Quem conta um conto…

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O sorriso nos lábios, sem mostrar os dentes. O olhar umidamente luminoso. O guardinha ficou atônito, para não dizer arrogante. Parou. Encarou o sujeito. E, arrogante, quase autoritariamente, para na frente do sujeito e demanda seus documentos. Quatro outros militares cercam o sujeito ao lado de seu carro. Saltam, falando no walkie-talkie (é curiosidade geral saber com quem, sobre o que), olhando para todos os lados, sérios, ríspidos, afastando curiosos. O guardinha começa o interrogatório: “de onde vem”, “pra onde vai”, o que estava fazendo”, “onde mora”. Repete uma vez as perguntas. O sorriso… bem, o sorriso ainda é o mesmo. O guardinha se ofende e diz que vai ter que encaminhar o sujeito para a delegacia. Na chegada, não havia onde deixar o caro que foi levado, Deus sabe para onde. Uma oficial, jogava paciência no computador, conversando com oura que lixava as unhas. Um outro guardinha, olha com desdém e vai pegar café numa garrafa térmica ensebada. Dois outros conversam com um tipo andrajoso que dá risadas. O primeiro guardinha entre e deixa o sujeito esperando, à porta, por um tempo indeterminado. Passam horas e o guardinha manda o sujeito pra casa a aguardar o chamado da “justiça”. Recebido o chamamento, dias depois, o sujeito se apresenta diante de um juiz igualmente arrogante que faz perguntas com altives, observando, desconfiado as respostas, sempre literalmente repetida a cada volta à mesma pergunta. O juiz, incomodado com o sorriso nos lábios do sujeito, se irritou mais e perguntou se o sujeito estava debochando da autoridade. A resposta de sempre: não, acompanhada do sorriso sem mostrar os dentes. O juiz vira as costas e sai. O meirinho entrega, minutos depois, o alvará de soltura do sujeito. Foi então a hora de pagar as taxas, se incomodar, esperar pela boa vontade alheia, enfrentar o trânsito e pegar o carro de volta. Tudo isso depois de sair do banco onde fora fazer um depósito. E só.

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PS: este “conto”, em parte, é fruto de experiência fatual de alguns acontecimentos ocorridos comigo, vivenciados por mim. Creio ser de bom alvitre não dizer o que é e o que não é “real”!th (2)

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Um comentário sobre “Quem conta um conto…

  1. Esse agradável texto de se ler retrata com “leveza” as atitudes de descaso , de despreparo e de excesso de autoridade de nossos ” guardinhas” que desconhecem o significado de um simples sorriso !

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