Instante fugaz

th (2)

Meu irmão dorme.

Mas minha mãe não está aqui

para dizer – “Psiu… Não acorde o menino.”

Como em “Infância”.

Meu pai não está mais aqui.

Meu segundo irmão também não.

Sim, sou o primogênito e meu terceiro irmão

dorme.

Nisso, a memória escava a saudade e sorri, complacente.

Não interessa a história de Robson Crusoé.

Não interessa, a mim e à minha saudade.

Por que fazer versos,

da saudade em diante,

revivendo momentos, sonhando outros,

é coisa que não se faz, seu eu quiser seguir o conselho

do mesmo Carlos,

na sua “Procura da poesia”.

Procura inútil.

Nas negativas a poesia escapa

como quando se quer dizer o que não se diz,

escrever o que não pode ser escrito,

conter o imponderável.

Não pode.

Não dá.

Não serve.

A poesia se faz e vendo o brilho da faca,

recrudesço e

pasmado observo a proximidade do fim

de todos os limites.

E o susto acompanha o pasmo diante da independência

que arde, se arruína, calcinada pelo desinteresse e a falta de cuidado.

Se a liberdade precisa de documento para se consolidar,

não há mais liberdade, porque o fogo, inclemente,

a tudo consome.

E consumiu, sem chance de reviver como a fênix.

Não há renascimento.

E o tempo passa enquanto observo o sono de meu irmão.

Sem psiu…

th

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