Um poema

Hoje, minha preguiça se supera. Por isso, vai só um poema:

th (1)

Não mais a porta 501.

Não mais aquela porta.

Não mais porta

os sonhos que por ali entraram,

as decepções que dali saíram.

Afetos partilhados entre desconfianças e mágoas, assentadas

no encanamento entupido,

nos azulejos

estufados.

Na corrosão dos cantos dos rodapés.

 

Não mais a porta de todas as portas que dão para o vazio da sala,

dos quartos,

do espaço que não se preenche

Que a história,

uma história sem fios afetivos se conta.

Uma história das histórias

que passaram por aquela porta.

 

Se ponto final existisse,

Para a sintaxe da porta…

Mas não existe insiste, na visão do retrovisor.

A rua em eterno cobertor

outonal

de sonhos desiludidos

e esfumaçados na visão turva

da entreporta:

o vácuo inolvidável da entrada que sai,

por aquela porta.

th

 

 

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4 comentários sobre “Um poema

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