Primórdios V

Última postagem do ano, mas os “primórdios” continuam no ano novo!

A carne – uma abordagem do Kitsch

Falar do kitsch não é um exercício de livre escolha ou uma prática com pouca exigência. Nada disso é novidade! Esta palavra, de origem alemã, que, incrivelmente, não encontrou sinônimo, ou mesmo seu similar em outras línguas, tem sido considerada em vários níveis de aplicação. Sua polivalência significativa incomoda e instiga.

Antes de qualquer outra observação, é bom que sejam ditas duas coisas: a primeira é a total falta de interesse, direto e objetivo, de criar uma teoria nova para o kitsch (nosso traba­lho nem pode almejar objetivo tão original, abrangente e defi­nitivo); a segunda, diz respeito a uma atitude oposta que pro cura aplicar considerações estudadas e compiladas de outros autores numa obra da literatura nacional.

Os níveis de aplicação abrangem desde o desenho da capa até algumas observações feitas no próprio texto. Tanto no aspecto físico do volume, quanto no da sua linguagem, propriamente dita, podemos aventar possibilidades de “kitschização” deste romance.

É costume confundir-se o kitsch com o cafona. Isto não é certo. Poderíamos considerar o cafona como um momento específico, ou antes, primário – pouco significativo – do kitsch. Também isto não pode ser tomado como conclusão absoluta ou postu­lado exigente e inflexível.

Na verdade, o kitsch apresenta alguns princípios. Não é desconhecido o fato de que alguns autores costumam considerá-los como sendo os mesmos princípios da arte, em geral. Estes, por sua vez, procuram elucidar, no caso específico do fenômeno kitsch, suas principais características, sem determinar-lhe a categoria. Ou seja, não é possível afirmar, com absoluta certeza, ou mesmo teor de dogma, que o kitsch é um estilo, um movimento ou uma “arte”. Nada disso é definitivo, mas tudo pode ser considerado. Assim, o empilhamento, a disfuncionalidade, a massificação e a redução da medida estática de alguns objetos caracterizam alguns dos princípios básicos do “fenômeno” kitsch.

É necessário adiantar que nenhum dos princípios fecha o campo de possibilidades para os outros; e todos eles podem ser abordados na análise de uma obra de arte que venha a ser consi­derada como sendo kitsch.

O tempo é um fator determinante das características do kitsch, pois vai acoplando conceitos e adaptando realidades intrínsecas, sem perda total do espírito gerador do original. Deste modo, o shopping-center e a “Sears” são dois exem­plos bastante ilustrativos do fenômeno kitsch contemporâneo. Assim como as figuras de pintores art-nouveau e as luminárias belgas de ferro fundido do início do século exemplificam o kitsch em 1900.

Aqui vai se tentar fazer uma análise fenomenológica do kitsch no romance A carne, de Júlio Ribeiro.

Uma edição antiga foi propositadamente usada. A intenção é considerar a obra como kitsch no nosso contexto cultural da atualidade.

Os aspectos materiais do volume, a capa (com suas ilus­trações), a ortografia e alguns procedimentos narrativos serão considerados neste estudo.

As propostas analíticas partem de postulados particula­res e são passíveis de erro. Não há demérito em levar em consideração todas as críticas e correções que, porventura, sejam aplicáveis.

Em vários aspectos, podemos fazer uma consideração kitsch de uma obra de arte. No caso da literatura, como já foi dito, podemos abordar a questão sob o ponto de vista da construção da obra – no nível da linguagem mesma – e sob o ponto de vista da apresentação plástica do texto – a ortografias, as ilustrações, elementos de outras artes.

Qualquer falha de abordagem pode ser imputada às circunstâncias mesmas da realização do trabalho e as falhas passíveis de ocorrência no desenvolvimento do mesmo.

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A ilustração da capa

No volume utilizado na leitura do romance, não encontramos nenhuma ilustração. O exemplar foi reencadernado. Em outros exemplares, no entanto, duas ilustrações interessantes podem ser encontradas. Num primeiro, há uma mulher sentada sobre uma almofada vermelha, de forma indefinida, com ar de femme fatale –, cercada de uma teia de aranha. Em outro, encontramos um pedaço de carne retalhado, com um filete de sangue a escorrer pelos lados. O fundo da primeira capa é amarelo e o da segunda é azul escuro. Estes detalhes, apesar de aparentemente insignificantes, possibilitam considerações as mais instigantes.

Se considerarmos a integração do título com a ilustração e a expectativa criada para o desenvolvimento da leitura,veremos que há uma inadequação ontológica, que corresponde aos objetivos de aproximação, de adequação do conteúdo à massa es­pecífica de leitores.

Sabemos que o Naturalismo brasileiro (histórico) objetivava o escândalo e seus temas eram tratados com tinta pretensa mente científicas, para obedecer aos postulados da estática naturalista desenvolvida e sistematizada pelo, assim considerado, mais representativo escritor naturalista – Émile Zola.

Daí, podemos perceber a funcionalidade de elementos corriqueiros num contexto artístico determinado. A carne bovina faz alusão aos aspectos “carnais” – desculpando-nos pela redundância da expressão, mas não havia outra forma de dar a ênfase desejada à frase – da relação humana que se desenvolve peculiarmente entre Lenita e Barbosa, os dois protagonistas da intriga fundamental do romance.

Há um esforço de aproximação, de tornar a obra acessível ao homem da época. Aqui reside um dos princípios característicos do kitsch: a arte na medida do homem.

Existe no kitsch uma pretensão de popularizar, expandir o universo artístico passível de fruição, sem a exigência de iniciação específica. O mesmo princípio pode ser detectado no outro exemplo citado. A ilustração reduz quase ao óbvio a men­sagem de maior facilidade de apreensão. No fundo, não existe a preocupação com um trabalho de filigrana. O esforço tem que ser mínimo para que o prazer estético seja facilitado: a arte da felicidade.

O detalhe da combinação cromática enfatiza este caráter de harmonia e de facilidade. Ela reforça o espírito escandaloso da obra e propõe uma combinação de efeito. Um pouco mais de preparo, de iniciação, põe por terra a possibilidade de consi­derar absolutamente perfeita esta integração.

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A ortografia

Um outro ponto que pode ser levado em conta no estudo do kitsch em A carne, de Júlio Ribeiro e a sua ortografia.

Partimos do princípio de que a descontextualização cro­nológica de um elemento estático pode conferir caráter kitsch à obra de arte na qual se insere.

Desta forma, ao considerarmos o volume utilizado hoje, percebemos que sua ortografia pode ser um ponto kitsch de caracterização da obra como um todo[1].

Algumas palavras, por sua própria conformidade ortográ­fica parecem reforçar um possível espírito folhetinesco que perpassa a narrativa. Esta consideração se baseia em análises feitas da construção narrativa com outra orientação.

Mesmo assim, palavras como kharacter dá um certo tom kitsch, presente no contexto próprio da narrativa.

A divisão silábica, principalmente dos vocábulos pronominalizados, pode ser levado em consideração. Em formas como “vivel-o” ou “buscal-o” percebemos esta ênfase. Não é tentadora a possibilidade de considerarmos ultra kitsch esta forma de separar o pronome do verbo?!

Cabe aqui uma outra observação. Sabemos que os aspectos ortográficos e morfológicos da língua se encaixam numa análise muito mais linguística que estilística. Entretanto, neste tra­balho, consideramos tais detalhes como operadores estéticos de uma determinada categoria estítica de indiscutível abrangência quase ilimitada. Em outras palavras, se tomarmos a narrativa de A carne, e fizermos uma revisão do texto com vistas à atualização da ortografia, teríamos uma edição atualizada, e o resultado seria uma narrativa naturalista com muito poucos elementos que propiciassem uma abordagem do kitsch em si mesmo. Poderíamos refazer análises que apresentassem outros objetivos estéticos que não os aqui procurados.

Desta forma, a nossa impressão – quase certeza – que a análise (ou consideração) da obra como sendo kitsch só se faz possível com o manuseio do volume presente e não com uma edição atualizada[2].

***

A descrição

Já foi dito que podemos tomar, num determinado momento, dois níveis para o estudo do kitsch numa obra de arte literária: o da linguagem da narrativa e o da estrutura da obra.

A partir desta consideração, podemos dizer que determinadas descrições desenvolvidas pelo autor de A carne, senão todas de caráter mais íntimo e detalhista, podem ser rotuladas, ou melhor, classificadas corno elementos estéticos do kitsch no romance.

O principal exemplo por nós levado em conta é o trecho em que o autor apresenta o quarto de Lenita[3]. Cada detalhe é esquadrinhado pelo ângulo da voz narrativa. O quarto em si é digno de outros trechos conhecidos como os de Dalton Trevisan, e mesmo de Gustave Flaubert.

Um quarto do fazenda já é, em primeira instância, algo que pode oferecer grandes voos dentro de uma categorização do kitsch de seus elementos componentes.

0 princípio do empilhamento se faz sentir com bastante, senão absoluta, força. A penteadeira se faz base para uma quantidade enorme de berloques, bibelôs, estatuetas e objetos funcionais ou não. Este conjunto variado e anacrônico – em certa medida podemos assim considerá-lo – constitui um quadro confuso e carregado, muito kitsch[4].

Não fosse bastante a confusão criada pela multiplicida­de de elementos, poderíamos reforçar a consideração kitsch através de exemplos de reprodução miniaturizada de obras de arte reconhecida: a Tour Eiffel e o gladiador.

Além disso, existe na penteadeira da protagonista uma grande quantidade de objetos sem a menor funcionalidade dentro daquele contexto particular. As coisas são colocadas ali para enfeitar, para tomar o móvel e, por consequência, o ambiente do quarto, mais agradáveis.

Da mesma forma, a descrição do quarto de Barbosa. Um pouco menos intensa, talvez, pelo fato de ser um quarto de ho­mem. Entretanto, não deixa de veicular caráter kitsch no empi­lhamento de objetos com funcionalidade deslocada.

Poderíamos citar nesta parte, a descrição da armadilha criada por Barbosa na “ceva” onde Lenita caçava e onde foi pi­cada pela cobra. Também neste trecho da narrativa, podemos in­ferir uma característica kitsch obediente aos mesmos princípios de troca de funcionalidade objetal e empilhamento.

***

Outras considerações

            Os exemplos encontrados na obra de Júlio Ribeiro e, mesmo, as considerações feitas a partir de determinados detalhes, propiciaram uma caracterização kitsch deste romance, em alguns aspectos.

Sentimos, no entanto, necessidade de tecer mais alguns comentários a respeito desta “categoria”, quase como forma de justificativa de nossas observações.

Um primeiro momento nos leva a considerar a observação de que o kitsch pode ser tomado como um “conjunto de objetos ou produtos culturais inúteis revestidos com um banho artísti­co e destinados a um consumo massivo e indiscriminado”[5].

Tal observação enfatiza o caráter de facilitação de acesso à arte como consequência de um desenvolvimento tecnológico que possibilita a reprodução da obra de arte, tomando-a mais e mais acessível a qualquer processo de fruição.

Há sempre a necessidade de desmistificação da arte apresentada e veiculada pelo kitsch. Poderíamos, mesmo, falar numa demagogia estática que faz crer às classes baixas a valorização do consumo da arte, antes mesmo de proceder a um processo de iniciação, necessário e fundamental.

Nas considerações deste teórico, encontramos ainda a identificação dos princípios do kitsch com os princípios próprios da arte, a saber:

a) inadequação – nem todas as obras de arte cumprem as funções para as quais foram supostamente criadas;

b) acumulação – necessidade de preenchimento de vazios com grande quantidade de elementos “estéticos”, mesmo que díspares (o Barroco como exemplo);

c) percepção sinestésica – expressão tendenciosa de totalidade artística em suas formas (a ópera utilizando música, pintura e literatura, per exemplo);

d) mediocridade – a tendência à massificação “democratizante” de princípios estéticos da arte considerada de elite;

e) conforto – necessidade de atenuação das atrocidades estéticas da realidade.

Uma outra consideração interessante pode ser a do fato de que o kitsch só serve de orientação de fundo quase inteira­mente ético.

Se considerarmos a utilização de elementos estéticos de primeira para a conformação de “obras de arte acessíveis”, estaremos diante de um processo de aliciamento estético. que vai propiciar às grandes massas “consumidoras de arte”, a glória de possuírem grandes obras. Isto é possível pois o kitsch pode ser encontrado na organização dos signos dentro da obra de ar­te, enfatizando seu caráter simulador de valores, sentimentos e princípios. Pode, da mesma forma, ser detectado na crítica que tenta dirigir a “opinião pública” a respeito do valor des­ta ou daquela obra de arte.

Especificamente, aqui, podemos tomar como exemplo a obra de Júlio Ribeiro. Execrada por críticos contemporâneos à sua publicação, guardou para si um arsenal de valores que a tornaram kitsch; uma vez que o acesso a ela caracterizava uma potencialidade intelectual – estética, em pleno exercício de fruição.

Por fim, podemos estabelecer uma relação interessante entre kitsch e vanguarda[6].

Não devemos nos esquecer que o kitsch viabiliza um pro­cesso de redução. Em outras palavras, a obra de arte “pura” é retomada pelo kitsch e triturada em elementos muito mais próximos da fruição massificada, perdendo em informação e deformação própria, que a leva a tornar-se conhecida, repetida, consumida e acessível.

Desta forma, a originalidade é um grande critério de kitschização ou vanguardização de uma obra de arte. Não podemos deixar de lado o fato de que esta originalidade, para a vanguarda, se situa a nível de produção; e para o kitsch, a nível de consumo. A relação produção/consumo reflete a relação de classes em termos de capital, restringe ou amplia o campo de atuação da obra de arte.

***

Conclusão

Começamos nossa conclusão com a citação do uma frase de Umberto Eco:

“Kitsch é a obra de arte que, para justificar sua função de estimuladora de efeitos, se pavoneia com os despojos de outras experiências, e se vende como arte sem reservas”.

Podemos, de imediato, nos remeter a duas considerações conclusivas, de certa forma, redundantes:

a) o caráter kitsch de uma obra de arte depende, quase que em sua maior parte, da crítica, que vai apresentá-la ao público consumidor do qualquer nível; há uma grande tendência pedagógica que reduz os elementos estéticos de uma obra de arte a níveis de baixa acessibilidade;

b) falar numa obra de arte kitsch, é falar sobre algo quase que completamente inexistente (e esta observação é, praticamente, consequência da anterior), pois sua existência se liga à existência anterior de uma obra de arte “pura”.

O problema do kitsch não se reduz à consideração de princípios do gênese da obra de arte, quer seja considerada fenomenologicamente, quer estruturalisticamente. Não podemos deixar de levar em conta o aspecto social de sua essência e funcionalidade.

Seria mais apropriado falar em “estética kitsch”, ou, mesmo, em “kitsch” como o fez Abraham Moles. A questão se fundamenta muito na palavra. Sua tradução linguística trouxe junto a consideração do conceito abstrato. Para cada cultura há detalhes que escapam às camadas semânticas passíveis de considera­ção no vocábulo original do alemão. A coisa se complica quando se parte para considerações de ordem estrutural ou mesmo de um possível elenco de princípios peculiares à gênese de uma obra de arte “típica”.

Vemos, de uma maneira bastante clara, que a mudança de contexto, como forma de reaproveitamento estético de “objetos” inicialmente defasados, pode caracterizar uma atitude crítica; que em nada deve ser considerada como kitsch.

Ficamos, desta forma, num nível muito primário de abor­dagem. Não há, e isto parece tácito, una tentativa de viabili­zação de conteúdos de fraca percepção, mas, isso sim, um processo de repensar o conteúdo próprio de uma obra de arte – em particular – dentro de outro contexto.

Fica claro, então, que é impossível falar num estilo kitsch ou mesmo numa sistemática kitsch da gênese das obras de arte. A questão se coloca numa profundidade que escapa a todas as sistematizações existentes, passíveis de adaptação.

Falar em mistério estético, quando da consideração do caráter kitsch em obras de arte diversas, não nos parece abso­lutamente descabido. Ficamos, entretanto, em dúvida.

Sempre queremos respostas absolutamente seguras pura que não passemos pela situação de vazio diante de novas possibilidades artísticas.

***

Bibliografia

CAMPOS, Haroldo de. Vanguarda e Kitsch. In: A arte no hori­zonte do provável, São Paulo, Editora Perspectiva, 1969, p. 193-201. (Coleção Debates, 16)

DORFLES, Gillo. Kitsch e Cultura. In: Novos ritos, novos mitos. Trad. A. J. Pinto Ribeiro. Lisboa, Edições 70, 1965, p; 139-154. (Coleção Arte e Comunicação)

MOLES, Abraham. O Kitsch. Trad. Sergio Miceli. 2 ed.São Paulo, Editora Perspectiva, 1975, (Coleção Debates, 68)

PIGNaTARI, Decio. Kitsch e Repertorio. In: Informação. Linguagem. Comunicação. 4 ed. São Paulo, Editora Perspec­tiva, 1970, p. 113-117. (Coleção Debates, 2)

RAMIREZ, Juan Antonio. Medio de masas x Historia del Arte. Madrid, Ediciones Catedra, 1976, p. 259-275.

RIBEIRO, Julio. A carne. 18 ed., São Paulo, Livraria Fran­cisco Alves Editora, 1944.

(Trabalho final da disciplina “Estética Literária”, Profª Aglaeda Facó Ventura, 1956)


[1] Aqui, colocamos uma suposição nossa. Na verdade, a tentativa é ultrapassar o mero levantamento de elementos óbvios para propor uma discussão baseada em suposições que, por sua vez, se fundamentam nas leituras teóricas reali­zadas.

[2] Este ponto está baseado na observação da falta de edições atualizadas da obra, onde os detalhes levados em consideração deixariam de existir, a nível de linguagem e a nível de operação estética, possível pelo próprio texto.

[3] Não reproduzimos aqui o trecho citado por considerarmos a obra como já lida, e por toda a impossibilidade de reen­contrar na biblioteca a edição utilizada para a confecção1 deste trabalho.

[4] Abraham Moles, em obra citada na bibliografia, apresenta toda uma justificativa teórica para a consideração do empilhamento como um dos princípios máximos do kitsch. Chega mesmo a dar como exemplo, típico, a decoração de interiores.

[5] Conferir a obra de Juan Antonio Ramirez, também citada na bibliografia. (Grifos nossos)

[6] Não queremos retomar a discussão de Décio Pignatari, mas viabilizá-la nos termos deste trabalho.

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