu verdadeiro interesse.

Eu sinto, Deus que me perdoe, asco de pacientes que DESPREZAM os médicos que estudaram, que se sacrificaram, que fizeram Residência, que aos 18 anos prestaram um vestibular dificílimo, que nos seus melhores anos estavam na frente de cadáveres…

Me dá vontade de vomitar vendo essa gente mostrando uma bunda, um peito mais bonito e dizendo que fez por um “preço especial” com um “médico conhecido indicado por uma amiga”… Como se um ser humano fosse um porco, uma vaca, um pedaço de bife que se compra em açougue…

Eu tenho NOJO desse povo corrupto que espera com cara de vaca o matadouro petista que se aproxima na eleição de outubro, que já entra no consultório perguntando pelo direito da “reconsulta”, que não acredita no diagnóstico dos médicos porque no Google está diferente… Que pensa numa coxa, num seio, numa bunda linda para se vestir como uma PUTA cantando barbaridades em clipes de funk feitos nas favelas do Rio de Janeiro…

Eu tenho náuseas quando encontro uma mulher que se deixa operar por vigaristas com corpo de surfista bronzeado e óculos espelhados… que pensa que ele vai transar com ela ao invés de operá-la…

Eu tenho desprezo, além destes pacientes, pelos meus colegas covardes e corruptos que viram os Vagabundos Petistas destruindo a profissão e se calaram, e se esconderam e fizeram que “não era com eles para não perderem o emprego”…

Eu sinto ânsia de vômito ao vê-los se abaixando para cães e cadelas petistas que se disfarçam de “médicos”, “enfermeiras”, “psicólogas”, e “assistentes sociais” que os humilham, que fazem da vida dos verdadeiros profissionais da saúde um pesadelo impondo a covardia no conceito comunista de “trabalho em grupo”…

Que Deus me perdoe pelas barbaridades que escrevi acima, que Deus possa dar descanso àqueles que morreram nas mãos de todos os bandidos que infestam a área da Saúde no Brasil e paz e conforto às suas famílias… e que Deus, se puder se lembrar de mim, me ajude acima de tudo a sair daqui e NUNCA MAIS voltar a exercer a Medicina no Brasil!

Milton Pires

Médico cardiologista em Porto Alegre

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Perguntas…

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Por que será que há tanta gente que atravessa a rua/avenida, fora da faixa de pedestres, bem embaixo de uma passarela?

Por que será que o currículo de um curso de letras tem que ser pensado em termos das “linhas de pesquisa” da pós-graduação, em lugar de se voltar para o BNCC por mais famigerado que seja?

Por que será que há pessoas que insistem em passar dois ou três carrinhos cheios de mercadorias pelo caixa do supermercado limitado a quinze itens?

Por que será que as pessoas não aprendem a chamar de doutro apenas àqueles que defenderam uma tese de doutoramento?

Por que será que boa parte dos condutores de coletivos insistem em se locomover fora da faixa exclusiva para eles?

Por que será que boa parte dos motociclistas – sobretudo aqueles mais subnutridos, usando havaianas brancas, apenas capacete e falando ao celular com fones de ouvido – se sentem no “direito” de se enfiar entre os carros e se aboletar na frente deles nos semáforos?

Por que será que alunos de graduação acreditam que enganam o professor quando selecionam, copiam e colam trechos de texto em mídia eletrônica, mesmo trocando “belo” por “bonito”, “nunca” por “nem sempre”, “bastante” por “muito”, etc.?

Por que há gente que insiste em caminhar na rua, entre os carros, em lugar de caminhar pelo meio fio?

Por que sempre há gente que sai correndo para a porta de embarque no aeroporto assim que o funcionário da companhia aérea aparece?

Por que homem arranca, com barulho e agressividade, as folhas de papel toalha, se bastam apenas duas ou três?

Por que há profissionais – e não são poucos, infelizmente – que insistem em marcar data e hora para “entregar” seu trabalho e não o fazem, quase sempre, usando as desculpas mais esfarrapadas?

Por que, nos dias que correm, há tanta gente enfiando um “aí” nos lugares mais inusitados da frase incorrendo em erros medonhos e causando um enfadonho tédio no ouvinte?

Por que mortadela?

Por que coxinha?

Por que? Por que? Por que?

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Vai e vem do pensamento

Escrever sobre o quê?

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O eclipse se foi, ou está indo, pela hora… Fui impedido, pela geografia, de vê-lo, apreciá-lo. Devo sentir-me marginalizado? A raiva deve ser o sentimento a me mover deste momento em diante? A quem devo recorrer, ou deveria??? Tudo isso ou nada disso, vai saber… Fato é que a semana correu e quase não a vi passando. Consultas médicas, solicitação de senhas para serviços prestados por “planos de saúde”… Passou e já se aproximam outras, com os exames, os famigerados “retornos”, a pouca vontade de atender bem que caracteriza certas práticas de atendimento público e privado. Já não á mais exceção. Depois de um almoço divertido em Moeda (ô serra bonita… e bem aqui ao lado de Belo Horizonte!), na casa da Ângela, do Pedro e do Éric, ontem, não fiz quase mais nada. Resolvi fechar a semana, com esperança de que na outra consiga escrever mais, ainda que eu saiba que não vou ter certeza sobre o que irei escrever. Outra certeza é a de que poucas pessoas vão ler o que escreverei. Não há novidade nisso e não lamento possível, apenas a constatação, fria e objetiva. Pois é… E já lá se vão algumas linhas…

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Fiquei pensando, enquanto fazia minha caminhada diária em torno de minha casa, sobre algumas coisas sobre poesia. Mais especificamente, poesia traduzida. E mais especificamente ainda, na poesia de Garcia Lorca. Vi um filme dele outro dia sobre a relação entre Salvador Dalí e Garcia Lorca (Little ashes, Paul Morrison, 2008). Uma peça de arte delicada e sensível, bastante direta que aborda com correção – até prova em contrário – um passo da relação entre os dois artistas, enfocando o caráter homoerótico que moveu e desmoveu esta mesma relação. Mas não é o filme que me interessa e, sim, a poesia. Fiquei pensando no trabalho do tradutor que tenta, galharda e esforçadamente realizar a transliteração/transposição/versão/transição de um poema. No fim, uma categoria de leitor que se acredita superior, pode vir a tecer comentários sobre a tradução. Refiro-me àquele tipinho que come feijão e arrota caviar e que insiste em responder pela alcunha de teórico. Ao que querer explicar o inexplicável – a poesia, ela mesma – o tal teórico mete os pés pelas mãos. Devo esclarecer que ao nomear de teórico a um tipinho execrável, estou longe de generalizar e não fazer as devidas vênias. Claro está que existem teóricos e teóricos. Por menos que eu goste dele, Luiz Costa Lima é um nome que deve constar da lista dos teóricos de espessura e espectro respeitável, para ficar em um único exemplo. Continuando… Os tipinhos execráveis pululam na triste e decadente “universidade”. Geralmente estão para alcançar a casa dos 40, receberam a formação mais superficial e estereotipada cabível e se incensam por isso, pontificando aqui e alhures os lugares comuns, os chavões, as falácias, as palavras de ordem e a babação de ovo. São estes tipinhos que ao “teorizar” sobre a tradução de um poema, por exemplo, começam falando de um verso que contém uma palavra que é escrita com “ç”. A coisa até anda quando chega a pergunta que o tal “teórico” se faz sobre o como e o porquê da curva no, a cedilha, esteja apontando para trás e não para frente. Especula sobre as origens culturais e/ou nacionais do poeta como possível fonte de explicação. Daí, deriva para a “conexão” da poesia traduzida e suas raízes políticas afirmando, sem espaço para dúvidas (!), que isso é o que faz compreender o que poeta quis dizer e por aí… Ai que preguiça…

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Essa conversa mole serviu para eu voltar a pensar no livro que desejo escrever. Um livro que se volta para uma história de amor triste e insatisfeita. Vítima da opressão sociocultural do momento em que se desenvolveu e se explicitou em cartas que mais parecem labirintos que se perdem nas curvas do pensamento que tenta dizer “eu te amo”. No entanto, uma relação que, para a poesia contribuiu, e muito. Ainda que eu concorde com a assertiva de que, comparada com a russa, a francesa, a inglesa, a Literatura Portuguesa pode parecer bastante frágil… O livro vai sair, qualquer hora desses… Um livro de cartas.

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Idas e vindas

Segunda-feira, 23, comemorei a conclusão do meu 62º ano de vida. Na terça, fui ao médico que vai começar a cuidar de mim, de agora em diante. Hoje, voltei ao médico que me acompanha, e à minha próstata, por quase cinco anos. Junte-se a isso a minha proverbial “síndrome” de Macunaíma… e temos dois dias sem postagem. Mas antes de voltar ao urologista, li o texto que segue. Fica ele, então, como ponto de retomada das anotações diárias desse diário em nada convencional…

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Dicas para quem já passou dos 60.

Gaste o seu dinheiro com você, com seus gostos e caprichos.
É hora de usar o dinheiro (pouco ou muito) que você conseguiu economizar . Use-o para você, não para guardá-lo e não para ser desfrutado por aqueles que não tem a menor noção do sacrifício que você fez para consegui-lo.
Não é tempo para maravilhosos investimentos, por mais que possam parecer bons, eles só trazem problemas e é hora de ter muita paz e tranquilidade.
PARE de PREOCUPAR-SE COM A SITUAÇÃO FINANCEIRA dos filhos e netos. Não se sinta culpado por gastar o seu dinheiro consigo mesmo. Você provavelmente já ofereceu o que foi possível na infância e juventude como uma boa educação. Agora, pois, a responsabilidade é deles. JÁ NÃO é época de sustentar qualquer pessoa de sua família.
Seja um pouco egoísta.
Tenha uma vida saudável, sem grande esforço físico. Faça ginástica moderada (por exemplo, andar regularmente) e coma bem.
SEMPRE compre o melhor e mais bonito. Lembre-se que, neste momento, um objetivo fundamental é de gastar dinheiro com você, com seus gostos e caprichos e do seu parceiro. Após a morte o dinheiro só gera ódio e ressentimento.
NADA de angustiar-se com pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam bons momentos para serem lembrados, sejam os maus, que devem rapidamente ser esquecidos.
Independente da idade, sempre mantenha vivo o amor. Ame o seu parceiro, ame a vida.
LEMBRE-SE !! “Um homem nunca é velho enquanto se lhe restarem a inteligência e o afeto”.
Seja vaidoso. Cabeleireiro frequente, faça as unhas, vá ao dermatologista, dentista, e use perfumes e cremes com moderação.
SEMPRE se mantenha atualizado. Leia livros e jornais, ouça rádio, assista a bons programas na TV, visite a Internet.
Respeite a opinião dos JOVENS. Muitos deles estão mais bem preparados para a vida, como nós quando estávamos na idade deles. Nunca use o termo “no meu tempo¨. Seu tempo é agora.
NÃO caia em tentação de viver com filhos ou netos. Apesar de ocasionalmente ir alguns dias como hóspede, respeite a privacidade deles, mas especialmente a sua.
Pode ser muito divertido conviver com pessoas de sua idade.
Mantenha um hobby. Você pode viajar, caminhar, cozinhar, ler, dançar, cuidar de um gato, de um cachorro, cuidar de plantas, jogar cartas de baralho…
Faça o que você gosta e o que seus recursos permitem.
ACEITE convites. Batizados, formaturas, aniversários, casamentos, conferências … Visite museus, vá para o campo … o importante é sair de casa por um tempo.
Fale pouco e ouça mais. Sua vida e seu passado só importam para você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja breve e tente falar sobre coisas boas e agradáveis. Jamais se lamente.
Permaneça apegado à religião.
Ria muito, ria de tudo. Você é um sortudo, você teve uma vida, uma vida longa.
Não faça caso do que dizem a seu respeito, e menos do que pensam de você.
Se alguém lhe diz que agora você não faz nada de importante, não se preocupe. A coisa mais importante já está feita: você e sua história.
“A vida é muito curta para beber um vinho ruim”.
(Texto de Gustavo Krause)

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Síndrome de Macunaíma

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“O que comigo se passou hoje foi uma experiência extra sensória? Sair do próprio corpo ainda que sem poder vê-lo de fora? Um sono incontrolável, daqueles de fazer pender a cabeça. Uma lassidão dormente e pesada segurando todo o corpo depois de acordada. Terá sido isso?” (Autor desconhecido)

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O dicionário é que diz: “compaixão: substantivo feminino, sentimento piedoso de simpatia para com a tragédia pessoal de outrem, acompanhado do desejo de minorá-la; participação espiritual na infelicidade alheia que suscita um impulso altruísta de ternura para com o sofredor.” Sou eu quem pergunta: é isso o que devemos, de agora em diante, sentir por um pedófilo? É fato (até prova em contrário) que pedofilia é um distúrbio – em certa medida, sinônimo de doença – mas nem por isso. E vamos combinar… substituir “pedófilo” por pessoa atraída por menor é uma coisa que nem merece comentário de tão estúpida e tendenciosa. Ai que raiva… Ai que preguiça…

E chega… é sexta-feira!

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Júlio Ribeiro

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Faz um tempinho, cismei de me associar ao Instituto Histórico e Geográfico de Sabará. Não foi um erro, mas não surtiu o efeito – absolutamente circunscrito a foro íntimo – que eu esperava. Pois. O patrono da cadeira para qual me candidatei é Júlio Ribeiro, escritor local de renome nacional Ainda que o Rodrigo Gurgel – a quem admiro e com quem (até) concordo, coloque em dúvida esse “cartaz”. Segue aí a saudação que fiz ao patrono.

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O que terá acontecido no dia 16 de abril de 1845 mundo afora? Como estava o dia? Chovia ou fazia sol? Alguém ganhou na loteria? Quantos acidentes cardiovasculares ocorreram nesse dia? Quais foram as manchetes de jornal? As perguntas podem ser muitas, porque muitas são as possibilidades de acontecimentos (até) desimportantes ocorridos nesta data. Um cachorro pode ter mordido seu dono porque se assustou com alguma coisa. Algum político pode ter tomado uma atitude que depois veio a lhe causar problemas. Muitos casamentos. Alguns namorados romperam… Tanta coisa. Tudo isso e mais uma coisa aconteceu nesse dia. Em Sabará, nasceu Júlio César Ribeiro Vaughan. O nome aponta para ascendência estrangeira. Na terra do ferro e das matas verdejantes, isso não chega a ser novidade. No Brasil, isso não é novidade. Esse rapaz, alguns anos depois, viria a ser reconhecido como escritor. Este fato marca o início de uma “dinastia”: Elsie Lessa, é sua neta e o cronista Ivan Lessa, assim como Sérgio Pinheiro Lopes, seus bisnetos. No terceiro nível desta genealogia aparece a escritora Juliana Foster. Gente que escrevia, acredito, sem muita preocupação com o sucesso, a celebridade, a fama, a venda de seus livros…

Júlio Ribeiro propôs em 16 de julho de 1888, logo após a Abolição da Escravatura, que a então bandeira de São Paulo fosse alçada a símbolo nacional, transformando-se em bandeira do Brasil, sendo parte da sua campanha pela República. Seu viés polemista manifesta-se também, em assuntos de ordem vária. Polêmico, abolicionistaanticlerical e representante do Naturalismo, movimento fundado pelo francês Émile Zola, o escritor de Sabará destaca-se no cenário literário de sua época por conta de uma de suas obras, A Carne, publicado em 1888, seu romance mais conhecido, possivelmente a sua obra-prima. Conta a ardente paixão entre a jovem Lenita e o engenheiro de meia-idade Manuel, filho do coronel Barbosa. O livro provocou escândalo por abordar temas até então ignorados pela literatura da época, como amor livredivórcio e um novo papel da mulher na sociedade. Definitivamente, é um livro sobre a sexualidade humana. Para além, muito além disso, a reação causada pela publicação da obra, faz com que Júlio Ribeiro consolida-se o seu já referido destaque no quadro cultural do Brasil finissecular.

O autor de A carne continua a interessar à posteridade. No contexto do aparecimento da obra, um articulista pontua que esse romance, no qual reconhece imperdoáveis defeitos, tenha sido mais lido do que O Ateneu, de Raul Pompéia. Mas não há que estranhar. O êxito de A carne, diz o articulista, vem todo do seu pseudo-Naturalismo. É praticamente insustentável a hipótese de que Júlio Ribeiro teria escrito o livro para fazer escândalo. Acontece que, mesmo sem a previsão do referido articulista, o que causou estranheza à época da publicação do romance é o que, hoje, faz com que a obra seja relida. E daí que o romance apresente “imperdoáveis defeitos”? Permanece a indagação de leitores preparados sobre que defeitos seriam estes? De mais a mais, os critérios de valoração sempre volúveis, mudam como os ventos, os modismos e, até, as ideologias de mais variadas – mesmo que nem sempre cabíveis – orientações. Manuel Bandeira procurou reabilitar os méritos de Júlio Ribeiro como romancista, considerando principalmente A carne um romance cheio de grandes qualidades. É de praxe, nessas ocasiões, o novo acadêmico elogiar a obra de seu antecessor. Mas Manuel Bandeira poderia exaltar o gramático, o filólogo, endossando as restrições que a crítica mais tolerante faz a Júlio Ribeiro romancista. Não faço como supostamente tenha feito Manuel Bandeira. Quem pode garantir que o poeta de “Vou-me embora pra Pasárgada” e de “Irene no céu” tenha penas seguido a praxe, para ser, dir-se-ia “politicamente correto”? Não o sou também. O elogio, aqui implícito, assenta-se em boa dose bom senso, de percepção do que é devido ou não na proporção deste mesmo bom senso.

Por sua importância em sua época, foi eleito pela Academia Brasileira de Letras, com o Patronato da Cadeira 24, por escolha de seu primeiro ocupante, Garcia Redondo. Júlio César Ribeiro Vaughan nasceu em 10 de abril de 1845 na cidade de Sabará (Minas Gerais), estudou no Colégio Baependiano e posteriormente na Escola Militar, mas não concluiu os estudos aí já que os abandonou para dedicar-se ao magistério livre. Sua carreira foi bem promissora em São Paulo como professor, jornalista e escritor. Fez parte da Academia Paulista de Letras, funda e dirige o jornal O Sorocabano, como escritor foi muito polêmico. Uma de suas maiores polêmicas foi o livro A carne, como já se disse. O livro que inicialmente escandalizou a sociedade, mostra em seu contexto indícios claros de brutal escravidão, o divórcio, amores livres do catolicismo, o novo papel da mulher na sociedade: é uma obra bem característica do Naturalismo. Seus ideais eram de cunho abolicionista, anticlerical e defensor da liberdade.

Esta faceta da personalidade intelectual do autor corrobora seu retrato de polemista, como quem muitos dos estudos sobre ele existentes. As três grandes polêmicas da/na sua vida foram: a luta em torno da Gramática Portuguesa; o apoio na ofensiva contrária aos bacharéis paulistas, Prudente de Morais e Campos Sales; e a célebre polêmica – no sentido mais estrito deste termo – contra o padre Sena Freitas. Por conta de A carne, Júlio Ribeiro foi muito criticado por mostrar, com tintas naturalistas de explícita e declarada inspiração de Émile Zola, a sexualidade, o erotismo ao extremo. Tudo muito escandaloso para a época. O Padre Sena Freitas muito conservador, publicou um artigo denominado “A Carne de Bordel”, no qual descrevia o livro de Júlio Ribeiro como um naturalismo excrementício. “Pobre Júlio, tão ilustrado, mas tão derrancado no seu gosto literário! Ele não atirou pérolas a porcos, atirou pérolas sobre uma porcaria”, disse o reverendo, em sua clara excomunhão literária dirigida ao escritor mineiro. Júlio Ribeiro não ficou quieto respondeu a altura usando a “pena”, escreveu sobre o Padre criticando seus livros e sua pessoa. Com seu preparo de filólogo e seu conhecimento de Língua Portuguesa – duas de suas mais derramadas paixões – o autor das Cartas sertanejas não se fez de rogado. Pagou com a mesma moeda!

Como defensor árduo do Determinismo, do Positivismo, do Evolucionismo e do Romance naturalista, Júlio era totalmente contra o formalismo e o conservantismo. Aderiu às ideias modernas de sua época, tornando-se um intelectual progressista e eclético. Era filho do casal George Washington Vaughan e Maria Francisca Ribeiro Vaughan, professora pública, com quem fez os estudos de instrução primária, matriculando-se depois em um colégio mineiro. Deixou-o para vir estudar na Escola Militar do Rio de Janeiro, em 1862. Três anos depois, interrompia o curso militar para se dedicar ao jornalismo e ao magistério. Tinha adquirido, para essas atividades, os mais completos recursos: conhecia bem o Latim e o Grego e tinha conhecimentos de línguas modernas, além de conhecer música. Fez concurso para o curso anexo da Faculdade de Direito de São Paulo, na cadeira de Latim, ainda na Monarquia. Na República, de cuja propaganda participara, foi professor de Retórica no Instituto de Instrução Secundária, em substituição ao Barão de Loreto.

O jornalismo talvez tenha sido o seu campo de atividade intelectual mais constante. Foi proprietário e diretor de diversos jornais, como O sorocabano, de 1870 a 1872, em Sorocaba; A procelária, em 1887 e O rebate, em 1888, em São Paulo. Colaborou também no Estado de São Paulo, no Diário Mercantil, na Gazeta de Campinas, no Almanaque de São Paulo, nos quais publicava seus estudos sobre filologia, arqueologia e erudição em geral. Foi um jornalista combativo, panfletário, polemista, ao defender a própria literatura contra os que o atacavam tinha posições firmes e sérias. É dele a seguinte assertiva: “Das polêmicas que tenho ferido nem uma só foi provocada por mim: eu não sei atacar, eu só sei defender-me, eu só sei vingar-me.” Quanto ao filólogo, procurou ajustar o rigor lusitano da língua aos moldes do linguajar nativo. Apesar disso, a sua gramática envelheceu, superada pelos estudos de filólogos posteriores.

Como romancista, filia-se ao Naturalismo. Seu romance A carne (1888) constituiu grande êxito, ao menos pela polêmica então suscitada, e com ele Júlio Ribeiro ficou incorporado ao grupo dos principais romancistas do seu tempo. No momento em que foi publicado, pareceu aos leitores impregnado da preocupação de exibicionismo sensual, o que provocou a irritação de muita gente. Vários críticos, entre eles José Veríssimo e Alfredo Pujol, atacaram o romance. O ataque principal partiu do padre Sena Freitas, com o seu artigo “A carniça”, publicado no Diário Mercantil. O romancista, espírito orgulhoso e altivo, republicano, inimigo acérrimo de batinas, revidou com uma série de artigos intitulados “O Urubu Sena Freitas”, publicados em dezembro de 1888. Este episódio está recolhido no livro Uma polêmica célebre. Não se trata de “um romance simplesmente obsceno”, como dizia Pujol, nem é um romance cortado de episódios ridículos, como insinuava José Veríssimo. Manuel Bandeira, em estudo que dedicou a Júlio Ribeiro, fez justiça ao romancista e ao seu romance.

Júlio Ribeiro, entretanto, tem contra a sua duração o tamanho reduzido de sua obra. Por outro lado, segundo alguns de seus críticos mais ácidos (eu diria, mesmo, ressentidos), seu pedantismo é muito maior que o dos demais naturalistas e tanto mais condenável quanto o público brasileiro era bem menos culto que o público francês. Daí o ridículo não só das longas conversas filosóficas com que nos brindam suas personagens, mas ainda o grotesco das imagens “científicas”, como aquela do jaguar no Padre Belchior de Pontes: “tremia de ferocidade e prazer como se lhe percorrera os membros uma corrente voltaica”. Isso é mais ou menos como se disséssemos hoje que “a emoção estourou no peito do amante tal qual uma bomba atômica”…!

Do conjunto de artigos publicados sobre sua obra e seu impacto no quadro da Literatura Brasileira, pode-se dizer que, a partir de todos, respalda-se a extraordinária repercussão de sua obra. Ainda que, em grande parte, os pareceres dos doutos críticos insistissem em desmerecer a obra do mineiro de Sabará, pode-se dizer que consagraram, de um momento para outro, o autor, modesto estudante do terceiro ano de Direito, em São Paulo. A carne, embora tenha trechos apreciáveis, lidos separadamente, é, no conjunto, um fracasso, dizem muitos de seus críticos. Parece mais um pastiche do Naturalismo do que, propriamente, um romance naturalista. Pessoalmente, tenho minhas dúvidas quanto à validade de tal afirmativa, assim, em absoluto. Penso que seria necessário um caminho denso e trabalhoso para poder chegar à conclusão tão peremptoriamente categórica. Se a obra em si, pelo seu mérito intrínseco, vale muito pouco ou quase nada, o efeito que ela causou no ambiente cultural do Brasil dos oitocentos, carregado de preconceitos românticos; no ficcionismo apegado ainda aos padrões idealistas de então, foi, indiscutivelmente, benéfico.

Júlio Ribeiro, polemista, enseja muito comentário a fazer. No escopo desta saudação, reduzo meu esforço a apenas pontuar aqui e ali, como venho fazendo, esta faceta instigante do autor. De mais a mais, meu interesse pessoal recai sobre a correspondência pessoal do escritor, se ainda existe em sua materialidade. Agradar-me-ia imenso poder ler estas cartas, analisá-las e, com elas, proceder a novo escrutínio sobre a personalidade literária de Júlio Ribeiro. Em termos de projeto, este seria o argumento para a minha economia de opinião sobre a faceta de polemista do autor.

Para falar um pouco mais disso, recorro a certa passagem do romance A carne. Na carta famosa e ridiculamente convencional em que Lenita comunica a Barbosa a definitiva separação entre ambos, a heroína refere ter visto o autor d’As farpas na Casa Garraux, transmitindo a respeito do mesmo a impressão que seria a do próprio Júlio Ribeiro. Ora, ora… esta afirmação não é minha. Extraída que foi das páginas de crítica de Brito Broca, quando comenta a série de artigos críticos sobre a publicação do romance de Júlio Ribeiro, estas duas informações me interessam pelo efeito que causam, ainda que não esperados por seus autores. Refiro-me a dois elementos: o epíteto “heroína”, dado a Lenita, uma das personagens principais de A carne e a possível “confusão” entre a opinião do narrador do romance a do autor, ele mesmo, sujeito cartorial que foi.

No primeiro caso, o epíteto faz elevar a valorização da personagem. O termo “herói” sempre está ligado a grandes feitos de um sujeito que por causa destes mesmos feitos merece tal tratamento. Se assim é com Lenita, associá-la a uma narrativa de pouca “qualidade” parece-me, no mínimo, um descuido. Em que pese a possibilidade de haver concordância com a opinião de que o romance não presta, reservo-me o direito de discordar da argumentação do crítico na referência que faço. Por outro lado, se existe a possibilidade de um leitor “confundir-se” ao tentar identificar a voz narrativa do/no romance – especificamente na passagem da visita de Ramalho Ortigão ao Rio de Janeiro – cabe lembrar que tal procedimento é muito caro e valorizado em diversos momentos da História do romance no Ocidente. Atualmente, inclusive, tal procedimento é, por vezes diversas, louvado e incensado como marca de pós-modernidade e inventividade. Logo, pensar esta questão, no contexto finissecular da Literatura Brasileira, chega a poder ser considerado um elogio.

Deixando as querelas de lado, cumpre lembrar que depois de Rosaura, a enjeitada, até os romances de Antonio de Oliveira, publicados entre 1898 e 1890, não encontramos nenhum outro vestígio de paisagem paulistana no romance brasileiro, senão em A carne, de Júlio Ribeiro. De novo, o episódio da carta de Lenita volta à ribalta. Desta feita, acompanhada de outra. Aquela em que Barbosa escreve a Lenita de Santos; e outra, a que que Lenita escreve ao ex-amante, comunicando-lhe o próximo casamento. São rápidas descrições em estilo jornalístico, sem cunho epistolar e muito menos literário. Aliás, o ambiente de capital paulista não desempenha nenhuma função no romance, que se desenrola, como se sabe, numa fazenda. Este detalhe desvela uma preocupação do escritor de Sabará com elementos narrativos que, em nada e por nada, têm a ver com as querelas sobre sua subscrição ao Naturalismo de Zola, por um lado; e ao sucesso ou não de seus projetos literários, por outro. A carta de Lenita a Barbosa, em A carne, ressalta os grandes melhoramentos que ali se vinham realizando nessa época, criando uma nova paisagem urbana e social. De mais a mais, há que se ressaltar que a propaganda literária tomou impulso com o Naturalismo, principalmente por causa do escândalo que as obras dessa corrente provocaram. A carne, neste contexto, foi precedida, acompanhada e seguida de um bate-caixa tremendo. Num dos artigos de Júlio Ribeiro contra o Padre Sena Freitas, na polêmica travada entre ambos a propósito de A carne, assinalo este trecho: “Proclo inventou uma coisa metafisicamente boa; Bonald a estragou um poucochinho, um és não és.”

Há algumas curiosas “coincidências” com seu antropônimo do autor da Grammática Portugueza: identifica uma escola, profissionais de áreas diversas – um pastor, um publicitário e um cantor – e também uma empresa de transportes. Para não fugir do protocolo, cumpre assinalar a produção de Júlio Ribeiro, composta por O Padre Belchior de Pontes, romance em 2 volumes, publicados entre 1867 e 1868; Grammática Portuguesa, de 1881; Cartas sertanejas, de 1885; A Carne, de 1888 e Uma polêmica célebre de 1934. Com esta produção, o autor consolida sua presença no cânone da Literatura Brasileira, pelo menos, naquele que compõe o ponto comum das suas diversas Histórias. Júlio Ribeiro falece, tuberculoso, em Santos, no primeiro dia de Novembro de 1890. Coincidentemente, Dia de Todos os Santos. Nada como os chistes da História…

Bibliografia

BROCA, Brito. Teatro das letras. Campinas: Ed.Unicamp, 1993.

________. Papéis de Alceste. Campinas: Ed.Unicamp, 1991.

________. Memórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968.

MILLIET, Sérgio. Diário crítico. 2 ed. São Paulo: Martins: Edusp, 1981, v. IV.

SILVA, Ivanilson Bezerra da. Júlio Ribeiro: leitura sobre a trajetória de um intelectual maçom e protestante na cidade de Sorocaba na segunda metade do século XIX. Confluências culturais. Joinville, v. 1, n. 1, Setembro de 2012, p. 29-45,

SILVA, Maurício. Júlio Ribeiro polemista: um capítulo da História das querelas linguísticas no Brasil. Polifonia. Cuiabá, v. 22, n. 1, jan./jun. 2010, p. 64-74.

SILVEIRA, Célia Regina da. Intervenções e polêmicas: Júlio Ribeiro no universo letrado paulista. Anais do XIX Enconbtro Regional de História: poder, violência e exclusão. São Paulo: ANPUH-USP, 8 a 12 de Dezembro de 2008 (cdrom).

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Dois dedos de prosa

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Os dois são homens bem sucedidos. Ambos são casados e têm amantes. Um deles é pai, outro não. Um é diretor de uma companhia poderosa do ramo de tecnologia. Outro é corretor de ações de alto nível. Tudo isso vai-se sabendo à medida que o filme avança, sobre tudo no caso do “outro”. Para ficar claro, “Um” é a personagem central de Contratiempo (Espanha, Oriol Paulo, 2017) e “outro”, de 200 degrees (Estados Unidos, Giorgio Serafini, 2017). A impressão que ficou, depois de ver os dois filmes é que, de duas uma, ou são, originalmente, peças de teatro ou podem se transformar em uma. Num e noutro caso, o que pretendem, conseguem: a manutenção de um clima de estranheza – bem ao gosto de Freud – com pitadas de malícia, “num” caso e de atenção “noutro”. Ambos são thrillers de suspense inteligente. Filmes de texto, em que as palavras, simultaneamente à expressão ocular, facial, corporal, são responsáveis pelo sentido da história que se conta e, até o desfecho, mantêm-se um emaranhado de contradições, idas e vindas, falsas pistas, aparências, reflexos. Uma delícia. Nenhum dos dois filmes é, ao fim e ao cabo, uma obra prima. Mas isso é para entendidos – sem duplo sentido… – que se preocupam com firulas. O que me atrai num filme é tudo, menos as malditas firulas. E há quem se mate para manter um lugar sob o sol das firulas e seu domínio… Ai que preguiça. No filme espanhol, o protagonista envolve-se num acidente de carro, do qual decorre a morte do motorista do outro carro. Tudo provocado pela travessia de um cervo pela estrada vicinal no interior da Andaluzia. O filme se passa em Barcelona e arredores. O cervo vai aparecer de novo, numa cena fundamental para a montagem do quebra-cabeças (rompecabezas, no delicioso sotaque andaluz!) que o filme propõe. Como eu disse, o protagonista é malicioso e esta característica vai sendo percebida nas idas e vindas do roteiro que, ao final, me surpreendeu, de fato, sem mais. Uma surpresa que, depois de visto o filme, pode até parecer ingênua. Não é. A trama, muito bem construída, sabe guardar suas cartas na manga e, melhor, sabe exatamente o que e quando fazer com elas num exercício magistral de ansiedade crescente. Gostei imenso. No filme norte-americano não temos um protagonista malicioso. Não. A sequência inicial – um homem sentado e amarrado à cadeira numa saleta metálica escura, com uma única janelinha de vido, uma porta (como a dos cofres) e duas venezianas (na narrativa do filme elas funcionam como instrumento de sadismo) – em silêncio não diz absolutamente nada do que há por vir. Como no primeiro caso, é também filme de texto, mais próximo ao palco pela economia cenográfica e pelo reduzido cast. De fato, não é necessário muito para produzir uma história convincente e bem ao gosto da catarse aristotélica. Um homem se vê preso a uma cadeira num cubículo encimado por quatro aquecedores gigantes. Uma voz se dirige a ele e começa um diálogo longo, torturante, sádico, que vai intermediando o relato que se faz por deduções, ilações e índices até certa altura, quando tudo se revela. Diferentemente do outro filme, neste, o desconcerto se dá de uma só vez, na sequência final do filme. Durante todo o tempo do relato fílmico, paira a dúvida, a ignorância de quem vê sobre o que está vendo. Um primor. Uma outra coincidência: também não se trata de uma obra prima. Outra coincidência: também vale muito a pena ver.

Este foi apenas um aperitivo, como um convite, tentativa de sedução para levar a quem me lê a procurar os filmes e vê-los…