Primórdios I

CIRCE : um ensaio de interpretação

 

Sumário

Introdução

O texto ficcional

O discurso psicanalítico

Conclusão

Bibliografia

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Introdução

O presente trabalho se impõe por dois motivos: um interesse particular pelo assunto específico de que trata e a necessidade de apresentação de una monografia como requisito para a aprovação dos créditos concedidos. Não e necessário dizer nada mais além da integral dedicação ao primeiro motivo.

Interpretar uma mensagem comunicativa pode sor um exercício mais fácil quando este se prende às estruturas lógicas e claras da linguagem coloquial em suas diversas possibilidades. Quando se trata de um texto mais trabalhado, no entanto, não podemos contar com a mesma faixa de facilidade. O conto do Júlio Cortázar, não só por suas qualidades peculiares – não são poucas, aliás – presta-se, neste caso, a uma tentativa de exemplificação de teorias de interpretação e análise de textos, numa perspectiva particularizada: uma leitura psicanalítica.

A exegese bíblica, por excelência, sempre procurou desvendar os mistérios da revelação que existiam por detrás das palavras, ou mesmo dentro delas. A Hermenêutica, sua auxiliar, parece procurar estabelecer um caminho particular dentro de seu próprio processo discursivo, no quadro da filosofia do conhecimento.

Os princípios apresentados pelos diversos estudiosos do assunto sempre procuram uma melhor compreensão do conteúdo mesmo do discurso hermenêutico, tendo como horizonte último a compreensão enquanto fenômeno do conhecimento da realidade.

A discussão teórico-terminológica entre os termos interpretação  e compreensão.  tem ensejado as mais profundas e aproveitáveis polêmicas, parecendo demonstrar que o processo de leitura de um texto não pode chegar a concluir, apenas, a sua profundidade particular, o sou conteúdo mesmo. as possibilidades de aproveitamento do texto para o conhecimento – encarado como fenômeno necessário e generalizado – devem ser aproveitadas de maneira a estabelecer um diálogo proveitoso e rico entre o discurso textual considerado e o discurso instrumental de leitura. Não podemos deixar de observar que corremos o risco de empobrecer o texto considerado se procurarmos .aplicar. uma teoria qualquer a ele, como exercício de interpretação.

0 exercício que nos parece mais proveitoso é o de tentar encontrar, no texto literário, elementos que possam qualificar ou mesmo verbalizar um processo de conhecimento descrito por outro discurso científico.

Ao tentarmos uma leitura psicanalítica do conto “Circe”, não estaremos tentando encontrar nele elementos de que fala Freud ou Lacan em seus trabalhos sobre a formação da personalidade humana. O conto não pode ser apenas uma comprovação prática, um exemplo, para as teorias desenvolvidas acerca de pontos determinados.

A leitura psicanalítica do um conto já nos leva a pressupor elementos de um discurso científico instrumental para viabilizar este trabalho. Poderíamos considerar este fato como sondo una pré-compreensão do texto, que nos evoca os preconceitos que viabilizarão o processo de interpretação do próprio texto.

Este processo conta ainda com a nossa própria expectativa dentro do conto, pois nos envolvemos de tal maneira que, a partir do olhar quo lançarmos sobre esta .coisa. e que ela adquirirá um sentido. O jogo entre o sujeito e o objeto da compreensão estabelece o que poderíamos chamar do horizonte de interpretação que, de corta forma, determina o campo de nosso trabalho e impõe limites necessários à determinação dos limites para o discurso produzido na busca de uma compreensão maior do conteúdo veiculado pelo próprio conto.

Cremos que não nos repetiremos muito se chamarmos a atenção para o fato de que não podemos inferir desta tentativa um caráter definitivo o círculo hermenêutico assim não o permite. Cada tentativa não se .fecha. sobre si mesma sem conter o fluxo da espiral que materializa o trabalho da interpretação o da compreensão. Na verdade, mesmo apresentando uma conclusão, não podemos conter o movimento circular, ascendente e dialético que caracteriza a análise interpretativa.

O plano do presente trabalho, como o mostra o sumário, visa a apresentação do conto enquanto entidade imanente, passível de interpretação, seguida da elucidação de um discurso psicanalítico que já veicula uma pré-compreensão do próprio texto. A abordagem da simbologia se faz necessária pois, como sabemos, a linguagem e um ponto de acesso da personalidade humana, da própria identidade do ser humano, que passa do imaginário ao simbólico aqui podemos também detectar um processo de interpretação. A apresentação segue o fluxo da organização das ideias e, dentro do possível, não quer tonar estanques os conteúdos, servindo apenas para viabilizar ordenadamente o nosso raciocínio.

***

O texto ficcional

Da impossibilidade de transcrever todo o texto ou de contar com sua leitura imediatamente anterior à deste trabalho, passamos a desenvolver uma pequena paráfrase do conto do Júlio Cortázar, procurando, de certa maneira, levantar alguns detalhes que possam auxiliar na orientação da leitura psicanalítica do próprio texto.

Sem nos determos no exame do exercício estético que enseja a construção do conto, não podemos deixar de observar que sua estrutura metonímico-metafórica privilegia a leitura propor ta, uma vez que aproxima o discurso ficcional do discurso lacaniano.

Mário – um dos protagonistas – é um funcionário de banco que mora com mãe, irmã e tia. Conhece Delia e, aparentemente, se apaixona por ela, recusando aceitar os comentários que sobre ela ouve, por causa dos dois ex-noivos mortos em circunstâncias um tanto suspeitas. Esta, por sua vez, é sua vizinha próxima e mora com seus pais que parecem controlar toda a sua vida, com exceção das experiências com licores e bombons.

A história das mortes é conhecida fazendo com que Mário comece a desvendar alguns recantos misteriosos da vida da família da vizinha. Pode-se dizer que a narrativa do conto acompanha as principais linhas narrativas do mito de Circe. Não se pode deixar do perceber que, ao largo, a protagonista obedece à metaforização da sereia que tenta enredar Ulisses em suas feitiçarias. Instala-se aqui uma instância mítica que poderá correr pari passu a leitura psicanalítica, numa outra oportunidade.

A história é simples e o final oscila entre o surpreendente e o chocante, desprezando o grau de envolvimento/identificação que possa ser aferido em relação a um dos protagonistas. Os personagens, estes sim possuem una certa dose de complexidade existencial, possibilitando uma tentativa de análise de suas personalidades através dos fatos narrados e por eles vivenciados.

Os diálogos são pouco numerosos neste texto e a presença de um narrador é bastante clara, fazendo com que coloquemos a questão de até que ponto ele participou da história. Tal dúvida não será respondida com este trabalho: escapa dos objetivos anteriormente colocados. O fato, porém, é que basearemos nossa interpretação num relato de terceira pessoa. Este ponto é de fundamental importância. O sentido do discurso já fica orientado, já é quase pré-definido pela impressão passada através da pessoa do narrador. Este primeiro sentido constitui, para nós, uma pré-compreensão, um pré-conceito que nos direciona na leitura psicanalítica que pretendemos. Tanto é assim que, o nível mítico do texto é materialmente mais gritante, subjaz mesmo no sentido psicanalítico dado pelo narrador em seu relato. Parece haver um diálogo bastante proveitoso entre os discursos mítico e psicanalítico.

Feitas as devidas apresentações podemos passar ã interpretação deste discurso psicanalítico veiculado pelo texto ficcional.

***

O discurso psicanalítico

A apresentação dos personagens, principalmente Mário, se faz através de situações existenciais; mais que através da caracterização física. Assim, logo no início do conto, nos deparamos com um indivíduo circunscrito ao universo feminino contrastando com a imagem negativa do próprio pai:

 

Porque agora já não se importa, mas dessa voz ofendeu-se com a coincidência dos intermináveis falatórios, a cara servil de Mãe Celeste contando tudo a Tia Bebé, o indescritível desagrado no gesto do pai. (p. 83)

 

É no primeiro parágrafo do texto que encontramos uma das chaves de leitura do conto. Mário ainda conserva o desejo de ser o objeto de desejo de sua mãe. Tal situação se revela plenamente na defesa da circunstância relativa a Délia e nas subsequentes referências à imagem de sua mãe. Ela sempre está presente nos momentos-chave da vida do personagem.

Por outro lado, esta situação denuncia a dificuldade de Mário em ultrapassar o seu próprio imaginário chega do ao simbólico que lhe garante o acesso à linguagem.

Em outras passagens do conto ele se retrai e não consegue verbalizar o que percebe. Sua crença na afetividade fragilizadas de Délia conserva-o na dependência do aparecimento da imagem paterna que o conduzirá ao estágio naturalmente procurado:

 

… ao abraçar apertado sou futuro sogro teria querido dizer-lhe que confiassem nele, novo suporte do lar, mas não lhe vinham palavras. (p. 96)

 

Pode-se perceber claramente, que Mário se debate interior o inconscientemente com sua necessidade de linguagem, com os impulsos do falar para poder confirmar as intuições marcantes em sua própria personalidade.

Em diversas passagens da narrativa percebemos como Mario isola os dois universos em conflito: o mundo familiar e a projeção de sou mundo futuro com Délia.

Ele não nega o próprio passado nem tonta desconhecer o que acontecera a seus dois antecessores. Ele sabe de suas mortes.

Em determinados momentos, tenta articular o significado de algumas palavras, atitudes do Délia e mesmo de suas intenções. Como de outras vezes, sua tentativa de elucidação da rede de significantes não se conclui nem se concretiza. Ele precisa identificar-se antes para poder restabelecer o contorno preciso de sua própria personalidade. Alguns trechos, a seguir, são exemplos desse processo incomodo:

 

Ele imaginava coisas, e foi temerosamente feliz. .O terceiro noivo. , pensou estranhamente. .Dizer-lhe assim: sou terceiro noivo, mas vivo. (p.89)

 

Nunca falou de sua casa aos Mañara, nem a sua amiga nas sobremesas de domingo, (p. 90)

 

Encontrou-se com papai Mañara no Munique de Cangallo e Pueyrredón, (…). Mário disse-lhe rindo que não ia pedir dinheiro, e sem rodeios falou-lhe das cartas anônimas do nervosismo de Délia (…). (p. 98)

 

Este último trecho deixa bem claro o Jogo edipiano que move as atitudes e percepções de Mário. Não conseguindo ser o objeto do desejo do sua mãe, projeta a imagem desta em Délia e cria, diante do poder da lei (.papai Mañara.), uma situação onde ele é quase obrigado a dar-lhe o .falo., para defender Délia e assim poder fechar o ciclo, cristalizando seu papel masculino.

A recusa do velho traz de volta a solidão desconsolada de Mário:

 

Agora estava só outra vez como no princípio, frente a Mãe Celeste, a da casa assobradada e os Mañara. Até os Mañara. (p. 99)

 

Esta situação causada pelos supostos assassinatos anteriores parece confirmar para Mário a sua posição de próxima vítima. Quase um terceiro homem, como no filme de suspense do famoso diretor inglês.

Na verdade, no plano individual, Mário não pode ser considerado um sujeito realizado existencialmente. Sua função na narrativa, porém, coloca-o em posição de destaque. Ele será o deflagrador de um processo de corte na corrente do mortes dos noivos de Délia.

A nível mítico, seu papel corresponde ao do Ulisses que, atraído por Circe, experimenta de seus filtros mágicos escapas do de morrer ou de sor transformado em animal ao descobrir o segredo da fascinação. Tal sequência poderia ser levada em consideração como o inverso do processo de punição de Édipo. Aqui, a descoberta não leva à realização de uma profecia, como no oráculo do mito fundamental; mesmo que algumas intuições tenham sido confirmadas como a morte do peixe e as baratas da cozinha, encontradas no bombom.

Antes de passarmos a consideração do outro protagonista, cabe-nos ainda ressalvar a evidência da paralisação do processo formativo da personalidade de Mário na fase oral. Tal assertiva pode também ser aplicada a Délia. Adiantamos isso pois ambos participam ativamente do um processo lúdico onde a boca, antes de fonte de beijos e palavras doces, como seria de se supor numa relação de afeto, funciona como instrumento de sedução completa, denunciando a fixação de ambos os protagonistas em um dos níveis mais primários da formação de suas personalidades.

Logo na abertura do conto, Délia vai apresentada como difamada pelas .bocas malditas. da vizinhança. Ha uma preocupação em preservar una imagem de pureza e fragilidade para que tudo possa realizar-se.

Num nível mítico, como já foi aventado, Délia é Circe, a fantástica alquimista que fabrica filtros mágicos e transfona os homens em animais. Não podermos suspeitar da validade desta afirmação, uma vez que o próprio texto nos coloca esta situação metaforicamente.

Délia fazia licores e bombons em que experimentava suas receitas e ia transformando seus noivos. Há de se observar que, no relato das mortes anteriores a Mário, a história nos apresenta um detalhe interessantes a própria Délia trata de associar as mortes dos noivos com as mortes dos animais – mais especificamente o coelho e o peixe.

Não podemos, ainda, deixar de associar o fato de os animais se aproximarem de Délia: o cachorro, as mariposas, o gato na cozinha e até a alusão às brincadeiras com aranhas na infância, como metáforas bem elaboradas do mito do Circe. Ainda aqui, no seio mesmo da metáfora, podemos encontrar, metonimicamente, o processo da aranha para construir sua teia e aprisionar os insetos de que se alimenta. Délia vai enredando o noivo de agrados para abocanhá-los num momento inesperado. Um prato Cheio para uma abordagem lacaniana da tessitura do próprio texto.

A relação de Délia com seus pais não deixa transparecer uma .normalidade. conhecida e corriqueira. Há como que um jogo de cumplicidade que é praticamente quebrado com a intromissão de .papai Mañara.. Mário, então, intuitivamente, tem a confirmação da suspeita do sua própria morte.

Se considerarmos o enfoque edipiano, fica claro que Dé­lia quer punir seu próprio pai por sua submissão e quase completa ausência no cenário familiar. Tal situação é intuitivamente apresentada quando de passagens em que a mãe é que fala para intrometer-se no noivado da filha; ela é que diz algo sobre os bombons levados por Mário. A palavra do pai só é ouvida depois que ela bebe bastante, no bar, e é subitamente cortado pela declaração de cumplicidade.

Vemos, então, que Délia é o protótipo da mulher dominadora que não conseguiu o acosso ao falo paterno, perdido para sua mãe.

Como podemos notar, é a partir da apresentação de traços interiores dos dois personagens que vai-se armando o jogo narrativo baseado numa rede de significantes bastante rica e iluminada.

A leitura psicanalítica então feita fica favorecida, de um lado, pela própria estruturação da narrativa. Por outro lado, complica-se um pouco, pois não há uma história que está sendo contada. Os fatos não aparecem numa ordem lógica de narrativa. As inferências, as remissões e associações e a própria simbologia do texto, é que possibilitam a veiculação de um discurso psicanalítico coerente e deflagrador de uma interpretação particular.

***

Conclusão

Afirmar que Mário se apaixona por outra mulher depois de ter resolvido seus conflitos existenciais, a partir da experiência com Délia está fora de qualquer possibilidade. Estaríamos, simplesmente, extrapolando o texto de maneira inaceitável. Dizer que Mário saiu da casa de Délia sem matá-la é concluir o óbvio. Por último, afirmar que o autor contou a história para relatar una experiência psicanalítica conhecida, vivida ou mesmo comentada é deformar o texto, empobrecê-lo.

Estas três afirmativas colocam em xeque a validado absoluta da leitura psicanalítica que fizemos deste exemplar conto do Júlio Cortázar. A análise pode se manifestar em vários sentidos, e nenhum deles esgotaria o sentido apropriado ao trabalho de montagem estética realizado pelo autor.

Abordamos o texto com a intenção de construir, com seus elementos narrativos, um discurso de base psicanalítica. No entanto, estes nossos pré-conceitos, figuras operacionais da pra-compreensão do texto apreendida de uma primeira leitura, tiveram que escutar a própria vez do texto. Fomos obrigados a ouvir dele a resposta positiva às nossas indagações.

O caráter primário destas observações não deixa de transparecer a necessidade de contínuas tentativas na manutenção desse dialogo interpretativo.

Determinado o horizonte de interpretação, pudemos, então, começar a trabalhar os elementos significantes – não eram tão poucos assim – para a elaboração do discurso pretendido.

Não deixamos de perceber, ainda, na prática, a verdadeira significação assumida pelo texto a partir do nosso olhar sobre a coisa. Isto quer dizer que poderíamos ter elaborado um outro discurso a partir dos mesmos elementos, sem deixar de mencioná-los e ate utilizá-los em outra perspectiva, em outro horizonte.

Acreditamos que não chegamos a um ponto conclusivo nas possibilidades de interpretação de “Circe”. Não foi esta a nossa verdadeira intenção.

Esta tentativa de interpretação buscou e conseguiu operacionalizar conceitos apreendidos do estudo teórico-conceitual-filosófico da Hermenêutica e seus problemas.

Há de se dar o devido desconto pois, para o nível a que© se propõe não seria justo pedir um trabalho exaustivo, que esgotasse todas as possibilidades. Cremos assim, ter conseguido alcançar o nosso objetivo essencial.

***

Bibliografia

  1. A) Do corpus

CORTÁZAR, Júlio. “Circe” in Bestiário. Tradução de Remy Gorga Filho. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1971.

  1. B) De apoio

ARRIGUCI JR., Davi. O escorpião encalacrado: a poética da destruição em Julio Cortázar. São Paulo: Perspectiva, 1973. Coleção Debates, n. 78.

COLLAZOS, Oscar. Literatura en la revolución y la revolución em la literatura: polemica. 5 ed. Mexico: Siglo veinteuno, 1977.

CORETH, Emerich. Questões fundamentais da hermenêutica. São Pauylo: EPU, 1973.

LACAN, Jacques. Écrits. Paris: Seuil, 1966.

PORTELA, Eduardo. Fundamentos da investigação literária. 2 ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1974.

RICOEUR, Paul. Interpretação e ideologia. Tradução de Hilton Japiassu. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983.

(Para a disciplina “Teoria da análise de textos”, Profª Drª Aglaeda Facó Ventura, Conceito “A”)

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