Cadê?

Quantos médicos são formados por semestre nas faculdades de medicina do Estado de Minas Gerais?

Todos os formados, independentemente do número, têm emprego garantido ao final das residências médicas?

Todos os formados abrem consultórios particulares para exercerem sua profissão?

O juramento de Hipócrates ainda significa/vale alguma coisa?

Onde estão os que não se enquadram nos “todos” acima que não prestam serviço voluntário temporário, evidentemente, nas Unidades de Pronto Atendimento e Centros de Saúde de Minas Gerais para minorar o sofrimento da população e manter um mínimo de dignidade no que se tem o costume de chamar de “saúde pública”?

Cadê os “fumacê” que tanto bem sempre fizeram e que agora desaparecerem do cenário?

Onde estão os curricula vitae dos médicos atendentes do pedido da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte?

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Ode… a que mesmo?

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Vi um estadista desaparecer no mar.

Vi outro estadista sucumbir à doença – dizem que foi tiro (preguiça e medo de ir às fontes), não sei… – e pronto.

Vi um canalha renunciar, sem conseguir fazer a esposa dizer “Botucatu” sem gaguejar.

Vi um acadêmico ascender e atrapalhar demais a vida da academia, com meu voto.

Vi um metalúrgico ascender, com meu voto, pelo valor simbólico de sua trajetória.

Vi uma disléxica seguir adiante e ser defenestrada, sem o meu voto.

Vi um capitão do exército se eleger presidente, sem fazer discurso em palanque.

No meio disso tudo, vi uma amizade de mais de trinta anos se esvair no ar.

Mais de trinta anos esboroando-se no ar, por conta de uma charge chamando de otário a um sujeito que contribuiu numa “vaquinha” para ajudar um ex-presidiário.

Uma charge!

E mais, muito mais.

Pessoas a quem prezo, deixarem de falar comigo porque não pensava na mesma sintonia.

Pessoas que não responderam a meu chamado para reencontro, sem ao menos dizer o porquê.

Pessoas pedindo para eu parar de entrar em contato por conta da referida ausência de sintonia.

Pessoas se vangloriando por coisas pequenas.

Pessoas ironizando, nas entrelinhas, por comentários e afirmações.

Vai saber o que se passa na cabeça de alguém.

Vai saber se quem olha de lado está de mau humor ou não…

Muita coisa mudou.

Pronatec, sus, reuni, prouni e outros uni alargaram horizontes.

Titular passou a ser resultado de progressão na carreira do professor universitário.

Vagas discentes aumentaram quadros docentes se expandiram, dinheiro a rodo.

E o “aparelho” ganhou espaço, robusteceu-se, agigantou-se.

Que me importa se o “bispo” é doente mental.

Que me importa se o fulano não gosta de carnaval.

Nada me importa saber se o título é de mestre ou doutro.

O saco ficou cheio com o blá blá blá da guerrinha de nervos entre “ele não” e “lula livre”.

Cansei de tanto disse que disse.

Já não sei para onde olhar pois o horizonte agora muda de cor conforme a vontade do freguês.

O que antes era branco, hoje é destituído de cor.

O que era bunda virou glúteos.

Fazer exercício físico virou “treino”.

Quanto mais dinheiro ganha, menos joga e o técnico é que é mandado embora, escorraçado, vilipendiado. Enquanto isso, a patuleia se esgoela e se escalpela, digladiando sobre um sucesso que não é seu. E quem faz o tal de “sucesso” caga e anda para a patuleia.

Se esbarrar numa mulher, por conta do balanceio do “busão”, a dita cuja denuncia e o sujeito pode ir preso por assédio.
Olhar e elogiar uma criança pode ser visto como pedofilia.

Velho incomoda fede a xixi guardado, anda devagar, faz sujeira e não serve pra nada. Velho é pra ficar em asilo… assim dizem.

Cansei. Chega.

A espécie humana não tem solução.

Não consigo entender como os espécimes da mesma “natureza fazem coisas tão diversas, numa mesma superfície: constroem iglus, mas queimam a mata pra fazer dinheiro. Erguem templos e matam por droga. Se metem na vida alheia, sobretudo na vida de quem tem muito dinheiro pra dizer que usam mal o dinheiro, Quem sabe o que fazer com seu dinheiro é quem tem dinheiro. Faz o que quer e não tem que dar satisfação a ninguém. Abrem espaço pra “cantor” passar. Mas não se curva diante do professor, como o imperador.

Desenvolve tecnologias, mas prende porque não gosta disso ou daquilo.

A raça é uma só, mas cadê que isso seja verdade universal.

Não tem jeito.

Não tem cura.

Não tem solução.

Vou continuar quieto no meu canto.

Com a minha aposentadoria e o meu cantinho. A minha convivência com o que resta de família, com meus sonhos e minhas fantasias.

Quer falar mal, que fale.

Quer condenar, que condene.

Quer desmerecer, que desmereça.

Caguei.

Andei.

Não vou ficar dando explicações sobre o que explicação não exige.

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Instantâneo do cotidiano

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Aguardava eu, na fila do Carrefour da Pampulha, pela minha vez de passar os produtos que comprei. Esperava antes de faixa azul no chão. Nela estava escrito qualquer coisa parecida com: espere aqui e, quando possível, outro caixa será aberto para atendê-lo. Claro que isso não aconteceu enquanto eu esperava. Mas aconteceu algo que me deixou atônito, surpreso, estupefato, admirado – chega de adjetivos, alguém há de pensar que sou presunçoso, metido, esnobe, ops… Aguardava eu a minha vez quando um sujeito entrou na minha frente. Ele calçava sandálias havaianas, dois ou três números maiores que os pés dele, os calcanhares estava de fora, de propósito. Preciso dizer que os pés estavam sujos. Trajava bermuda enorme, que acabava no meio da canela, não sem antes deixar boa parte de seu avantajadíssimo abdômen – seu eu disser barriga, vão querer me processar por ofensa, por não ter sido politicamente correto! Nem vou comentar sobre a camiseta… chego a sentir engulhos. Pois bem. O gajo esse se aboletou à minha frente com a maior e mais pachorrenta desfaçatez. Falei com ele, em voz alta, que eu estava na fila, pois estava no lugar demarcado no chão para tanto. Ele me olhou de alto a baixo, como alguém que olhasse para um ET sujo de bosta, fedendo. Olhou-me e disse “Ah, é?!”. A pontuação é por minha conta, simplesmente para marcar o tom de sua fala que de desdenhosa chegava a causar urticária. Dei dois passos à frente e me fui, na frente dele. Ele saiu debochando, dizendo que eu estava “nervosinho”. É preciso dizer algo mais sobre o desenvolvimento econômico e político e o aumento do índice de educação da patuleia em pindorama?

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Machado, de novo

Acabei de reler Dom Casmurro e estou terminando a leitura das obras de Santa Tereza d’Ávila, cheguei à “Quinta morada” hoje. Creio não ser possível, assim, de cara, sem mais nada, estabelecer qualquer relação entre os dois textos. Um é cético, a outra, fervorosa in extremis. Nem vou tentar. Peguei agora essa mania de ler dois livros ao mesmo tempo, em dias alternados, sobretudo na leitura de após o almoço. Continuo lendo um só antes de dormir, quando a internete não me seduz… É fato, Dom Casmurro é um mais que excelente livro. Junto com Esaú e Jacó, inaugura o que comecei a chamar de fase romanesca de Machado de Assis. Antes desses dois, o autor carioca escreveu novelas e um livro de memórias, ainda que a avesso, na contramão. Como o que escrevo aqui não constitui trabalho “acadêmico”, nem vou me preocupar em dar explicações sobre isso ou aquilo. Anoto apenas as minhas impressões de leitura e deixo o que vier depois para quem quiser se preocupar com possíveis desdobramentos e/ou ilações. Pois é. Está lá, escrito com todas as letras. Capitu chama Bentinho de mentiroso. Na lata. Já não me lembro exatamente onde, mas está lá, escrito, literalmente: “mentiroso”. Uma amiga minha, a Eni, faz essa insinuação em sua tese de doutoramento ou, se não me equivoco, chegamos a conversar sobre isso. Faz tanto tempo… Uma tese brilhante. Mas votando à vaca fria, Bentinho é mentiroso. Se não tanto, no mínimo, maquiavélico, pois consegue dar todas as informações necessárias ao leitor desconfiado – menos que ele – induzindo-o a concluir que Capitu é traidora. Entretanto, estas mesmas informações não conseguem sustentar a mesma hipótese. Não é possível afirmar com todas as letras que Capitu traiu Bentinho. Já fiz essa pergunta antes: isso é mesmo necessário ou interessante? Disso todo fica uma lição: Dom Casmurro é um livro contundente. De um detalhismo quase chinês, de tão detalhado. Ao mesmo tempo que sua complexidade pode fazer perder o sono, ela seduz e excita, pois faz com que o leitor não se perca nas entrelinhas – que não são poucas – da narrativa. Um episódio doméstico transformado numa quase saga demiúrgica. Todas as personagens, para além do protagonista que é também o narrador, são decorativas. Esta hipótese também merece discussão. Como a anterior, vai ficar para as calendas. Permanece a certeza de que este romance é para ser lido e relido, sempre que der vontade, ou quando se quer fazer o tico e teco funcionarem um pouco mais. Punto i basta!

Chatice

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A menina abre a boca e repete chavões, frases feitas, repetições “politicamente corretas” – ai que preguiça! –, faz caras e bocas, veste-se como todo mundo que pensa que está “na moda”, olha com desdém para quem não age, pensa, sente como ela – com perdão pelo cacófato – e, assim, as coisas continuam a não se renovar, a não inovar, a não criar, e a pequena projeção, hoje nem tão pequena assim, continua senso considerada algo imprescindível. E não é…

O homem diz impropérios aos borbotões. O bonezinho ultrapassa as raias do ridículo. Nem vou comentar sobre a roupa e o tem de voz do gajo esse. Pois. Ele fala impropérios e mais impropérios, faz cenas que beiram o teratológico – declino do direito de entrar no mérito da questão, se é que tem mesmo mérito… –, depois recebe reprimenda (já tinha recebido outras) e acaba por ser transformado em estandarte de uma causa que causa incômodo: uma vítima?

O outro garoto abre a boca e grita. Grita e faz careta. Faz careta e grita. Ele acredita que é assim que se canta. Disseram pra ele que é assim que se canta. Não estou a negar o talento do guri, mas sustento meu argumento. Ops… uma rima.

De um e de outro jeito o que permanece é a certeza de que a chatice, a superficialidade, a ignorância e a tendência à homogeneizar tudo, de nivelar tudo por baixo, de usar conceitos descontextualizados. Em uma palavra: uma chatice.

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Dúvida

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Estou aqui pensando com meus botões: o que diriam as pessoas com quem tenho contato, as pessoas que sabem que eu existo em Facebook, Twitter e Instagram, as pessoas que conheci e que, de alguma forma, ainda sabem da minha existência e, até, as pessoas que não me suportam, se eu fizesse uma greve de fome em protesto contra o que aconteceu com a família que ia para um chá de bebê no Rio de Janeiro dias atrás? A dúvida me ocorreu depois que li, já não me lembro onde, que alguém reclamava da apatia da sociedade brasileira que assistiu calada ao que se passou naquela avenida em Guadalupe e que seguiu com sua vida como nada houvera: a ausência de vivência do luto pela morte do Evaldo. Devo dizer, como busca de autopreservação, que o que sei sobre o acontecido, o sei a partir de leituras indiretas. Em outras palavras, por óbvio, não estava lá, não vi o que se passou in loco. Dois: ainda que tenham circulado alguns vídeos pela “rede”, não posso, a partir deles, em sã consciência, dizer nada a não ser sobre o choque causado pelas imagens. Três, não posso julgar as palavras das autoridades, todas elas, que já se manifestaram e que vão ainda se manifestar, pois não sei dos fatos, como eles de fato ocorreram e, de mais a mais, não posso “adivinhar” o que vai na cabeça de cada um que se manifesta sobre qualquer coisa em qualquer momento. Isso seria, no mínimo, irresponsável. A minha dúvida, então, procede e se mantém: uma greve de fome seria uma forma de vivenciar este luto? Poderia, também, ser interpretada como protesto? Isso teria algum impacto? Instigaria alguém a fazer alguma coisa? Faria com que situações como esta não se repetissem? De uma, surgiram três dúvidas. E sei, de antemão, que não terei resposta. Primeiro, porque muito pouca gente, para não dizer ninguém, vai se dar ao trabalho de dizer alguma coisa sobre o que aqui escrevo. Segundo, porque, do jeito que a coisa anda, eu, um reles professor aposentado, vivendo numa cidade inexpressiva como Contagem – perdida no meio das alterosas – não consigo receber nenhuma manifestação automática no Twitter, a partir de qualquer manifestação minha – ainda não mereci coraçãozinho vermelho de ninguém em NADA do que lá coloquei como postagem. Terceiro, porque, sendo eu uma pessoa privada – em oposição à suposta e famigerada celebridade que alimenta e insufla egos desavisados por aí – não tenho nenhum recurso para me fazer ouvir e com meu gesto – greve de fome – tentar dizer que estou protestando sobre o que aconteceu. De uma coisa ninguém pode me acusar: de cinismo. Talvez, numa faixa hermenêutica da Filosofia, o epíteto coubesse, mas isso é exigir demais. No comum dos mortais, no frigir dos ovos, não sou cínico. Fiquei, mesmo, estarrecido com o que aconteceu. Não consigo entender como é que foi acontecer o que aconteceu. Não sou capaz sequer de procurar assertivas que possam tentar equacionar sombra de explicação para o fato, porque justificativa, em definitivo, não há! E minha dúvida permanece: como é que se demonstra protesto num caso desses? O que é que se faz? Desculpem a franqueza, mas eu não consigo alcançar miragem de resposta…

Dois poemas

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Saudade

Vilegiatura luminatrix suavíssima,

ela ficava sentada

bem encurvada

a fazer palavras cruzadas.

E o tempo passou.

Com sorriso franco, semblante marcado

pela experiência acumulada, ela

vingava todas as predições em contrário e seguia

a fazer bolo, biscoito e carne,

a contar casos,

a chorar de saudade e jamais reclamar,

a não ser

na excruciante hora,

em que as resistências cedem

e as lágrimas escorrem, por si,

em si mesmas.

Vigor é sua marca.

Resistência sua índole.

Mansidão e humildade, juntas, num só corpo

que, desfalecido, sem conseguir vencer o tempo

já não mais existe.

Isso deve ser saudade, e não dói,

não incomoda

mas é sentida,

num átimo epifânicos da descoberta

constante da finitude.

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Nostalgia

Estar numa encruzilhada

que não sabia como abordar…

Como aquele animal selvagem

que de pronto

é prisioneiro…

Quem sabe chegar

como o mar à enseada…

Como a música

que perdeu um sabiá…

Súbito espasmo do zéfiro congelante

que ao soprar por horas se faz eterno

como relógio de areia que

lentamente

agoniza…

E assim empalidece,

enlanguesce,

soa

como um profundo pranto

de lágrimas que não caem,

não se derramam,

como fogo sem chama…

Tal entardecer sem ocaso,

como meus beijos,

minhas palavras,

meu coração tem saudade.

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