Idas e vindas

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Entre uma mexida e outra, sujando as mãos com a poeira (já) assentada, encontro coisas “do arco da velha”. São só três meses, mas já parece tão, mas tão distante… Isso se deu com um texto sobre poesia e correspondência postal sobre o qual escrevi aqui outro dia. Ainda tenho esperança de encontrar o texto que escrevi para um simpósio da/na PUC-MG, logo que voltei do pós-doutorado em Coimbra. Hei de encontrar. Mas não quero falar disso, o que me traz hoje a gastar energia escrevendo aqui, para um ou dois comentários apenas – e repito: sem a lucrar um centavo com isso – é o que eu li na última edição do jornal Rascunho. Gosto muito desta publicação, apesar de alguns circunstancias pesares, inevitáveis, irrecorríveis. Uma coisinha foi o conjunto de comentários de certo articulista – não vou citar o nome para não correr o risco de sofrer processo por difamação… – sobre “as” traduções de Machado de Assis. Escolhe, para tanto, um trecho sofisticado de om Casmurro e apresenta penas a tradução para o Inglês de Helen Caldwel e duas ou três outras confessadamente realizadas por mecanismos eletrônicos e virtuais de tradução. O articulista esqueceu-se (?) de que Machado de Assis foi traduzido em outras línguas. Se ele quis destacar a dificuldade da tradução do texto do romance escolhido, penso eu, do fundo de minha chatice, que deveria ter apresentado, no mínimo, mais uma ou duas traduções para línguas diferentes. No entanto, como soe acontecer, o indivíduo fico com o Inglês como se só interessasse saber das dificuldades de traduzir o quer que seja para essa língua. Mas ainda não é sobre isso que quis escrever hoje. De fato, na mesma edição, leio a transcrição do que foi dito pelo convidado do próprio jornal no teatro Paiol, em Curitiba, no âmbito do projeto “Paiol Literário”. Esta foi a segunda edição depois da retomada do projeto, suspensa por falta de “interesse” de alguns dos patrocinadores. O convidado – vou deixar o nome em branco, para instigar a quem estiver me lendo procurar saber de quem se trata – entre cousas e lousas afirma que é um desserviço o que Alencar oferece aos leitores adolescentes por força de iniciativas de leituras patrocinadas pelas escolas. Confesso que passei 27 anos da minha dando alas de Literatura, ainda que, mesmo assim, ainda hoje, eu não saiba definir – e duvido que alguém seja capaz de fazê-lo, com segurança – o que seja “ensinar literatura”. Esse dilema sempre me acompanhou e vai comigo para onde eu for, não tenho dúvida. Daí eu pergunto o porquê de afirmação tão categórica. O convidado ainda tenta argumentar, para sua infelicidade, apelando para a “literatura contemporânea” como instrumento de aproximação com a juventude… Implicitamente, ele conta com a “facilidade” que a leitura dessa tal “literatura contemporânea” oferece. E eu me pergunto: como pensar literatura contemporânea – como instrumento – sem considerar sua antecessora, sem a qual não existira? Creio que anda ficando cada vez mais cristalizada a ideia de que é possível pensar o “novo”, sem levar em conta o que está “antes”. Bati boca com aquela que se denominava (tecnicamente, e apenas assim) orientadora, durante meu doutoramento, sobre este assunto. Ela bateu pé exigindo que eu cortasse certa citação por considera-la “datada” e por pensar que ela depunha contra meu trabalho. Fi-la ver o contrário e mantive a citação. Afinal, mal não fez, ele jamais leu o trabalho mesmo… Conheci uma menina na França, certa feita, sobrinha da companheira de uma amiga, que, aos oito anos, lia os clássicos franceses do teatro: Racine, Molière e outros. Oito anos!!! E o sujeito vem me dizer que fazer os adolescentes lerem Alencar (e Machado, quando é o caso) é um desserviço, assim, sem mais… Por favor! Mas é preciso não esquecer: sou um chato!

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