Outro poema

th (2)

Cento e dez metros.

São cento e dez metros percorridos quarenta vezes.

Quarenta vezes divididas em duas séries de vinte, cada uma num sentido.

Cento e dez metros.

A quem isso importa?

Nem Carlos, nem João, Luis ou Fernando.

Não.

Nenhum deles.

Algum deles fosse, talvez,

a ideia seria notada e comentada e celebrada.

E nem assim a vida se escreve em uma biografia.

 

A biografia de um poeta não se escreve.

A biografia de um poeta se conta.

Melhor,

é contada

em cada verso, por todos os versos.

Os versos que o poeta não escreveu.

Por não terem sido escritos, os versos contam a biografia do poeta

que se esvai no escuro labirinto das palavras, a brincar com sua biografia.

Ao escrever, outros versos ficam por escrever.

Ainda que rima, com narizes torcidos, para alguns seja ruim,

prevalece.

Na ilusão de se fazer, o verso esboroa a biografia

por força do desvelamento da vida que, escrito, revela.

Revela mas não diz, não relata, não conta.

E fica, o poeta, em versos, sem biografia.

Na infinita ciranda de um não ser que diz.

th (3)

PS: estou fazendo hora, junto com a proverbial síndrome de Macunaíma, para saber o que exatamente escrever sobre os livros que ando lendo. São três. Sobre um deles já falei. Dos outros dois ainda não… Tento me conter para não escrever de promptu e correr o risco de ser injusto, por venenoso; ou distanciado, por conivente. Ih… uma rima…

th

 

 

Anúncios

4 comentários sobre “Outro poema

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s