Vai e vem do pensamento

Escrever sobre o quê?

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O eclipse se foi, ou está indo, pela hora… Fui impedido, pela geografia, de vê-lo, apreciá-lo. Devo sentir-me marginalizado? A raiva deve ser o sentimento a me mover deste momento em diante? A quem devo recorrer, ou deveria??? Tudo isso ou nada disso, vai saber… Fato é que a semana correu e quase não a vi passando. Consultas médicas, solicitação de senhas para serviços prestados por “planos de saúde”… Passou e já se aproximam outras, com os exames, os famigerados “retornos”, a pouca vontade de atender bem que caracteriza certas práticas de atendimento público e privado. Já não á mais exceção. Depois de um almoço divertido em Moeda (ô serra bonita… e bem aqui ao lado de Belo Horizonte!), na casa da Ângela, do Pedro e do Éric, ontem, não fiz quase mais nada. Resolvi fechar a semana, com esperança de que na outra consiga escrever mais, ainda que eu saiba que não vou ter certeza sobre o que irei escrever. Outra certeza é a de que poucas pessoas vão ler o que escreverei. Não há novidade nisso e não lamento possível, apenas a constatação, fria e objetiva. Pois é… E já lá se vão algumas linhas…

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Fiquei pensando, enquanto fazia minha caminhada diária em torno de minha casa, sobre algumas coisas sobre poesia. Mais especificamente, poesia traduzida. E mais especificamente ainda, na poesia de Garcia Lorca. Vi um filme dele outro dia sobre a relação entre Salvador Dalí e Garcia Lorca (Little ashes, Paul Morrison, 2008). Uma peça de arte delicada e sensível, bastante direta que aborda com correção – até prova em contrário – um passo da relação entre os dois artistas, enfocando o caráter homoerótico que moveu e desmoveu esta mesma relação. Mas não é o filme que me interessa e, sim, a poesia. Fiquei pensando no trabalho do tradutor que tenta, galharda e esforçadamente realizar a transliteração/transposição/versão/transição de um poema. No fim, uma categoria de leitor que se acredita superior, pode vir a tecer comentários sobre a tradução. Refiro-me àquele tipinho que come feijão e arrota caviar e que insiste em responder pela alcunha de teórico. Ao que querer explicar o inexplicável – a poesia, ela mesma – o tal teórico mete os pés pelas mãos. Devo esclarecer que ao nomear de teórico a um tipinho execrável, estou longe de generalizar e não fazer as devidas vênias. Claro está que existem teóricos e teóricos. Por menos que eu goste dele, Luiz Costa Lima é um nome que deve constar da lista dos teóricos de espessura e espectro respeitável, para ficar em um único exemplo. Continuando… Os tipinhos execráveis pululam na triste e decadente “universidade”. Geralmente estão para alcançar a casa dos 40, receberam a formação mais superficial e estereotipada cabível e se incensam por isso, pontificando aqui e alhures os lugares comuns, os chavões, as falácias, as palavras de ordem e a babação de ovo. São estes tipinhos que ao “teorizar” sobre a tradução de um poema, por exemplo, começam falando de um verso que contém uma palavra que é escrita com “ç”. A coisa até anda quando chega a pergunta que o tal “teórico” se faz sobre o como e o porquê da curva no, a cedilha, esteja apontando para trás e não para frente. Especula sobre as origens culturais e/ou nacionais do poeta como possível fonte de explicação. Daí, deriva para a “conexão” da poesia traduzida e suas raízes políticas afirmando, sem espaço para dúvidas (!), que isso é o que faz compreender o que poeta quis dizer e por aí… Ai que preguiça…

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Essa conversa mole serviu para eu voltar a pensar no livro que desejo escrever. Um livro que se volta para uma história de amor triste e insatisfeita. Vítima da opressão sociocultural do momento em que se desenvolveu e se explicitou em cartas que mais parecem labirintos que se perdem nas curvas do pensamento que tenta dizer “eu te amo”. No entanto, uma relação que, para a poesia contribuiu, e muito. Ainda que eu concorde com a assertiva de que, comparada com a russa, a francesa, a inglesa, a Literatura Portuguesa pode parecer bastante frágil… O livro vai sair, qualquer hora desses… Um livro de cartas.

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