Retorno a um “Howard’s End” particular

Toda vez eu tinha vontade de chorar. Exatamente quando o ônibus começava a descer a longa avenida que vai dar na estação rodoviária, aquele aperto no peito se anunciava e angustiava e ficava ali remoendo, morno, mole, quente. Eu não conseguia chorar, mas a vontade… ah., a a vontade… esta ficava ali sempre, dizendo presente. no início da descida da rampa. Isso se dava toda vez que eu chegava a Porto Alegre. Não sei explicar. Era sempre assim. Foi sempre em todas as vezes, desde a primeira. Não importava de onde eu viesse, a vontade dizia presente, sempre! Foram cinco anos de idas e vindas mais regulares e numerosas. Depois, num intervalo de dois a três anos, mais umas três ou quatro vezes. Daí, um longo período de “estiagem”, quase vinte anos. E o retorno se deu. O motivo particular foi a formatura da Bruna, que conheci menina, aos três anos. Da última vez que a vi, estava namorando com o rapaz com quem veio a se casar. A mesma Bruna, doce, alegre, a cara da mãe e do pai. Mistura perfeita, agora com o diploma de Fisioterapeuta. Há de ser uma profissional competente, completa e muito feliz, uma carreira que há de ser coroada de sucesso, n medida em que seu sucesso deve ser. Isso a gente não pode antecipar, nem mensurar. Mas há de ser! A cidade, então, desta vez, não me provocou a mesma vontade de anos atrás. Não digo que tenha sido o contrário. Não! No entanto, foi muito bom passear por ruas conhecidas e desconhecidas, mais estas que aquelas. Matriz, a volta ao Mercado, o Guaíba – que não é rio, é lago – o Piratini, a Rua Riachuelo, inúmeros bairros espalhados por um largo planalto quente, mas hospitaleiro e divertido. Tudo muito bom. O reencontro com amigos queridos, a colação de grau  demorada na medida certa, sem mais nem menos – a comemoração na praia de Paraíso, nas cercanias de Torres – que vim a conhecer rápida e superficialmente no domingo, no tempo em que Loeci e Gilson me hospedaram, me ciceronearam, se fizeram presentes no resgate de afetos vividos e mantidos pela memória que se renovou no encontro. Tudo muito bom. A festa em sua sincera simplicidade – a cara da anfitriã – foi uma delícia, de conversas, recordações, risadas, rememorações. Cleo feliz e realizada, afetiva e profissionalmente. Gilberto e sua companheira, simpatia em pessoa. Loeci e Gilson, uma delícia de anfitriões. Bruna e William, o retrato do futuro! Maria Regina, com sua doçura. Não deu vontade de chegar na chegada. Na saída, lá no fundinho, ficou uma ponta de melancolia. Mas eu volto para espantar essa pontinha!

Uma resposta para “Retorno a um “Howard’s End” particular”.

  1. Que viagem linda! Tantas emoções especiais. Fico feliz porque você está feliz, meu caro amigo. Tenho vontade de voltar ao RS, a Torres, principalmente, com suas belas falésias. Quem sabe, não é? Eric vai adorar! Ele gostou do Sul do Brasil. Sempre bom viajar. Beijinho.

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